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Religião

08/11/2018 | domtotal.com

Sigo o horário de Deus

São vários os malefícios dessa mudança de horário.

Há outros males menores causados pela mudança, como sonolência durante o dia, cansaço, falta de apetite e insônia à noite.
Há outros males menores causados pela mudança, como sonolência durante o dia, cansaço, falta de apetite e insônia à noite. (Reprodução)

Por Afonso Barroso*

Já que o horário de verão se repete, vejo-me no direito de repetir o que penso sobre esse assunto. Não gosto nada dessa história de adiantar o relógio, daí que faço como fazia meu irmão Luiz Barroso. Sacerdote da Igreja Católica e vigário em Santa Maria do Suaçuí, Padre Luiz dizia que o que Deus fez o homem não pode desfazer. Por isso, não mexia no seu relógio, e muito menos no horário litúrgico da igreja. Missa das sete era das sete, e pronto. Nada de celebrar às oito, como quer o verão governamental. Seguia o horário de Deus, não o dos homens. Daí que muitos fiéis desatentos iam à missa esperando chegar na hora do Introibo ad altare Dei e ouviam Ite missa est. Naquele tempo ainda se rezava missa em latim.

Eu não celebro missa, já que não sou vigário como era meu irmão, mas também pratico essa espécie de desobediência civil e não mudo o horário do meu relógio biológico. Se me levanto às seis da manhã, não vou me levantar às sete. Se vou pra cama às 11 da noite, não irei à meia-noite, a não ser quando as circunstâncias ou minha própria vontade me empurrarem para mais tarde.

São vários os malefícios dessa mudança de horário. Um deles é o aumento dos casos de ataques cardíacos nas pessoas idosas durante a primeira semana de vigência. Isso foi comprovado em estudo científico que certamente não chegou ao conhecimento das autoridades. Que direito o Governo tem de adotar uma medida que aumenta os casos de infarto na chamada idade terceira?

Há outros males menores causados pela mudança, como sonolência durante o dia, cansaço, falta de apetite e insônia à noite.

Pensando bem, quem ganha com o horário de verão? Acho que ninguém. Esse horário atrapalha viagens, prejudica o faturamento em várias atividades e até o funcionamento de equipamentos médicos, entre outros problemas. O trabalhador, coitado, ganha uma hora de sol à tarde, mas tem de se levantar uma hora mais cedo, o que dá uma hora a mais de escuridão de manhã.

E o pequeno pecuarista? Esse nem toma conhecimento, porque as vacas não mudam o horário de berrar e dar leite, e ele não pode impor o horário. Segue o delas.

Informa-se, enfim, que nos seus três meses e alguns dias de duração, o horário de verão representará uma economia de 0,5% no consumo de energia elétrica. Isso mesmo, zero-vírgula-cinco por cento. Corresponde a uns poucos dias de fornecimento numa capital com a população de Belo Horizonte. Ou seja, uma economia porca, que não justifica expor os velhinhos ao perigo de infarto e a população em geral a um horário que afeta a saúde e a alegria de viver.

Winston Churchill se ainda e aqui vivesse, usaria uma frase semelhante à que disse sobre a atuação dos soldados da Força Aérea Britânica, quando resistiram bravamente aos ataques da poderosa Luftwaffe de Hitler na Batalha da Inglaterra.

Diria ele, sobre o horário de verão, que nunca tantos foram tão atazanados por tão pouca economia em tão longo tempo.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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