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Religião

09/11/2018 | domtotal.com

Se Deus dança, façamos música!

Se cremos num Deus que dança, logo podemos pensar que a música é fundamental.

Seria, pois, o amor a música dançada pela Trindade?
Seria, pois, o amor a música dançada pela Trindade? (Reprodução/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

Os cristãos e cristãs creem num Deus que dança. E, dançar sem música, não parece fazer bem o tipo desse Deus. Não se assustem os leitores e leitoras: a metáfora é imprescindível no fazer teológico. Voltando ao Deus que dança: o dogma trinitário é um dos que mais geram estranheza nos ouvidos dos fiéis. Como compreender um Deus que é Uno, mas que, ao mesmo tempo, são três Pessoas? Conhecemos Deus como é, pela forma como ele se dá a nós, isto é, pelo modo como se revela para salvar. E a metáfora utilizada para expressar isso é justamente a da ciranda. Fala-se numa pericorese, palavra grega que significa “convidar para a dança”.

A comunhão trinitária se expressa numa ciranda, que manifesta sinergia, comunhão. O que faz uma das Pessoas trinitárias, fazem as outras, em plena comunhão. Contudo, não é sobre a dança que nos debruçamos nesse Dom Especial: é sobre a música. Se cremos num Deus que dança, logo podemos pensar que a música é fundamental. Seria, pois, o amor a música dançada pela Trindade? De toda forma, muitas das músicas que ouvimos, tenho por certo, falam de amor. Há aqueles que já propuseram pensarmos o ato criador de Deus e a harmonia de todo o mundo criado, como a melodia de uma boa música. Ora, se Deus cria por amor, tão logo a música que faz é, então, música de amor.

Talvez tenhamos chegado, aqui, a um lugar teológico: a música na perspectiva do amor. Mas deixemos essa reflexão para outra oportunidade. Cabe-nos, aqui, pensar a música, relacionando-a à experiência religiosa. Para além das músicas litúrgico-rituais e gospeis, as canções seculares podem nos aproximar de Deus? Os hindus nos falam de uma divindade que faz música: Krishna, sempre representado tocando uma flauta. Nesse caso, é Deus que se aproxima de nós por meio da música. Não é à-toa que o culto a Krishna seja repleto de dança e alegria: não é isso, sobretudo, que a música nos causa? Aqui, sem dúvidas, há algo de muito importante que os cristãos e cristãs podem aprender: a se deixar tomar pelas canções, abrindo-se àquelas experiências profundas que a música pode nos proporcionar. Isso, é claro, para além dos repertórios estritamente religiosos.

Os dois primeiros textos de nosso Dom Especial nos ajudam a olhar para o tema da música de maneira mais ampla, para além do estritamente religioso. O primeiro texto, Jesus Cristo é o Senhor do Rock, de Pedro Lima Jr., tem como começo de conversa um conto, a partir do qual o autor convida-nos a expandir nossos horizontes de compreensão, para aquilo que o Rock pode nos ajudar a vivenciar de melhor o sentido da vida, na superação de compreensões que já não nos ajudam a viver bem no moderno de nossas vidas. Com uma linguagem bíblico-teológica, Júlio Simões reflete sobre o estremecimento interior de alegria, diante de uma música bem executada e o movimento da dança fruto desse estremecimento, no artigo Quem canta bem reza bem duas vezes. Se as músicas seculares podem nos levar a encontrar a Deus, numa legítima experiência espiritual, as canções religiosas estão voltadas objetivamente para esse fim. Contudo, todas as canções gospeis nos levam a uma profunda experiência com o Deus de Jesus Cristo? É a pergunta que nos provoca Fabiano Veliq, no artigo A culpa que se canta, no qual analisa traços marcantes em um sugestivo tipo de repertório religioso.

Boa leitura!

* Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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