;
Brasil Cidades

18/11/2018 | domtotal.com

Bom dia, estresse!... E adeus!

Uma das muitas causas do estresse, em nossos dias é a angústia que nos aflige na difícil luta contra o tempo.

O tempo é inexorável em sua marcha, sempre no mesmo ritmo, e sempre para frente.
O tempo é inexorável em sua marcha, sempre no mesmo ritmo, e sempre para frente. (Pixabay)

Por Evaldo D' Assumpção*

Há muito venho-me devendo escrever esse artigo. Hoje resolvi assumi-lo. Confesso: não o escrevo para vocês que habitualmente me leem, ainda que espero lhes seja útil. Faço-o para mim mesmo, e por mim, que já tendo aprendido razoavelmente a controlar-me, vez ou outra sou vítima do que lhes vou falar. E faço-lhes uma sugestão: se acharem que vale a pena, copiem as conclusões, e coloquem-nas bem em frente ao espelho do seu banheiro, em sua mesa de trabalho, ou onde for melhor para revê-las, até que consiga introjetá-las e sedimentá-las em sua consciência. Não importa a idade que temos, sempre é tempo de nos livrarmos desse monstro alienígena que um dia começou a habitar dentro de nós, acomodou-se, e não quer nos deixar.

Tenho a certeza de que não há quem não o tenha dentro de si, corroendo-o, até chegar ao extremo de matá-lo, num enfarte, num AVC, ou numa causa não definida. Falo do estresse, um estado gerado por fortes excitações emocionais, o qual leva o organismo a disparar um processo de adaptação, que foi descrito em 1959 pelo médico endocrinologista húngaro, Hans Selye, recebendo o nome de Síndrome Geral de Adaptação. Nesse processo há um aumento da secreção de adrenalina, trazendo várias consequências nada boas para todo o organismo. Geralmente é causado pela ansiedade, e ou depressão, consequentes às mudanças bruscas do estilo de vida, ou por exposição a situações angustiantes. Essa condição, se prolongada e dependendo de sua intensidade, não sendo bem elaborada pode levar os nossos mecanismos de defesa à exaustão, à perda da eficiência, favorecendo o adoecimento e até mesmo à morte.

Uma das muitas causas do estresse, em nossos dias é a angústia que nos aflige na difícil luta contra o tempo. Não nos damos conta de que ficar angustiado não para, nem atrasa os ponteiros do relógio. O tempo é inexorável em sua marcha, sempre no mesmo ritmo, e sempre para frente. Por isso, ao invés de brigarmos contra o tempo – luta inglória – melhor será aprendermos a conviver harmoniosamente com ele. Elenco algumas sugestões para isso:

Sejamos pontuais, não deixando tudo para fazer em cima da hora. Aprendamos a programar cada coisa criteriosamente, usando de toda a sinceridade para conosco, quanto ao tempo que certamente iremos gastar em cada etapa daquela atividade. Isso feito, não tenhamos qualquer condescendência com nós mesmos, permitindo-nos introduzir algumas “atividadesinhas” (das quais costumamos dizer: “é coisa atoa, farei isso rapidinho”, pois isso não existe!) entre as atividades programadas. Qualquer ato toma algum tempo e tem imprevistos que podem prolongá-lo bem mais do que pensávamos, quando afirmamos que levaria “somente alguns segundos”.

Se temos um compromisso, não é correndo que se chega na hora marcada. A correria somente serve para nos fazer esquecer de coisas importantes, deixar de levar coisas que deveriam ser levadas, largar documentos pessoais para trás, e até causar algum acidente. O bom é programar todas as ações de forma a poder sair de casa calmamente, sempre um pouco mais cedo do que o tempo previsto para chegar ao destino, em condições normais. Nada de deixar para sair no último instante, pois certamente todo o percurso será um contínuo estresse. Especialmente quando se encontra um trânsito mais lento, ou se algum acidente nos retarda, coisas hoje bem comuns. Quantos desentendimentos entre casais ocorrem por essa razão, quantos aborrecimentos sem necessidade, quantos programas agradáveis são destruídos por essa inconsequência, mal se iniciam.

Quando temos um compromisso, não devemos telefonar para ninguém pouco antes de sair, exceto para, se for o caso, comunicar que já se está saindo. Quase sempre esse telefonema rápido, só para dar um recadinho, transforma-se numa conversa prolongada. Não conseguindo cortar o assunto, fica-se estressado, e não só resolve mal a questão do telefonema, como se acaba perdendo o horário. Ler ou mandar recados pelo whatsapp, isso nem pensar. Ele é uma das maiores causas de atrasos e estresses, e o que é pior: da implosão de bons programas.

Se tiver uma longa lista de coisas a fazer, veja quais são as prioridades, e deixe as menos importantes para depois. Se der tempo, bem. Se não der, paciência. Não vale a pena ficar estressado, aumentar a adrenalina circulante, ter cefaleias e até coisas piores, por querer colocar um elefante dentro de uma caixa de fósforo. Quase sempre fazemos nossas programações superestimando nossa capacidade resolutiva, e menosprezando a velocidade com que os ponteiros do relógio andam. Daí tanta agitação, tanta ansiedade, tanta impaciência, tanto sofrimento, tanta insatisfação, tanto estresse.

Uma palavra final: toda manhã, ao se levantar, gaste um minuto do seu tempo olhando-se no espelho. Não para se admirar, mas para conversar com você mesmo. E diga-se a si próprio, olhando no fundo dos olhos da sua imagem refletida: “Você não merece enfartar-se, ter um AVC, uma úlcera, ou um câncer no estomago. Eu gosto de você. Há muitas pessoas que gostam e talvez dependam de você. Você merece ser feliz. Ser responsável, sim. Pontual, sim. Estressado, jamais! Portanto, use sua inteligência e organize o seu dia de acordo com a sua realidade. Anote seus compromissos para não esquecê-los. Não se apresse inutilmente. Não se agite. Não se irrite. O que não der para fazer, não sendo por negligência, por irresponsabilidade, nem por preguiça, paciência. Diga adeus, ao estresse. Faça o que puder, e seja feliz. Só isso importa.

* Evaldo D' Assumpção é médico e escritor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas