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Religião

18/11/2018 | domtotal.com

Ninguém sabe o dia

Reflexão sobre a liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum - Mc 13,24-32

Reflexão sobre a liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum - Mc 13,24-32
Reflexão sobre a liturgia do 33º Domingo do Tempo Comum - Mc 13,24-32

Por José Antonio Pagola*

O melhor conhecimento da linguagem apocalíptica, construída de imagens e recursos simbólicos para falar do fim do mundo, permite-nos hoje ouvir a mensagem esperançosa de Jesus sem cair na tentação de semear angústia e terror nas consciências.

Um dia, a apaixonante história do ser humano sobre a Terra chegará ao seu fim. Esta é a firme convicção de Jesus. Esta é também a previsão da ciência atual. O mundo não é eterno. Esta vida vai acabar. O que será de nossas lutas e trabalho, de nossos esforços e aspirações?

Jesus fala com sobriedade. Não quer alimentar nenhuma curiosidade mórbida. Corta pela raiz qualquer tentativa de especular com cálculos, datas ou prazos. "Ninguém sabe o dia ou a hora ..., só o Pai". Nenhuma neurose antes do fim. O mundo está em boas mãos. Nós não caminhamos para o caos. Podemos confiar em Deus, nosso Criador e Pai.

Desta confiança total, Jesus expõe sua esperança: a criação atual terminará, mas será para dar lugar a uma nova criação, que se centralizará em torno do Cristo ressuscitado. É possível crer em algo tão grandioso? Podemos falar assim antes de que alguma coisa tenha ocorrido?

Jesus usa imagens que todos podem entender. Um dia, o sol e a lua que hoje iluminam a terra e tornam a vida possível se apagarão. O mundo ficará às escuras. A história da humanidade também se apagará? Terminarão assim nossas esperanças?

De acordo com a versão de Marcos, em meio a essa noite se poderá ver o "Filho do homem", isto é, o Cristo ressuscitado, que virá "com grande poder e glória". Sua luz salvadora iluminará tudo. Ele será o centro de um mundo novo, o começo de uma humanidade renovada para sempre.

Jesus sabe que não é fácil crer em suas palavras. Como pode provar que as coisas vão acontecer assim? Com uma simplicidade surpreendente, ele nos convida a viver essa vida como uma primavera.Todos conhecem a experiência: a vida que parecia morta durante o inverno começa a despertar; nos ramos da figueira brotam de novo pequenas folhas. Todos sabem que o verão está próximo.

Essa vida que agora conhecemos é como a primavera. Ainda não é possível colher. Não podemos obter conquistas definitivas. Mas há pequenos sinais de que a vida está em gestação. Nossos esforços por um mundo melhor não se perderão. Ninguém sabe o dia, mas Jesus virá. Com a sua vinda se  desvelará o mistério último da realidade, que os crentes chamam de Deus. Nossa história emocionante chegará a sua plenitude.


Periodista Digital - Tradução: Gilmar Pereira

*José Antonio Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián.

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