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Religião

20/11/2018 | domtotal.com

O Reino não é para vocês

A ação de Deus ao longo da história da salvação se voltou muito mais para os fracos e pequenos do que para os fortes e poderosos.

Não é o exterior, o que se diz da boca para a fora, ou os hábitos mais piedosos que manifestam a conformidade com o projeto de Deus para o ser humano.
Não é o exterior, o que se diz da boca para a fora, ou os hábitos mais piedosos que manifestam a conformidade com o projeto de Deus para o ser humano. (Reprodução/ Pixabay)

Por Tânia da Silva Mayer*

O Reino de Deus é para todas as pessoas, sobretudo para aquelas que estão à margem dos sistemas sociais, políticos, econômicos, religiosos, etc.. Os evangelhos revelam isso por meio das narrativas que mostram que a boa-notícia do Reino é comunicada aos pobres, excluídos e marginalizados, destinatários escolhidos preferencialmente por Deus para revelar seu plano de vida e amor. 

Essa premissa cristã não pode nunca ser negada. Não se trata de uma leitura alienada em ideologias mundanas, mas de uma percepção sensível de que a ação de Deus ao longo da história da salvação se voltou muito mais para os fracos e pequenos do que para os fortes e poderosos.

A práxis profética e as palavras de Jesus, a partir das quais Deus se revela uma vez por todas como verdadeiramente é, anunciam uma reviravolta na compreensão da relação da humanidade com Deus, contrariando as expectativas do mundo. Precisamente, quem vai entrar primeiro no Reino são as prostitutas e os cobradores de impostos (cf. Mt 21,31). Essa afirmação contém um ensinamento a ser observado ao longo da vida. Não é o exterior, o que se diz da boca para a fora, ou os hábitos mais piedosos que manifestam a conformidade com o projeto de Deus para o ser humano. 

O coração e aquilo que se passa no íntimo se tornam critérios rigorosos para a adesão a Jesus e ao seu Pai. Por isso, é sempre tempo de retomar a Palavra que orienta: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” (Mt 7,21). Nesse sentido, há lugar para ponderar sempre as posturas de algumas pessoas que já se consideram a si mesmas como cumpridoras da vontade do Pai, e, se apoiando nessa percepção, acusam, julgam e condenam quem pensam não fazer a vontade de Deus.

Normalmente, essas pessoas se apoiam em aspectos exteriores das religiões que garantem alguma segurança ou estabilidade. À revelia do Evangelho, tornam-se justiceiros de uma justiça e medida que são somente suas, não as de Deus, ambas fundamentadas num amor sem medidas. É, pois, preciso retomar o ensinamento de Jesus que orienta não julgar para não ser julgado (cf. Mt 7,1-2). Não se trata simplesmente de não fazer um julgamento do outro, do modo como ele vive e se comporta, trata-se principalmente de ocupar-se da própria vida e da própria motivação que relaciona algum desejo de ser discípulo ou discípula de Jesus. 

Entre outras palavras, é fundamental tirar o cisco do próprio olho antes de se preocupar com o cisco que pode ou não estar no olho do irmão (cf. Mt 7,3-5). Agindo assim, também podemos nos tornar mais abertos para o Reino, acolhendo sua novidade num processo cotidiano de conversão que nos faz compreender com paz a loucura e o escândalo que é a preferência de Deus pelos pobres, excluídos e marginalizados.

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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