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20/11/2018 | domtotal.com

A grande batalha de Theresa May!

A garra que Theresa May mostrou nessas últimas batalhas foi admirável.

Theresa May disse em alto e bom som que vai em frente porque acredita que um acordo, para a saída de seu país da União Europeia, deve ser acertado para o bem do próprio povo britânico.
Theresa May disse em alto e bom som que vai em frente porque acredita que um acordo, para a saída de seu país da União Europeia, deve ser acertado para o bem do próprio povo britânico. (Thomson / Reuters)

Por Lev Chaim*

Nem bem foi anunciado um acordo prévio para o brexit, entre o Reino Unido e a União Europeia, alguns conservadores do partido de Theresa May já deram início às críticas sem mesmo ter lido uma linha sequer do que havia sido acordado. Entre eles, não podia faltar, o  populista Boris Johnson, que já foi ministro do exterior de May, no início de seu mandato como premier.

Agora, o sopitado Johnson e a turminha de descontentes permanentes começam a acenar com a possibilidade de tirar a primeira-ministra do poder, com o recolhimento de 48 assinaturas de conservadores. Vejam a listinha dos principais baderneiros que abandonaram o governo num momento crítico: o ex-brexit-ministro, Dominic Raab, que renunciou ao seu cargo tal qual o seu antecessor, David Davies; a ex-ministra do trabalho de May, Esther Mcvey; o ex-secretário de estado para a Irlanda do Norte, Shailesh Vara; a ex-secretária de estado, Suella Braverman e o irmãozinho de Boris Johnson, o ex-secretário de estado, Jo Johnson.  

Theresa May disse em alto e bom som que vai em frente porque acredita que um acordo, para a saída de seu país da União Europeia, deve ser acertado para o bem do próprio povo britânico. “Sem solavancos, podemos seguir em frente”, disse ela. May sabe e quase todos que fazem oposição a ela também sabem que deixar de ser sócio de um “clube de tênis”, por exemplo, e querer continuar  usando as suas quadras de tênis por tempo indefinido não é possível em lugar algum. E May disse uma frase que, a meu ver, foi a sua melhor defesa até o momento, contra esses ataques covardes de políticos conservadores: “Os que me criticam nunca apresentaram sequer outra alternativa para o caso do brexit!”

Uma frase simples e brilhante, que desarma esses populistas conservadores chefiados por Boris Johnson. Quando eles propuseram oficialmente um referendo, para saber o que o povo britânico queria, “sair ou ficar na União Europeia”, eles não explicaram nada ao povo britânico sobre as consequências de uma possível retirada de seu país da União Europeia. Apenas fizeram propaganda para o “sim” com muitas mentiras e dizendo que a Grã-Bretanha pagava milhões à Bruxelas e não recebia nada em troca, e que ainda eram obrigados a obedecer às regras ditadas pela União. O povo, na sua total ignorância, votou, com uma pequena maioria, como eles queriam, pelo “sim” ao brexit.  

Se recapitularmos, podemos recordar que, logo após a vitória do brexit no referendo, Nigel Farage, britânico do Parlamento Europeu e um dos ferozes defensores do “sim”, com seu discurso populista e mentiroso, disse que iria se retirar agora da vida pública para “pensar em sua própria vida pessoal”. Ou seja: jogou os britânicos no buraco; usou na campanha do brexit verbas ilegais de empresas fantasmas do famigerado político norte-americano da extrema-direita, Steve Bannon, ex-conselheiro de Trump, sem nada informar oficialmente ao povo britânico, e agora se vai?   

Pode ser que a premier Theresa May seja destituída da liderança de seu partido e, consequentemente, de seu cargo de primeira-ministra. Não importa. A garra que ela mostrou nessas últimas batalhas foi admirável. Como ela mesma disse, o ponto central de sua luta é dar ao povo britânico o melhor para o seu futuro. Alguns dos conservadores britânicos têm a audácia de pensar que o seu país tem todos os direitos, sem nenhuma obrigação. Audácia dos tempos longínquos?     

Na sua apresentação do plano do brexit no parlamento na semana passada, May enfrentou uma tremenda oposição não só por parte dos trabalhistas, mas também  de alguns membros de seu próprio partido. E como May disse, ninguém apresentou alternativas. Seu colega de partido, Julian Lewis,  querendo ser engraçado, afirmou que “A União Europeia é como a música Hotel Califórnia”, referindo-se ao eterno sucesso do grupo pop The Eagles, “a gente nunca se vê livre dela”.

Com sua atitude decidida, Theresa May deixou claro que está disposta a enfrentar tudo e todos até o fim porque acredita que esse acordo seja o melhor para o povo britânico. E, de acordo com muitos comentaristas internacionais, o desentendimento na Europa pode estar sendo também estimulado tanto em Washington como em Moscou. É por isto agora, estou absolutamente do lado de  Theresa May. E vocês?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras para o Domtotal.

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