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13/12/2018 | domtotal.com

Número de jornalistas presos por exercício da profissão chega perto de recorde, diz relatório

Pelo terceiro ano consecutivo mais da metade estão na Turquia, na China e no Egito, onde as autoridades acusaram repórteres de atividades antigovernamentais.

Jornalista da Reuters Wa Lone sob detenção policial em Yangon.
Jornalista da Reuters Wa Lone sob detenção policial em Yangon. (Myat Thu Kyaw/ Reuters)

Por Joseph Ax

NOVA YORK - Um número quase recorde de jornalistas de todo o mundo está atrás das grades por causa de seu trabalho, inclusive dois repórteres da Reuters cuja prisão em Mianmar atraiu críticas internacionais, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira.

Até 1º de dezembro havia 251 jornalistas presos por fazerem seu trabalho, disse o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) em um estudo anual. Pelo terceiro ano consecutivo mais da metade estão na Turquia, na China e no Egito, onde as autoridades acusaram repórteres de atividades antigovernamentais.

"Parece uma tendência agora", disse a autora do relatório, Elana Beiser, em uma entrevista. "Parece o novo normal".

O número de jornalistas aprisionados devido a acusações de "notícias falsas" foi de 9 em 2016 e 21 no ano passado para 28, de acordo com o CPJ, entidade sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos que defende a liberdade de imprensa.

O relatório criticou o presidente dos EUA, Donald Trump, por caracterizar a cobertura midiática negativa frequentemente como "notícias falsas", uma frase que também é usada por líderes contra seus críticos em países como as Filipinas e a Turquia.

O estudo foi publicado na mesma semana em que a revista Time escolheu vários jornalistas como sua "Personalidade do Ano".

Este grupo incluiu os repórteres da Reuters Wa Lone e Kyaw Soe Oo, que na quarta-feira completaram um ano de prisão, e o jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado no consulado saudita de Istambul dois meses atrás.

Wa Lone, de 32 anos, e Kyaw Soe Oo, de 28 anos, foram condenados a 7 anos de prisão em setembro por violarem a Lei de Segredos Oficiais de Mianmar. Eles investigavam o massacre de 10 meninos e homens rohingyas durante uma repressão do Exército que levou centenas de milhares de refugiados a Bangladesh.

Advogados dos dois repórteres da Reuters entraram com uma apelação contra a condenação.

A líder de Mianmar, Aung San Suu Kyi, disse que a prisão dos repórteres não teve relação com a liberdade de expressão, mas que eles foram condenados por manejar segredos oficiais e que "não foram presos por serem jornalistas".

A Turquia continua sendo a pior violadora da liberdade de imprensa em todo o mundo, disse o CPJ, já que ao menos 68 jornalistas estão presos por acusações de afronta ao governo. Ao menos 25 jornalistas estão encarcerados no Egito.


Reuters

EMGE

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