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07/01/2019 | domtotal.com

Era de Trump e Pelosi pode provocar faíscas em Washington

Ambos estão separados, porém, por algo mais do que sua política.

Pelosi bate o martelo ao assumir a presidência da Câmara
Pelosi bate o martelo ao assumir a presidência da Câmara (AFP)

Ele está na Casa Branca, e ela, no Congresso. Nos próximos dois anos, Donald Trump e Nancy Pelosi terão de trabalhar juntos, e tudo indica que não será fácil.

O presidente republicano terá de lidar com Pelosi, a presidente democrata da Câmara de Representantes, se quiser melhorar o que tem sido até agora uma curta lista de conquistas legislativas.

Terceira na linha de sucessão depois do presidente e do vice-presidente, Pelosi terá de provar que os democratas estão preparados para governar e que têm mais a oferecer do que a oposição a Trump.

Ambos estão separados, porém, por algo mais do que sua política.

Ele é um magnata do ramo imobiliário de Nova York e crítico de Washington, à qual e refere como "o pântano".

Ela representa a liberal San Francisco no Congresso e passou mais de três décadas negociando nos corredores do poder do Capitólio.

Trump, de 72 anos, em geral é rápido para arrumar apelidos nada amigáveis para seus oponentes políticos, mas nunca fez isso com Pelosi, de 78.

"Gosto dela", afirmou Trump, referindo-se a Pelosi, pouco depois de a veterana guiar os democratas para uma vitória decisiva na Câmara Baixa nas eleições de meio de mandato em novembro.

"Você consegue acreditar?", disse Trump. "Gosto de Nancy Pelosi, ela é firme e é inteligente", completou.

"Merece ser presidente da Câmara", acrescentou.

A relação de Trump com seus oponentes democratas tem sido tumultuada desde que assumiu o poder, e poucos esperam uma mudança significativa nesse cenário agora que Pelosi tem a presidência da Câmara.

"Não acho que ele a respeite", disse o professor Julian Zelizer, da Universidade de Princeton. "Acho que ele tem medo dela", completou.

"Ele tem uma certa noção do poder em Washington e de como as eleições de meio de mandato mudaram a dinâmica", disse Zelizer à AFP.

"Se ele sentir que ela está na defensiva, ou vulnerável, vai começar sua enxurrada no Twitter", acrescentou.

'Controlar Trump'

Trump e Pelosi tiveram um encontro memorável no Salão Oval no mês passado, quando manifestaram suas divergências sobre o pedido do presidente a que o Congresso aprove 5 bilhões de dólares em recursos para financiar o muro na fronteira com o México.

Em um momento, Pelosi se referiu às ameaças presidenciais de fechar parcialmente o governo federal, se não recebesse o dinheiro para o muro, como o "shutdown de Trump".

"Você disse 'Trump'?", disparou ele. "Eu ia chamar de 'shutdown da Pelosi'", completou.

Ambos os lados apontaram áreas onde poderia ser possível se chegar a um acordo, como modernização da infraestrutura e redução dos preços dos remédios com prescrição médica, por exemplo.

"Ocasionalmente, eles poderão se unir e vão fazer isso para promover uma proposta de compromisso", disse o cientista político Larry Sabato, da Universidade da Virgínia.

"Mas isso será relativamente raro", afirmou. "Trump não pode ser visto se dobrando à vontade de Pelosi", explicou.

"E Pelosi vai gerar uma revolta nas fileiras da Câmara, se ceder para Trump", afirmou. "Os democratas foram eleitos para controlar Trump e frustrar seus objetivos, ponto".

Pelosi já foi presidente da Câmara com um republicano na Casa Branca - George W. Bush - e é a primeira mulher a ocupar esse cargo.

Mas o 45º presidente dos EUA é muito diferente do 43°, e Pelosi, que fala com admiração dos Bush, resiste a compará-los.

"Quando você está negociando com alguém, tem que partir de bases sólidas, de algum fato", disse ela à rede NBC. "É difícil fazer isso com o presidente (Trump), porque não respeita a ciência, a prova, a verdade", alegou Pelosi.

E como Trump reagirá, ao ser forçado a negociar com uma mulher forte?

"Não sei se sabe como trabalhar com mulheres no poder e com mulheres fortes", disse Pelosi. "Logo veremos".

"Esperemos o melhor nesse sentido, porque é um novo dia para muitas pessoas no Congresso e em Washington. E no país inteiro", acrescentou.


AFP

EMGE

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