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Religião

08/01/2019 | domtotal.com

Retrospectiva: Os nove melhores filmes de 2018

Um dos filmes da retrospectiva é uma parábola desconcertante de crença, autópsia contundente da fé perdida e, de maneira indisciplinada, o filme mais espiritual do ano.

No sentido horário a partir do canto superior esquerdo:
No sentido horário a partir do canto superior esquerdo: "A Favorita", "A Morte de Stalin", "Primeiro Reformado" e "Roma" (Divulgação/ America Magazine)

Por John Anderson*

Segundo a maioria das pessoas, 2018 foi um dos melhores anos de filmes de todos os tempos. Um colega estimado foi convidado a tornar seu top 10 dos melhores filmes em um top 20 - e é difícil argumentar, especialmente quando a sua própria lista não inclui “Black Panther”, “Puzzle”, “Isle of Dogs”, “You Were Never Really Here”, “The Sisters Brothers”, “Sorry to Bother You”,“A Star is Born”, “Eighth Grade”, “RBG”, “Dark Money”, “If Beale Street Could Talk”, “Blindspotting” “A Quiet Place,” “Can You Ever Forgive Me?”, “Won’t You Be My Neighbor?” e “Pope Francis: A Man of His Word”. (Por favor: Acompanhe todos esses filmes).

Mas como todos os anos, aqui oferecemos um Top 9, por várias razões. Uma das razões é que nada concentra a mente como um prazo e a tarefa de transformar o número de filmes de um ano em um jogo de baseball. Poderiam ser um top 11 e teríamos um jogo de futebol. Em segundo lugar, essas listas são totalmente subjetivas - por que nove? Por que 10? Por que o "Homem Aranha: No Aranhaverso" não está na lista abaixo? Em parte, porque o tema que surgiu foi que os melhores filmes eram sobre a família. Então, por que não está "Incríveis 2" na lista? Bem, em parte porque a mensagem do diretor Brad Bird é algo que eu, pessoalmente, prefiro deixar fora.

E três, porque a ideia de "melhor" nas listas mudou na Era do Clickbait (caça-clique). Muitos deles, publicados por lojas legítimas ou não, têm a intenção de criar conversas on-line. A ética que governa muitas vezes parece ser: "Vamos deixar fora [preencha com o filme, o artista, o álbum e um romance muito elogiado] e vejamos se podemos criar uma tormenta de tweets", ou até a ética de fazer as coisas virais na Internet. Isso é o que coloca os filmes nos olhos das pessoas, ou os resumos dos críticos, que olham para o que seus colegas escolheram e indicaram. Por outro lado, seja para dar atenção digna aos filmes, seja porque os críticos de cinema são, espontaneamente, um grupo perverso de indivíduos. Ou eles querem reconhecer certos filmes e, assim, influenciar a premiação anual, que é toda uma outra rede corrupta de peixes.

Dito isso, muito do que se segue pode ser previsível, especialmente para o leitor que está mapeando a maré metacrítica. E não deveria ser de outra forma:

Roma” Visualmente majestoso, emocionalmente dilacerante, o épico, doméstico e suavemente devastador filme do diretor (e escritor e diretor de fotografia) Alfonso Cuarón é ostensivamente sobre uma família, vivendo uma existência confortavelmente burguesa na Cidade do México durante as “guerras sujas” de seu país no início dos anos 70. O coração da história, no entanto, é Cleo Gutiérrez (Yalitza Aparicio), que Cuarón disse que esse personagem é baseado na mulher que o criou. Cleo é uma empregada doméstica, uma faxineira, babá para os quatro filhos de um casal em processo de desintegração - mas ela é um membro da família? Quase ninguém mencionou Aparicio como candidato ao prêmio de melhor atriz nesta temporada, mas essa é uma prova de sua atuação como mulher marginalizada, e a intenção de Cuarón de criar um retrato naturalista de uma vida negligenciada (embora com poucos adornos mágicos). "Roma" é também um filme sobre o cinema, à sua maneira, e arrasa o argumento de que o cinema pode ser substituído pelo grande da TV por assinatura, Netflix.

"Shoplifters". Vencedor da Palme d'Or em Cannes no ano passado, "Assunto de Família", foi dirigida pelo grande diretor humanista japonês Hirokazu Kore-eda, descrito como sendo sobre uma "família do crime", embora os crimes dificilmente sejam nada parecidos aos de Don Corleone. E o que o filme realmente propõe é o amor. Na cabana de um invasor nas margens de Tóquio, uma família improvisada consegue manter uma existência no meio às dificuldades. O "pai", Osamu (Lily Franky), um trabalhador da construção civil mal pagado, e Shota (Jyo Kairi), um jovem rapaz de paternidade incerta, operam seu próprio sistema efetivo de roubo para a subsistência. A esposa de Osamu, Nobuyo (Andô Sakura), trabalha em uma lavanderia; a Vovó (a falecida Kiki Kirin) recebe cheques de apoio gentilmente extorquindo o dinheiro dos filhos de seu ex-marido; e Aki (Mayu Matsuoka) trabalha em uma espécie de escritório japonês. Então, em uma noite, Osamu pega uma garota de 4 anos abusada chamada Yuri (Miyu Sasaki), que ficou de fora no frio, e Yuri se junta a sua verdadeira família - um sentimento de afeição e respeito mútuos surge entre eles. Um filme agridoce de grande ternura e caridade, “Assunto de Família” pode fazer um ótimo filme, porque sua mensagem é profundamente cristã.

Support the Girls”. Em um restaurante no estilo Hooters ao lado de uma rodovia suburbana do Texas, Lisa (Regina Hall) é gerente, diretora de missões e mãe das lindas, mas muitas vezes sem noção, garotas que compõem sua equipe e que infligem mais disfunção em sua vida já complicada. A atuação de Hall é um tour de force, e o elenco de apoio - Haley Lu Richardson como Maci, a implacavelmente otimista, Dylan Gelula como a Jennelle, a garota muito esperta, a rapper Shayna McHayle como a escultural Danyelle - são absolutamente ótimos. A mensagem da característica altamente divertida de Andrew Bujalski é em grande parte sobre famílias improvisadas – sobre os lugares onde as encontramos e como funcionam. Mas também é sobre os compromissos que as mulheres fazem, quase inconscientemente, apenas para passar o dia. Isso e as micro agressões que sofrem pelas mãos de um sexo oposto cujos membros são completamente alheios. “Support the Girls” é ostensivamente uma comédia, mas seus momentos finais são impressionantes, impondo uma nota de tragédia existencial.

"A Morte de Stalin". Nas páginas da revista America, o filme foi chamado de "uma mistura musical dos irmãos Marx e Alexandre Solzhenitsyn" (por mim). "A Morte de Stalin" está entre as mais sombrias e engraçadas comédias e é simplesmente a mais horripilante: na esteira de Stalin, seus herdeiros presumíveis - uma "família" política que inclui Nikita Khrushchev (Steve Buscemi) e Georgy Malenkov (Jeffrey Tambor) e Vyacheslav Molotov (Michael Palin) - entram em brigas tentando descobrir como se superar uns aos outros enquanto ficam fora do caminho do pelotão de fuzilamento. Armando Iannucci (diretor do filme "In the Loop" 2009) fez um filme muito divertido, mas também um filme que deixa um frio na barriga.

The Favorite”. A Rainha Ana (a grande Olivia Colman) é uma escrava de sua confidente Lady Sarah, a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz), junto a isso temos Abigail Hill (Emma Stone), falida, mas nascida nobre, que se faz seu caminho para o coração da soberana infeliz. Enquanto está sendo comercializado como uma comédia maluca, "The Favorite" é realmente um filme de arte, com um senso de humor obsceno e três grandes performances.

Nancy”. Andrea Riseborough (que também está em “A morte de Stalin”) é uma das melhores jovens atrizes nas telas e em “Nancy” - a estreia da diretora Christina Choe - que coloca a vida em xeque quando Nancy, a quem sabemos de uma fonte não confiável, vê um relatório sobre um caso de uma menina desaparecida de 30 anos e decide que ela é a garota desaparecida. O relacionamento dela - ou a traição - dos pais ainda angustiados (Steve Buscemi, J. Smith-Cameron) fazem o espetador ficar entre o terrível e o desolador. E a atuação de Riseborough é simplesmente maravilhosa.

First Man”. O espaço profundo do filme “O Primeiro Homem” está entre Neil Armstrong (Ryan Gosling) e sua esposa (Claire Foy), seus filhos e a humanidade em geral, neste retrato memorável do primeiro homem na lua de Damien Chazelle. (que também dirigiu “La La Land”). Apesar da frieza de Armstrong, é um filme incrivelmente íntimo.

Guerra Fria”. O diretor Pawel Pawlikowski, que nos deu o filme “Ida” (2013), ganhador do Oscar de 2014 (sobre a epifania de uma jovem freira), acompanha um casal polonês através de várias décadas de amor tórrido e dominação soviética. Metáforas? Sim, mas também um romance absorvente, com performances de primeira qualidade e gloriosa fotografia em preto e branco.

No coração da escuridão”. Paul Schrader, quem faz o papel de um sacerdote em uma encruzilhada (interpretado por Ethan Hawke que pode estar a caminho de um Oscar) é uma parábola desconcertante de crença, uma autópsia contundente da fé perdida e, de maneira indisciplinada, talvez o filme mais espiritual do ano.


America Magazine - Tradução: Ramón Lara

*John Anderson é crítico de televisão do The Wall Street Journal e colaborador do The New York Times.

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