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11/01/2019 | domtotal.com

Os tambores de Minas soarão!

Malbaratar, menosprezar, secundarizar, apartar a Cultura do coração das políticas públicas é desacerto que será ecoado.

Retrocesso, recuo, refluxo, trinômio prenunciador de longa e difícil temporada.
Retrocesso, recuo, refluxo, trinômio prenunciador de longa e difícil temporada. (Pixabay)

Por Eleonora Santa Rosa*

Melancólico início de ano para a cultura, em Minas sobretudo. Fechada está a maior parte dos equipamentos, risco iminente de desaparecimento correm a Rádio Inconfidência e a Rede Minas, patrimônio de todos.  Colapso instalado e caos espraiado pelos museus e centros culturais, instituições diversas paralisadas, interrompidas, fechadas, prejudicadas pelo radicalismo de medidas genéricas, mistificadoras, equivocadas, com alto potencial de implosão do frágil aparato da cultura no Estado, alheias ao contexto, à história, aos compromissos assumidos, aos prejuízos irreversíveis em marcha.

Retrocesso, recuo, refluxo, trinômio prenunciador de longa e difícil temporada, sinalizando os tempos bicudos, as práticas do silêncio obsequioso, da omissão dirigida, da cooptação premente, das extinções e exonerações desvairadas, do receio da manifestação e exposição pessoal, da censura e da autocensura.

Tragédia certa atingindo, indiscriminadamente, os mais variados segmentos do setor, cujas consequências serão sentidas por décadas. Desconsideração e incompreensão quanto ao esforço e luta pela criação do pouco que se tem, quanto ao trabalho de muitos durante muitos anos para a estruturação do que existe, situação agravada pela obtusa mentalidade que não considera sequer as atribuições constitucionais governamentais.

Lição de casa de quem agora se empossa e se apossa, pro-tempore, da mais alta administração da terra natal dos inconfidentes: pátria e patrimônio têm a mesma raiz semântica! O legado que aqui está é fundamental para a compreensão e manutenção dos pilares basilares da cultura brasileira, da nossa identidade como povo e país! Cultura é elemento estratégico, necessário e singular em QUALQUER processo de desenvolvimento e de geração e distribuição de riqueza simbólica e/ou material, de permanência, de coerência, de diferenciação, de unidade, de civilização.

Malbaratar, menosprezar, secundarizar, apartar a Cultura do coração das políticas públicas é desacerto que será ecoado, lembrado e gravado nos anais da História. História, esta senhora implacável, incômoda e resistente, que lembrará, a cada um, a todos, por tempos a fio, o que foi dizimado, perdido, destruído, desparecido, e por quem. História, dama implacável, que registra, sempre, a face dos algozes, dos perseguidores, daqueles que a obscurecem, assim como a dos sábios, dos tolerantes, dos pacificadores, dos construtores, daqueles que a engrandecem, como os artistas, como Milton, por exemplo, e seu canto de força:

“Bate forte até sangrar a mão

E batendo pelos que se foram

Ou batendo pelos que voltaram

Os tambores de Minas soarão

Seus tambores nunca se calaram...”

*Eleonora Santa Rosa - Ex-Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais.

EMGE

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