Brasil Política

11/01/2019 | domtotal.com

Demissão de presidente da Apex por chanceler abre crise no governo Bolsonaro

Alex Carreiro, que foi assessor do PSL na Câmara, teria sido uma indicação dos filhos de Bolsonaro, mas causou crise ao demitir 17, inclusive funcionários com mais de 10 anos de casa.

Embaixador Mário Vilalva (E), indicado pelo chanceler Ernesto Araújo será o novo presidente da Apex.
Embaixador Mário Vilalva (E), indicado pelo chanceler Ernesto Araújo será o novo presidente da Apex. (MRE/Divulgação)

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA - A demissão repentina do presidente da Apex, Alex Carreiro, transformou-se em mais uma crise do governo de Jair Bolsonaro, com a recusa de deixar o cargo e um mal-estar entre o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o Palácio do Planalto.

Após Carreiro trabalhar normalmente na Agência Brasileira de Promoção de Exportações nesta quinta-feira, o Planalto confirmou à noite o nome de seu substituto.

"O Planalto confirma o embaixador Mário Vilalva como novo presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex)", respondeu a assessoria do Planalto a um questionamento da Reuters sobre a demissão de Carreiro.

Os relatos feitos à Reuters por pessoas que acompanharam a crise apontavam para um impasse criado pela decisão de Carreiro de recusar a demissão. O presidente da Apex teve sua demissão anunciada pelo chanceler Araújo no Twitter, ainda com a indicação do embaixador Vilalva para substituí-lo.

Carreiro chegou a ir ao Planalto na manhã desta quinta-feira tentar um encontro com o presidente, mas não foi recebido. O presidente da Apex pretendia apelar a Bolsonaro por sua permanência no cargo.

Quem foi recebido por Bolsonaro, segundo tuíte do próprio presidente já à noite, foi Vilalva.

"Recebi hoje o embaixador Mário Vilalva, indicado pelo chanceler Ernesto Araújo para o cargo de Presidente da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Boa noite a todos", disse Bolsonaro.

DIA NORMAL

Segundo relatos ouvidos pela Reuters, Carreiro foi trabalhar normalmente e teria dito a pessoas que estiveram com ele que só poderia ser demitido por Bolsonaro. Na verdade, fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o chanceler, como presidente do Conselho da Apex, poderia sim demitir Carrreiro, apesar de a demissão ter que ser assinada pelo presidente.

No Planalto, o desconforto seria causado pelo fato de Araújo não ter avisado previamente Bolsonaro de que iria demitir Carreiro. O presidente da Apex, que foi assessor do PSL na Câmara, teria sido uma indicação dos filhos de Bolsonaro.

Já no Itamaraty, a reação de Carreiro causou apreensão no gabinete. De acordo com uma das fontes ouvidas, havia o temor de que o próprio Araújo perdesse o cargo no embate com o então presidente da Apex por estar sendo responsabilizado por mais um bate-cabeça no governo.

A assessoria da Apex chegou a informar que "o presidente Alex Carreiro, nomeado para o cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu expediente normal na agência nesta quinta-feira, tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado".

Araújo creditou, em sua conta no Twitter, o afastamento de Carreiro a um pedido do próprio. Fontes confirmam, no entanto, que Carreiro não aceitou pedir demissão, e Araújo o comunicou que teria de sair mesmo assim, forçando o anúncio pelas redes sociais.

O estopim da crise teria sido a decisão de Carreiro de demitir 17 pessoas em sua chegada e estar planejando o afastamento de mais 19, inclusive funcionários com mais de 10 anos de casa. As reclamações chegaram aos gabinetes do Palácio do Planalto e Araújo teria sido cobrado pela crise na Apex.

De acordo com uma fonte, a empresária Letícia Castellari, indicada para a diretoria de Negócios da agência, teve uma briga pública com Carreiro ao assumir o cargo e descobrir que boa parte dos servidores da sua diretoria tinha sido demitida.

Afastada do PSL durante a campanha por ter se indisposto com dirigentes do partido, Castellari se aproximou de Araújo durante a transição e se tornou um dos braços direitos do chanceler.


Reuters

EMGE

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