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15/01/2019 | domtotal.com

Quanto vale a saúde de um paciente?

Até o momento não existe ainda uma solução para o problema que afeta a vida de alguns poucos pacientes.

Ai, eu me pergunto: quanto vale realmente a saúde de um paciente?
Ai, eu me pergunto: quanto vale realmente a saúde de um paciente? (Pixabay)

Por Lev Chaim*

De acordo com um artigo do jornal holandês Trouw, os planos de saúde holandeses se recusam a pagar um remédio para uma forma rara de câncer, por causa do preço ter sido aumentado pela farmacêutica suíça Novartis em quase 6 vezes mais o valor inicial. A droga havia sido desenvolvida pelo hospital Erasmus de Roterdã no final do século passado, com o custo de 4 mil euros para cada infusão. Depois que a farmacêutica comprou a fórmula do hospital holandês e  adquiriu o monopólio registrando a patente, o preço da infusão subiu para 23 mil euros. 

Esta disputa já dura meses, segundo a revista holandesa para remédios Het Nederlands Tijdschrift voor Geneeskunde, em uma de suas edições da semana passada. Até o momento não existe ainda uma solução para o problema que afeta a vida de alguns poucos pacientes, ou seja: menos de cinco pessoas de um total de 10 mil europeus. Devido ao pouco interesse dos fabricantes de trabalharem com remédios especiais e para poucos pacientes, foram elaboradas certas regras para se descontar no imposto de renda os gastos feitos nas pesquisas desses remédios, além da exclusividade de mercado por 10 anos. Porém, neste caso, segundo a imprensa holandesa, a farmacêutica em questão não necessitou investir na pesquisa pois comprou a fórmula do remédio já elaborada pelo hospital holandês.

Devido a esse impasse com relação ao preço do medicamento, o hospital decidiu trilhar outro caminho, segundo ainda o jornal Trouw: iria fabricar novamente o remédio para os pacientes que estavam ali internados. Mas, segundo a reportagem do jornal, esta opção foi cortada pela tal empresa farmacêutica, quando ela comprou o único fabricante do mundo que vendia a matéria prima necessária para se fabricar o remédio. E isso, de acordo com muitos oncologistas holandeses, para que o hospital se sinta obrigado a comprar o remédio pelo preço quase seis vezes mais caro do que o original, de quando o próprio hospital o fabricava.

Para o presidente do Conselho hospitalar Erasmus, Ernst Kuipers, em entrevista dada à revista holandesa para remédios,  esta situação de aumento exagerado dos preços dos remédios se deve única e exclusivamente às farmacêuticas que não se sensibilizam com a necessidade de se discutir sobre os preços desses remédios caros, mas que podem salvar algumas vidas. Para o ministro da pasta de medicamentos, Bruno Bruins, este aumento de preço dos remédios raros é um exemplo de como as coisas não deveriam ser feitas.

A própria farmacêutica em questão não quis se pronunciar sobre o caso, mas antes da bomba estourar publicamente, ela já havia soltado uma nota em que dizia que o aumento do preço dos medicamentos é uma consequência direta das exigências de segurança para a produção industrial de medicamentos. Ai, eu me pergunto: quanto vale realmente a saúde de um paciente?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras para o Domtotal.

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