Brasil Cidades

17/01/2019 | domtotal.com

Só uma letra difere rombo de roubo

Quem pagará aos aposentados, que afinal já capitalizaram a vida inteira de trabalho, deixando uma parte dos seus ganhos na mão grande do governo?

O Fator Previdenciário representa, assim, a disseminação da pobreza.
O Fator Previdenciário representa, assim, a disseminação da pobreza. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

Não entendo patavina de Economia, seja a ciência universal em caixa alta, seja a economia particular do dia a dia – esta, no meu caso, em caixa baixa o tempo todo. Diria mesmo que sou absolutamente antieconômico, porque gasto sempre mais do que recebo. Certamente porque o que recebo não dê mesmo pro gasto.

Na minha completa ignorância sobre o momentoso assunto, acho estranha essa ideia do ministro da Fazenda de fazer uma reforma da Previdência implantando a tal aposentadoria por capitalização. Pelo que entendo, significa que cada trabalhador fará sua própria economia para se aposentar. Deixa um percentual do seu salário numa conta bancária, e quando parar de trabalhar, aposenta-se com o dinheiro que economizou.

Parece simples, mas aí vai a minha pergunta, que parece patética: quem pagará aos aposentados, que afinal já capitalizaram a vida inteira de trabalho, deixando uma parte dos seus ganhos na mão grande do governo?

Na verdade, uma cruel reforma da Previdência já foi feita pelo não menos cruel presidente FHC, o segundo e lamentável Fernando da história da República. Ele criou o Fator Previdenciário, uma tremenda sacanagem com os aposentados. Antes, o trabalhador se aposentava com vencimento proporcional ao que havia contribuído durante o mínimo de 35 anos. Quem tivesse contribuído com o máximo, que era de 10 salários mínimos, aposentava-se com 10 salários. Nada mais justo.

O malfadado fator, aprovado por um Congresso sempre manipulável e preso pelo cabresto da safadeza e da subserviência, aprovou a maldade, que consistia em reajustes inferiores à inflação e aos percentuais calculados para o salário mínimo. Resultado: o benefício passou a se reduzir inexoravelmente a cada ano. Quem ganhava 10 salários na época, recebe hoje dois. O objetivo da maldade era fazer com que todo mundo viesse um dia a receber apenas um salário mínimo, independentemente do tanto que contribuíra por todo o tempo quando trabalhava.

O Fator Previdenciário representa, assim, a disseminação da pobreza.

A este leigo no assunto, e acho que a todos os leigos do País, tudo indica que o rombo na Previdência tem uma letra trocada: não é rombo, é roubo. A razão é a má administração dos recursos públicos e à roubalheira despudorada que vigorou durante muitos anos nos palácios da nossa pobre República. Se no passado a Previdência funcionava bem, pagando ao aposentado o que era de direito, correspondendo proporcionalmente às suas contribuições, por que isso não mais acontece?

Resposta: porque arrombaram e limparam os cofres da Nação.

O que precisa de reforma, urgente e prioritariamente, penso cá com meus carcomidos botões e minhas parcas economias, o que precisa de reforma é a moralidade pública.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas