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18/01/2019 | domtotal.com

Um nó na língua

A Today Translations – só de curtição – listou as 10 palavras/expressões mais difíceis de se traduzir entre todos os idiomas.

Algumas palavras fazem tradutores velhos-de-guerra coçarem as carecas e perderem o sono.
Algumas palavras fazem tradutores velhos-de-guerra coçarem as carecas e perderem o sono. (Pixabay)

Por Fernando Fabbrini*

Um amigo enviou-me esta semana a divertida pesquisa realizada em 2004 pela Today Translations. Esta organização – talvez a maior delas na área – reúne cerca de 3.000 linguistas versados em mais de 200 idiomas, intermediando transações do mundo oficial e empresarial, traduzindo documentos, acordos entre nações, coisas sérias assim. Com essa experiência, a TT – só de curtição – listou as 10 palavras/expressões mais difíceis de se traduzir entre todos os idiomas; aquelas que fazem tradutores velhos-de-guerra coçarem as carecas e perderem o sono. Algumas são ótimas.

Sabemos que os japoneses são cerimoniosos e formais, mas a palavra “arigata-meiwaku” excede todos os parâmetros. Ela é empregada para nomear uma situação um tanto complicada, vejamos: alguém fez por você algo que não queria ter feito; que tentou evitar ao máximo. Sem saída, acabou fazendo. Você tomou conhecimento do fato. Daí, ficou na dívida de retribuir tal favor e, por convenção social, deve agradecer a esse alguém pela gentileza que o referido não queria ter feito. Fácil, né?

“Bakku-shan”, também do japonês, avisa que uma garota é linda, mas só quando vista de frente, tadinha. Outra boa de lá é “yoko meshi” significando comida que se come pelos dois lados e, em sentido figurado, à insegurança de se comunicar numa língua estrangeira.  

Nossos queridos irmãos lusitanos têm a fórmula para solucionar problemas rapidamente sem mais delongas: é o “desenrascanço”. Na lista da Today Translations aparece, gloriosa, a nossa imbatível e intraduzível “saudade”, aquele troço esquisito que levamos no coração para sempre.

Como o amor é singular e cada qual tem as suas doidices, os noruegueses conceberam “forelsket”, tentando definir a euforia causada pelo primeiro amor. Aproveite-a bem: não vale para o segundo nem para os subsequentes. Do dialeto Yaghan, falado numa região da Patagônia, saiu “mamihlapinatapai”. Ah! Você, com certeza, já trocou olhares cheios de desejo e apetite com outra pessoa lhe dando bola na festa ou no barzinho. É isso: uma palavra imensa equivalente ao nosso “é hoje!”. Porém se o romance embalar e ela (ou ele) ficarem muito agarradinhos, melosos, chamando-se um ao outro de “tchutchuco” em público, existe uma palavra em dialeto malaio para este exagero: “manja”.

“Tingo”, no idioma da Ilha de Páscoa, significa tomar emprestados objetos da casa do vizinho, um a um, até não sobrar mais nada. Se seu vizinho tem esta mania, busque no Congo o termo africano “ilunga” e sapeque-o sem dó na cara do folgado. A palavra informa que você é capaz de perdoar um abuso ou ofensa pela primeira vez, de tolerá-lo uma segunda vez, mas nunca uma terceira.

“Sgriob”, em gaélico, é aquela coceirinha que dá nos lábios após um gole de uísque. Acho que bebida e aprendizado de idiomas combinam muito bem. Já vi num pub londrino um gráfico mostrando a progressiva desenvoltura e aptidão do indivíduo para línguas estrangeiras em relação ao número de copos esvaziados. Quanto mais copos vazios, mais poliglotas na mesa. Certamente foi isso que inspirou os criadores de uma postagem que vi por aí: “The vinho triplica la capacitè di parlare other languajes”. Concordo: I know questo muy bien.

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O TEMPO.

EMGE

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