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24/01/2019 | domtotal.com

Novela das sete... bobagens

Fui vendo, fui vendo, e numa sequência inevitável, fui me aborrecendo, me aborrecendo e por fim me irritando.

O Tempo não Para é o nome do desastre.
O Tempo não Para é o nome do desastre. (João Miguel Júnior/TV Globo/Divulgação)

Por Afonso Barroso*

Tinha visto, na minha carreira de telespectador, umas duas ou três novelas, se tanto. Gostei muito de O Rei do Gado, me encantei depois com a fantasia de Pedacinho de Chão e me decepcionei com Império. Foi quando decidi não ver mais nenhuma.

Eis, porém, que achei interessante a ideia de uma novela cujo enredo consistia em trazer para o século XXI uma família que se congelou após naufrágio há mais de cem anos. Foi resgatada de um iceberg no litoral paulista, mantida durante algum tempo em tubos de nitrogênio numa clínica de criogenia, depois “ressuscitada” e solta no mundo de hoje.

Atraído pela trama e curioso pra ver no que ia dar, resolvi assistir à novela das sete. Fui vendo, fui vendo, e numa sequência inevitável, fui me aborrecendo, me aborrecendo e por fim me irritando, profundamente arrependido de ter suportado uma torrente de bobagens até os capítulos finais.

Bem sei que novela aceita tudo, mas essa aceitou além da conta. O autor fez uma salada – ou melhor, um mexidão - de personagens inviáveis, quando não ridículos mesmo, com muitas sequências cansativas, humor sem graça, diversos absurdos religiosos e jurídicos, pregação idiota contra o racismo, cenas mal conduzidas e não raro mal interpretadas, um punhado de besteiras que iam sendo adicionadas à panela da trama como numa sopa de pedras.

Cheguei a ficar com pena do ator Edson Celulari, pelo ridículo do personagem que interpreta, no papel de chefe da família sobrevivente. Se no século XIX ele era um rico e próspero fazendeiro, amigo da Corte, tornou-se, depois de acordar do sono centenário, o bobo da corte. Sujeito absolutamente ingênuo, facilmente manipulável, bobão mesmo. Uma pena, quase uma maldade, o que fizeram com esse bom ator no desenrolar da novela.

É também uma lástima a personagem da atriz Christiane Torloni, reconhecidamente talentosa, mas obrigada a desempenhar um papel caricato, histriônico, para o qual teve de se desdobrar em poses, caras e bocas e gestos exagerados, naturalmente por exigência da direção. Fez o que pôde a pobre senhora, mas seria melhor que não pudesse. O mesmo se diga da atriz Rosi Campos no papel da matrona beata que mantém intocadas as convicções religiosas do século em que viveu e se casou.

Vários outros atores, alguns deles de certa notoriedade e algum talento, foram submetidos ao incômodo de encarnar personagens sem eira nem beira. É o caso da veterana Eva Wilma. Salva-se, entre congelados e feridos, o ator Milton Gonçalves, este sempre impecável, à prova da insanidade de certos teledramaturgos.

O Tempo não Para é o nome do desastre. Devia chamar-se O Tempo não Passa. Passou, felizmente.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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