Mundo

05/02/2019 | domtotal.com

Uma das sete profetizas de Israel

A igreja inteira bebia as palavras de Frans Willem. E ele continuou.

'Esta é a monumental igreja protestante de Heusden, Catharijne-kerk, Holanda.'
'Esta é a monumental igreja protestante de Heusden, Catharijne-kerk, Holanda.' (Lev Chaim)

Por Lev Chaim*

Quem se encontra pela primeira vez com Frans Willem Verbaas não avalia o tamanho de seu coração bondoso e ecumênico. Ele é pastor protestante da igreja Catharijne-kerk de Heusden, na Holanda, que fica a cinquenta passos da minha casa. Nada a ver com a ortodoxia dos pastores do Cinturão Bíblico da Holanda, na qual a rigidez da interpretação das palavras do livro sagrado mais destrói do que une as pessoas. Franz é grande e todos são benvindos à sua igreja, independentemente de religião, preferência sexual, nacionalidade, entre outras coisas. Ele é magnânimo e acha que a religião tem que unir as pessoas e não provocar separação e desentendimentos. Radicalismo em nome da religião não tem vez com esse pastor.  

Num desses domingos fui ao serviço protestante dessa igreja monumental e sentei-me bem à frente, ao lado da esposa de Franz Willem, Marianne. Ela também é cheia de luz e sabedoria. Era um serviço importante para aquela paróquia já que novo dirigente da direção da igreja seria empossado e eles estariam se despedindo do antigo. O que me prendeu mesmo a atenção foi a homilia de Frans Willem naquele domingo, em que ele narrou a história da Bíblia conhecida de muitos de nós: a história lindíssima de Esther, considerada uma das sete profetizas do povo judeu.

Para os que não sabem ou não se recordam, vamos lá!

Frans começou a contar a história: “Esther era órfã e foi adotada como filha pelo seu tio Mordechai. Eles moravam asilados na capital da Pérsia, Shushan. Mordechai era um judeu da tribo de Benjamim. Esther, na verdade, se chamava Hadassa. Ela passou para a história como Esther (‘ escondida’), porque não podia revelar que era judia. O rei persa da época chamava-se Assuero e era casado com a rainha Vashti, de uma legendária beleza, originária da Caldéia, que ele dizia admirar muitíssimo. Em uma das muitas festas no palácio, querendo exibir a esposa aos convidados, Assuero exigiu que a esposa se apresentasse aos convidados, usando apenas o diadema de rainha. Vashti se recusou e o rei mandou executá-la.

A igreja inteira bebia as palavras de Frans Willem. E ele continuou.

“Ai então, os ministros da corte enviaram emissários a todos os cantos do país para que trouxessem as mulheres mais belas para o rei escolher uma nova rainha. Entre as que foram trazidas à força, estava Hadassa, aliás, Esther, ‘a escondida’. Quando chegaram ao palácio, elas receberam tratamentos de beleza e presentes antes de se apresentarem ao rei. Esther recusou todos os adornos e foi simplesmente com a sua beleza natural. O rei se encantou e se casou com ela”.  

E ele prosseguiu: “Em um determinado momento, quando o primeiro-ministro do rei, Haman, descendente do povo Amalek, arqui-inimigo do povo judeu, resolveu assassinar todos os judeus da Pérsia, para se proteger de um dia ter descumprido uma antiga promessa sua feita a Mordechai, Esther revela ao rei ser judia e salva o seu tio e o seu povo da morte certa.”

 A reflexão final de Frans Willem foi a seguinte:  “Ainda hoje, quantas mulheres como Esther ou Washti não existem, obrigadas a esconder a sua própria identidade ou obedecer a homens fracos?”

Grande Frans Willem! 

Isso tudo me remeteu ao Brasil de hoje. Como é possível nos depararmos com essas críticas, charges destrutivas e outros comentários deletérios de jornalistas à iniciativa de Israel de enviar ao Brasil uma grande equipe e instrumentos para ajudar na busca dos corpos soterrados do desastre de Brumadinho? Como disse alguém pela rede social, os antissemitas estão novamente “colocando as manguinhas de fora”, como se não tivessem aprendido nada com a história. Creio que minha indignação justifica o meu lirismo para com este pastor protestante, ser humano de primeira grandeza.

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas