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09/02/2019 | domtotal.com

Estudo destaca eficiência do cigarros eletrônicos para deixar de fumar

Os dispositivos eletrônicos "foram quase duas vezes mais eficazes que a combinação de produtos de substituição de nicotina".

Nos Estados Unidos, o uso de cigarros eletrônicos aumentou 78% entre os estudantes de ensino médio em 2017-2018.
Nos Estados Unidos, o uso de cigarros eletrônicos aumentou 78% entre os estudantes de ensino médio em 2017-2018. (AFP)

Os cigarros eletrônicos são duas vezes mais eficazes que os adesivos de nicotina ou chicletes para parar de fumar cigarros tradicionais, de acordo com um estudo britânico que envolveu quase 900 pessoas.

O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que 18% dos fumantes que usaram dispositivos a bateria conseguiram evitar os cigarros tradicionais durante um ano, em comparação com 9,9% dos que confiaram em terapias de substituição de nicotina para o mesmo objetivo.

"Este é o primeiro ensaio que prova a eficácia dos cigarros eletrônicos modernos para ajudar a parar de fumar", disse o autor principal, Peter Hajek, professor da Universidade Queen Mary de Londres.

Os dispositivos eletrônicos "foram quase duas vezes mais eficazes que a combinação de produtos de substituição de nicotina", acrescentou.

No entanto, os que passaram aos cigarros eletrônicos tinham muito mais probabilidades de continuar usando-os, o que indica que podem ter trocado uma fonte de fornecimento de nicotina por outra, sem superar seu vício.

O ensaio atribuiu aleatoriamente 886 pessoas que procuravam ajuda para parar de fumar na Grã-Bretanha para receberem por três meses um tratamento de substituição de nicotina de sua escolha - como adesivos, chicletes, aerossóis, inaladores ou uma mistura - ou um pacote de cigarros eletrônicos e uma ou duas garrafas de líquido com nicotina.

O grupo dos dispositivos eletrônicos foi encorajado a comprar suprimentos de seu gosto, como diferentes sabores de nicotina, que incluem frutas e menta.

Também lhes foi oferecido assessoramento psicológico e apoio comportamental uma vez por semana durante ao menos um mês.

Um ano depois, os pesquisadores descobriram que 80% dos usuários de cigarros eletrônicos que tinham conseguido se manter afastados dos cigarros tradicionais continuavam utilizando seu dispositivo a bateria.

No grupo de substituição de nicotina, apenas 9% dos que tinham parado de fumar continuavam usando adesivos, chicletes ou outros substitutos.

Por esse motivo, um editorial no New England Journal of Medicine pediu cautela.

"Embora os cigarros eletrônicos sejam 'mais seguros' que os cigarros tradicionais, não estão isentos de riscos", escreveram Belinda Borrelli e George O'Connor, professores da Universidade de Boston.

O fato de que o hábito de fumar cigarros eletrônicos tenha continuado entre seus usuários "levanta preocupações sobre as consequências para a saúde do uso prolongado" destes dispositivos, acrescentaram, e apontaram que "o vapor do cigarro eletrônico contém muitas toxinas", embora os níveis e seus efeitos geralmente sejam considerados mais baixos que os que vêm da fumaça do cigarro.

Resultados históricos

Outra preocupação é a popularidade destes dispositivos entre os jovens. Nos Estados Unidos, o uso de cigarros eletrônicos aumentou 78% entre os estudantes de ensino médio em 2017-2018, algo que o serviço federal de saúde descreveu como uma "epidemia".

"O uso em adultos pode expor os jovens não só ao vapor dos cigarros eletrônicos, mas também a modelos de comportamento viciante" e aumenta o risco de que consumam cigarros tradicionais algum dia, indicou o editorial.

A cada ano, cerca de 480.000 pessoas nos Estados Unidos e mais de 100.000 na Grã-Bretanha perdem a vida devido ao cigarro, que é a principal causa evitável de morte em ambos os países.

Segundo especialistas britânicos, as descobertas deste estudo podem mudar a forma como os provedores de atendimento médico falam sobre os cigarros eletrônicos, possivelmente levando mais deles a encorajar os fumantes a testarem seu uso como uma forma de parar de fumar cigarros tradicionais.

"Os serviços especializados para parar de fumar do Reino Unido agora terão mais probabilidades de incluir os cigarros eletrônicos entre suas opções de tratamento, e os profissionais da saúde se sentirão mais confortáveis ao recomendar os cigarros eletrônicos como uma intervenção para parar de fumar", disse a autora do estudo Dunja Przulj, da Universidade Queen Mary de Londres.

Martin Dockrell, líder de controle do tabaco no Public Health England, indicou que "esta pesquisa histórica mostra que mudar para um cigarro eletrônico pode ser uma das formas mais eficazes de parar de fumar, especialmente quando se combina com o apoio pessoal".


AFP

EMGE

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