Brasil Cidades

08/02/2019 | domtotal.com

O celular de seu filho

A tecnologia dos smartphones é realmente sedutora e hipnótica.

Grande parte dos jovens não se preocupa com a privacidade.
Grande parte dos jovens não se preocupa com a privacidade. (Pixabay)

Por Fernando Fabbrini*

O Dia da Internet Segura (Safer Internet Day), realizado na última terça-feira, dia 5/2, é uma iniciativa que se repete anualmente em 140 países. Ela tem como objetivo unir os diferentes protagonistas públicos e privados na promoção de atividades de conscientização em torno do uso seguro, ético e responsável da internet nas escolas, universidades, ONG's e na própria rede. O evento foi criado pela Insafe Network na Europa e busca mobilizar usuários e instituições em torno da data e estimular um uso livre e seguro da rede.  

Que a internet modificou quase tudo em nossas vidas já sabíamos. No entanto, dia após dia surgem novos dados – alguns alarmantes – do comportamento dos humanos frente à telinha do celular, sobretudo os mais jovens. Aproveitando o evento, o site italiano Skuola.net, junto com a Universidade La Sapienza de Roma e a Universidade de Florença realizaram uma ampla pesquisa sobre novos hábitos da geração digital. Separei para os leitores do DOM Total algumas revelações desse estudo.

Exemplo: em cada grupo de 10 adolescentes europeus e norte-americanos, 7 passaram a usar a internet com menos de 10 anos, e apenas 6% dos adolescentes desse universo ainda não navegam – parte por desinteresse, restrições familiares ou falta de acesso à rede. Creio que os brasileiros devem figurar no mesmo perfil, vale um estudo aqui.  

Oito jovens em cada 10 afirmaram que participam de um grupo familiar de WhatsApp envolvendo todos os membros da família (ou apenas o pai ou a mãe). Mas será que usam isso? Nem sempre: embora 44,2% utilizam-no com frequência para o contato com a família, 23% acham que “é uma forma de serem controlados pelos pais” e surpreendentes 26,5% declararam que preferem a comunicação telefônica vocal, ao contrário de teclar mensagens impessoais. (Faço parte desse grupo: detesto conversar teclando. Uso o meu WhatssApp só para recados curtos, necessários ou para compartilhar alguma mensagem divertida).

A tecnologia dos smartphones é realmente sedutora e hipnótica. Metade dos jovens pesquisados (50,4%) aceita tirar os olhos do celular quando conversam com a família – porém, jamais quando no meio da turma. Já o restante não acha nenhum absurdo manipularem o referido durante as refeições. Desses, 9,2% afirmam que olhadelas regulares no celular “ajudam a suportar o bate-papo muitas vezes desinteressante dos adultos”, o que é bastante perigoso.

Ora: os bate-papos dos adultos são preciosas oportunidades de socialização para as crianças e jovens da família, participando da vida da casa, desinibindo-se, aprendendo sobre os códigos de conduta, gentilezas, dificuldades e prazeres do convívio familiar. Nenhum dispositivo eletrônico é capaz de substituir o contato humano. E o uso exagerado por crianças conduz ao isolamento, à timidez, referenciando-se exclusivamente naquele mundo ilusório da telinha. Cabe aos adultos – pais, mães, tios, irmãos, professores – a tarefa de lembrar a elas que a vida que vale, aquela de verdade, aquela onde podemos agir, interagir e realizar é sempre off-line.   

Entre dezenas de conclusões, chamou-me a atenção uma em especial. Grande parte dos jovens não se preocupa com a privacidade; este aspecto aparece em último lugar nos seus enfoques. Assim, informações, fotografias e dados pessoais continuam circulando sem nenhum cuidado, expondo-os às pessoas mal-intencionadas que frequentam à rede em busca de incautos. Apenas 22,4% disseram que têm consciência dos riscos que correm e tomam suas precauções.

Resumindo: o mundo digital de seu filho está concorrendo pra valer com a educação que ele recebe em casa, com os valores, regras e até com o afeto que você dedica a ele. Fiquemos atentos, humanos. Ou será que já é tarde demais?

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O TEMPO.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas