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12/02/2019 | domtotal.com

Green Book - o guia!

O nome Green Book provém de um roteiro feito para executar concertos no sul dos Estados Unidos, por volta de 1962.

O filme foi baseado numa história real.
O filme foi baseado numa história real. (Divulgação / Green Book)

Por Lev Chaim*

Ontem à noite sonhei com a minha mãe! Lembrei-me de quando ela me contou que entrou ao acaso num cinema para assistir um filme e não havia lido nem ouvido nada sobre o mesmo. Mas ela o amou de paixão! Foi exatamente isso que ocorreu comigo há alguns dias, Green Book – o guia, filme do diretor Peter Farrelly. O nome Green Book provém de um roteiro feito para executar concertos no sul dos Estados Unidos, por volta de 1962, quando ainda vigorava um sistema racista e de apartheid, com hotéis onde afrodescendentes podiam se hospedar sem problemas. O filme foi baseado numa história real.

Se eu tivesse que dizer algo simples sobre o filme, diria: é uma linda história de uma amizade entre dois homens diferentes, totalmente diferentes, que aprenderam a se olhar nos olhos e dizer a verdade. Os dois homens são interpretados pelos atores Viggo Mortensen e Mahershala Ali. O primeiro é o personagem Tony Lip, ou melhor, Frank Anthony Vallelonga, que trabalhava como segurança num famoso cabaré noturno de Nova Yorque, ‘Copacabana’, frequentado por artistas como Frank Sinatra, Tonny Bennett e Bobby Darin. Tony, de origem italiana, sempre morou no Brooklin, em Nova Yorque, e era racista. O outro personagem é o talentosíssimo pianista clássico, que também tocava Jazz, homem fino e educado, com um certo tom pedante, afrodescendente, o Don Shirley.  

Tony Lip ficaria três meses sem trabalho porque o clube noturno ‘Copacabana’ iria ser reformado. Ele então pegou um emprego de chofer para o pianista Don Shirley, que iria dar vários concertos no sul do país, curioso em confrontar a situação dos afrodescendentes no local. Isto estava no fundo da mente do pianista, mas ele raramente tocava no assunto. Lip, o chofer, com o seu jeito largado de quem vai levando a vida, acabou se interessando em ouvir a história daquele pianista talentoso, que já havia tocado até mesmo na Casa Branca. Aos poucos, eles foram interagindo e se conhecendo melhor.  

Por várias vezes socorreu o amigo patrão e amigo Shirley em situações drásticas, tal como a vez em que ele entrou num bar para beber algo e era um local somente para brancos. Isto nos Estados Unidos, ainda em 1962. Cabe esclarecer que essa situação permaneceu assim, até que Bobby Kennedy, quando ministro da Justiça, baixou um decreto, juntamente com o seu irmão, o então presidente, John Kennedy, abolindo a segregação racial existente no sul do país. Houve também uma ocasião em que ele deu um concerto numa das mansões sulinas, em que todos os homens estavam trajando smoking e pareciam ser elegantes. No intervalo, o pianista pediu para ir ao banheiro e o dono lhe indicou um cabana de madeira fora da casa. O toilet de dentro era apenas para brancos. Para saber qual foi a reação de Shirley, recomendo que você, caro leitor, assista o filme.   

Tony Lip, antes racista, acabou se tornando um fã integral de Shirley, o pianista, e os dois se tornaram realmente amigos. Dois mundos diferentes que se intercederam pelo bem das ideias e pelo bom entendimento entre as pessoas. Green Book ganhou três globos de ouro e está indicado para 5 Oscars (de melhor ator para os dois personagens principais, de melhor cenário original, de melhor montagem e para o de melhor filme). Entrei no cinema sem saber o que iria assistir e sai lírico, com toda a simplicidade, humor e eficácia com que foi abordada a questão do preconceito racial. Tive sorte, como também teve a minha mãe.


*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal

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