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18/02/2019 | domtotal.com

A noite do baby doll

Quando inteligentes (elas e as cantadas), não apenas gostam como costumam até aderir prazerosamente.

Não há que confundir com assédio, porque são coisas bem diferentes.
Não há que confundir com assédio, porque são coisas bem diferentes. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*

Não sou, nunca fui galanteador inveterado como tantos rapazes do meu tempo, mas entendo um pouco do assunto e ouso dizer: é doce ilusão pensar que mulheres não gostam de cantadas. Não gostam, penso eu, é das cantadas desrespeitosas, idiotas, burras ou chulas. Quando inteligentes (elas e as cantadas), não apenas gostam como costumam até aderir prazerosamente.

Não há que confundir com assédio, porque são coisas bem diferentes. Aceite-se a boa cantada e repudie-se o assédio, eis o preceito da boa convivência entre os sexos. Se você não concorda com a minha tese, não faz mal que pare de ler esta crônica. Farei o possível para que a próxima seja menos polêmica e não deixe desconfortáveis minhas amantíssimas leitoras. Cronista é assim mesmo: às vezes não agrada, às vezes desagrada total e tragicamente.

Mas vamos ao ponto. Ou aos pontos. Começo com um exemplo de cantada inteligente que me foi relatado por um amigo, tempos atrás. Contou que certo ator de teatro, sujeito shakespeariano e muito espirituoso, foi levar uma colega de cena para casa, depois do espetáculo. Já passava da meia-noite. Como estava muito interessado nela, ficou imaginando uma cantada que não chocasse e pudesse dar bom resultado. De repente fala, sem olhar para ela enquanto dirige, atento à noite e ao trânsito: "Me diz uma coisa: o que você sugere que eu faça amanhã de manhã? Te telefono ou te cutuco?"

Não há que negar a criatividade e o bom gosto da cantada. Assim como não é difícil imaginar o que aconteceu nas horas seguintes.

São vários os estilos de cantadas inteligentes. Tem as divertidas, as poéticas, as românticas, as falsamente tímidas. É quase romântica esta que fez pensar a garota que um amigo meu paquerava, até então sem sucesso. Foi no dia em que disse a ela: "Olha, dizem que toda mulher bonita é mais bonita de manhãzinha, no momento exato em que acorda. Será que você me deixa comprovar isso amanhã, pessoalmente, bem do seu lado?"

Não sei se colou, assim como não sei se valeu um sorriso ou uma careta, mas que foi elegante, isso foi. Ou não?

Pode também ser inscrita nos anais das boas cantadas uma que me parece bem original, até porque arquitetada por um dos chamados “criativos” realmente criativo de uma agência de publicidade. Ele era a fim de uma garota do departamento de Mídia, mas toda vez que tentava uma aproximação ela se esquivava habilmente, sem dar chance ao azar. Ou ao prazer. Até que um dia, de tanto perscrutar a mente à procura de uma boa ideia, achou que uma lhe pareceu genial. Numa tardinha, já em fim de expediente, ele liga para o ramal dela: “Nora (chamemo-la de Nora), você gostaria de ir comigo a uma inauguração esta noite?” Ela responde: “Inauguração de quê?” E ele: “De um baby doll sensual, lindíssimo, que eu comprei pra você”. E desliga.

Passa-se uma meia hora e o telefone dele toca. É a Nora, que pergunta: “Tudo bem. Onde vai ser a inauguração?”.

Fonte fidedigna, embora não testemunha ocular, assegura que a noite foi boa.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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