Economia

20/02/2019 | domtotal.com

Desemprego entre jovens é maior que taxa geral da população paulistana

Entre 100 jovens paulistanos, 28 estão desempregados - considerando esse percentual, são 411.473 moradores da capital paulista na faixa de 16 a 24 anos que estão sem trabalho.

Pessoas observam ofertas de emprego na rua Barão de Itapetininga no centro de São Paulo.
Pessoas observam ofertas de emprego na rua Barão de Itapetininga no centro de São Paulo. (Nelson Almeida/ AFP)

Entre 100 jovens paulistanos, 28 estão desempregados – considerando esse percentual, são 411.473 moradores da capital paulista na faixa de 16 a 24 anos que estão sem trabalho. A taxa entre os jovens é superior à da população em geral – toda a população economicamente ativa – que corresponde a 15% no município, o equivalente a 1.469.545 pessoas desempregadas.

Para o coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge Abrahão, trata-se de "um fato muito grave", porque, se o jovem não consegue uma oportunidade de trabalho, o primeiro emprego, ele pode acabar "sendo capturado por áreas ilegais, segmentos ilegais, e depois é muito difícil (...) trazê-lo de novo para uma área do mercado tradicional de trabalho”.

Os dados são da pesquisa Trabalho e Renda, divulgados hoje (19) pela Rede Nossa São Paulo (RNSP) e pelo Ibope Inteligência. Para a pesquisa, foram entrevistados 800 moradores da cidade de São Paulo, de 16 anos ou mais, no período de 4 a 21 de dezembro do ano passado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados totais.

Para Abrahão, o maior índice de desemprego entre os jovens, demonstrado na pesquisa, é um dado muito importante para que o Poder Público pense em políticas eficazes, que avancem na questão.

“Nós temos até legislação, por exemplo, do aprendiz, que pressupõe um percentual [de contratações de jovens] pelas empresas em relação ao número de funcionários. Nós nunca conseguimos colocar direito, implementar essa legislação”, disse Abrahão. Ele acrescenta que é necessário também estimular o empreendedorismo, o microcrédito, além de desenvolver opções de cultura e esporte. “Muitas vezes, essa juventude, sobretudo a mais carente, que está nas periferias, precisa ter algumas oportunidades [como cultura e esporte.”

Na comparação com a pesquisa anterior, em 2017, a taxa de desemprego geral teve queda de 3 pontos percentuais. No ano passado, 18% dos paulistanos estavam sem emprego. “Por mais que a pesquisa revele redução no número de desempregados, de 18% para 15%, a diminuição ficou dentro da margem de erro, que é de 3%”, explicou a Rede. 

No entanto, houve aumento da população empregada, com ou sem registro em carteira, que subiu 5 pontos percentuais em relação ao ano passado, passando de 29% para 34%. Quanto ao perfil da população desempregada, 56% são homens (800 mil) e 44% são mulheres (600 mil); 55% se autodeclaram pretos e pardos (800 mil) e 45% brancos (600 mil).

Abrahão ressalta a situação dos idosos, que também têm índice de desemprego maior que a taxa geral. “É interessante ver que o outro extremo, dos idosos, também está com 30% de desemprego. Uma questão que tem que ser discutida é que existe uma riqueza muito grande quando você tem dentro de um determinado espaço, dentro de uma empresa, uma questão intergeracional”, disse.

Alimentação

A pesquisa mostrou ainda que, para 43% dos paulistanos, a alimentação é o item que mais tem impacto no orçamento doméstico; 23% apontam o aluguel ou a moradia como principal despesa e 15% disseram que é a saúde (remédios, exames, convênio). Para 6% da população, o transporte é o item que mais pesa no orçamento e 5% aponta a educação.

“Chama a atenção o fato de uma questão básica e importante para a sobrevivência [alimentação] pesar tanto no salário das pessoas, ela pesa mais do que o aluguel”, destacou Jorge Abrahão. 

Uma solução, segundo ele, seria pensar em reduzir a tributação de alimentos. “Se você consegue reduzir tributos de segmentos de alimentação que pesam muito no orçamento das famílias, consegue reduzir esse impacto [no orçamento] e distribuir renda de alguma maneira”, disse.

Deslocamento

O tempo médio de deslocamento dos paulistanos na ida e volta ao local de trabalho é de 1h43min. Apenas 7% deles levam até 30 minutos; 11%, de 30 minutos a 1 hora; 28%, de 1 hora a 1h30min; 13%, de 1h30min a 2h; e 22%, mais de 2 horas. Outros 15% afirmam trabalhar em casa e, portanto, não precisam fazer esse deslocamento. Ou seja, 63% dos paulistanos gastam mais de 1 hora no trajeto casa-trabalho-casa.

A pesquisa também revelou que metade dos paulistanos (48%) diz que não existem oportunidades de emprego na região onde moram. Para 42% dos entrevistados, há algumas oportunidades de trabalho perto da própria casa, e para somente 4% dos paulistanos existem muitas oportunidades.

Abrahão destaca a baixa distribuição de emprego na cidade de São Paulo e que este é um modelo existente em muitas outras cidades, concentrando a possibilidade de emprego em uma determinada zona. “Aqui no caso de São Paulo, é no centro expandido. E você faz com que as pessoas tenham que se deslocar muito, então a prefeitura refletir sobre a geração mais distribuída de oportunidades vai fazer com que as pessoas consigam também ter uma maior qualidade de vida”, acrescentou.

Mulheres e mercado de trabalho

Para a Rede Nossa São Paulo, a pesquisa demonstra que os paulistanos têm uma visão bastante diferente quando o assunto é oportunidade de trabalho para as mulheres.

Sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho, a maioria da população relativa (47%) acredita que elas têm menos oportunidades do que os homens. Para 34%, elas têm as mesmas oportunidades de trabalho que os homens e, para 14%, mais oportunidades de trabalho do que eles.

Quando se analisa por gênero, há diferença no resultado. Enquanto 20% dos homens afirmam que as mulheres têm mais oportunidades de trabalho do que eles, o percentual cai para 9% entre elas. Da mesma forma, enquanto 41% dos homens afirmam que as mulheres têm as mesmas oportunidades que eles, o percentual é de 27% entre elas.

E, quando 33% dos homens respondem que as mulheres têm menos oportunidades de trabalho que eles, o percentual sobe para 60% entre elas.


Agência Brasil

EMGE

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