Meio Ambiente

20/02/2019 | domtotal.com

Adolescente sueca leva milhares às ruas para uma 'greve pelo clima'

Para alguns ativistas ambientais, essa é uma nova possibilidade de exercer uma pressão mais forte contra os governos.

(8 fev) Estudantes participam da manifestação semanal, na cidade alemã de Dusseldorf
(8 fev) Estudantes participam da manifestação semanal, na cidade alemã de Dusseldorf (dpa/AFP)

Com o lema "greve pelo clima", a adolescente sueca Greta Thunberg fez com que milhares de jovens em todo o mundo saíssem às ruas, um movimento que tem crescido, apesar das críticas dos adultos.

Greta Thunberg, de 16 anos, iniciou sua ação sozinha no ano passado, instalando-se a cada sexta-feira em frente ao Parlamento em Estocolmo para pedir aos deputados que atuem contra a mudança climática.

Meses depois, de Sydney a Bruxelas, de Berlim a Haia ou Londres, milhares de jovens aderiram à iniciativa desta greve semanal em favor do clima, desfilando nas ruas com slogans como "salvar o nosso futuro".

Com frases como "nossa casa está queimando" ou "quero que comecem a entrar em pânico", a carismática jovem sueca, que viajará para Bruxelas na quinta e Paris na sexta-feira, "tocou os corações das pessoas, porque possui muita integridade", estima Karen O'Brien, socióloga da Universidade de Oslo, especializada em questões relacionadas à mudança climática.

"Às vezes, uma única pessoa corajosa pode ser a faísca que acende o fogo que estava adormecido", disse à AFP.

Uma certa "inação" global fez a iniciativa de Greta Thunberg ser ouvida, segundo ela.

Mas esse movimento "sem igual", impulsionado não por estudantes, mas por menores, "incomoda a nós, adultos", estima Wagnon Sylvain, especialista em história da educação na Universidade de Montpellier.

No entanto, será preciso esperar para ver a magnitude da "greve global" de 15 de março e observar "como os países agirão".

"Há uma tendência a dizer: vão para casa, vocês são apenas crianças", acrescenta ele, aludindo a algumas reações "paternalistas".

"Seguindo o caminho"

Na Alemanha, onde as manifestações reúnem mais de 15.000 estudantes a cada semana em dezenas de cidades, muitos criticam o fato de os protestos ocorrerem durante o horário escolar.

Na primeira grande mobilização no Reino Unido na semana passada, os serviços da primeira-ministra britânica, Theresa May, lamentaram que os jovens perdessem "horas de aula".

Ao que Greta Thunberg respondeu: "os políticos, por sua inação, perderam 30 anos, é um pouco pior", disse no Twitter.

"Por que deveríamos estudar para um futuro que em breve não existirá se ninguém fizer nada para salvá-lo?", insiste em um vídeo em que faz um chamado para que mais pessoas se unam aseu movimento "Fridays for future" ("Sexta-feira para o futuro").

"Continuaremos fazendo greve até que nossas vozes sejam ouvidas e tenham efeito", disse Holly Gilligrand, de 13 anos, um dos rostos do movimento na Escócia.

Apesar das críticas, essa iniciativa também tem recebido importantes apoios, especialmente do mundo científico e climático.

Para alguns ativistas ambientais, essa é uma nova possibilidade de exercer uma pressão mais forte contra os governos, cujos compromissos são insuficientes para respeitar os objetivos do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a +2°C em comparação com a era pré-industrial.

"Mas essa esperança depende da capacidade de todos seguirem o caminho aberto por esses jovens", diz Bill McKibben, co-fundador da ONG 350.org.

"Não basta olhá-los com admiração, porque esses jovens não têm o poder de fazer mudanças, cabe a nós apoiá-los e rapidamente".


AFP

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas