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05/03/2019 | domtotal.com

Deixei a sacola no trem...

Fiquei curiosíssimo e resolvi também deixá-los curiosos e com água na boca para saber como terminou a história toda

Jarra, Coruja, Picaso.
Jarra, Coruja, Picaso.

Por Lev Chaim*

Na Holanda, as pessoas se movem de uma lugar a outro, na maioria das vezes, por trem, que é um transporte bastante popular. Lembro-me de uma vez, quando vinha da cidade da Eindhoven para Tilburg, no trem que seguiria até Haia, na costa holandesa. Estava com um amigo. Assim que descemos do trem e seguimos para o saguão da estação, meu amigo notou que havia esquecido algo no compartimento de bagagem acima dos assentos: o seu Laptop do trabalho. Voltamos correndo mas o trem já havia partido. 

Decidimos, então, seguir no próximo trem até Haia, a última parada do trem em que havíamos vindo. Antes de partir, comunicamos no guichê de venda de passagens sobre o Laptop esquecido no trem e de qual hora ele era. Quando chegamos à estação de Haia, fomos até o escritório da empresa. Ali, eles não haviam recebido nada e nem qualquer comunicação. Com a cabeça pesada e coração a mil, voltamos à Tilburg. Quando chegamos à estação e íamos deixá-la, meu amigo decidiu perguntar outra vez no guichê de vendas de passagens. Quando voltou, era todo sorrisos, e estava com o Laptop na mão. Ele disse que alguém o havia encontrado e deixado ali no guichê da estação ferroviária. Ele ficou tão contente, que comprou uma torta de maçã e a doou aos empregados do guichê de venda de passagens.  

Estou contando tudo isto para que vocês sintam a minha apreensão, quando li no jornal holandês Trouw, num pequeno artigo escrito por Gijs Moes, que um senhor alemão, de 76 anos de idade, havia saído do trem na cidade de Hamm e esquecido algo no vagão. Na maioria das vezes, isto acontece, mas você esquece um guarda-chuva, um paletó ou coisas do gênero. Deixar um Laptop já achei por  demais enervante. Mas esse senhor alemão havia deixado ali, numa grande sacola de compras, um vaso de cerâmica feito pelo grande Pablo Picasso, com o desenho pintado de uma coruja. Por isto, o vaso chama-se oficialmente ‘Coruja’. O bilheteiro do trem foi informado por telefone, procurou por todos os vagões e não encontrou nada.

Mais tarde, o pessoal da empresa ferroviária ligou para a polícia para informar o que havia ocorrido. Segundo se notificou depois, esse senhor alemão era mesmo o proprietário de tal vaso de cerâmica feito por Picasso. E era um vaso de 26 centímetros de altura, com contornos em azul e preto que mostravam a figura da coruja, que acabou dando nome à obra, realizada em 1953 e avaliada em 10 mil euros ou 45 mil reais, mais ou menos. Passei vários e-mails para a redação do jornal, com várias perguntas, mas até agora eles não me haviam informado nada. Aliás, eles não sabiam de mais nada, nem mesmo porque este senhor estaria levando aquele vaso tão precioso em uma sacola de compras, no trem que ia de Kassel até Dusseldorf, na Alemanha. Fiquei curiosíssimo e resolvi também deixá-los curiosos e com água na boca para saber como terminou a história toda. Até o momento, infelizmente, não sei de mais nada. Vamos ver daqui a alguns dias! Mesmo porque, não é todo o dia que alguém esquece um ‘Picasso’ em um vagão de trem, não é mesmo?

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

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