Cultura

20/03/2019 | domtotal.com

Fotografias de Juninho Motta são convite ao silêncio e à reflexão

Composta de dez imagens em grande formato, 'mãe Terra' busca capturar a essência da natureza e dialogar com a mitologia e a espiritualidade.

'Naiades': ao registrar paisagens, pintura e fotografia têm em comum a premissa do olhar humano.
'Naiades': ao registrar paisagens, pintura e fotografia têm em comum a premissa do olhar humano. Foto (Juninho Motta/Divulgação)
'Elfo'
'Elfo' Foto (Juninho Motta/Divulgação)
'Ondinas'
'Ondinas' Foto (Juninho Motta/Divulgação)
'Pegasus'
'Pegasus' Foto (Juninho Motta/Divulgação)

Por Pablo Pires Fernandes

Ao observar as fotografias de Juninho Motta, o espectador é impelido a dois movimentos: primeiro, a contemplação. Depois, aos poucos, as paisagens idílicas e poéticas evocam o silêncio de tal maneira que fazem o espectador fazer um movimento interior, de reflexão e quase meditativo. “Por ser espiritualista, busco no silêncio a quietude para encarar a vida. Ele funciona como uma meditação budista ou coisa similar. É nele que foco quando quero resposta para alguma adversidade”, diz o artista.

A exposição “mãe Terra” será aberta nesta quinta-feira (21), às 19h, na galeria da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, onde fica em cartaz até 26 de abril.

A curadoria de “mãe Terra” foi de Sabrina Mara Sant’Anna, professora de História da Arte da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Para ela, “as fotografias expressam o desejo do próprio fotografo de se afastar do tempo que (des)dura, da vida acelerada e ruidosa que se tem nos centros urbanos com o intuito de encontrar e revelar, ao mesmo tempo, a força criadora e regeneradora da natureza”.

A natureza e a paisagem são temas clássicos na história da arte. Com o advento da fotografia no século 19 não foi diferente. A dimensão técnica de reprodução da imagem – da pintura para o registro químico por meio da luz – manteve-se fiel à tradição.

Ao registrar paisagens, as duas formas de arte têm em comum a premissa do olhar humano. Por mais intocada que seja a natureza, como é o caso da maioria das imagens de Juninho Motta em “mãe Terra”, trata-se de um registro autoral e único – com composições de cores, claros e escuros, de formas e volumes – de um ambiente pleno que envolve o artista, mas que ele determinou um recorte próprio.

OndinasOndinas

PANORÂMICAS

A mostra reúne um conjunto de dez imagens, nove delas com 1,30 metro de comprimento e uma com 1,70. Motta relata que a opção por panorâmicas “aconteceu naturalmente”, pois trabalha com este formato desde 2002, montando várias imagens, primeiramente, usando a técnica analógica e, depois, a digital.

“No processo analógico fiz panorâmicas usando as fotos ‘unindo-as separadamente’, uma do lado da outra. O olho humano fazia o resto, era muito interessante. Com a digital, comecei usar o Photoshop e fui fazendo e curtindo, porque utilizo geralmente umas cinco ou seis fotos para montar uma imagem. Tem foto que tem 15 fotos para formar uma única imagem.” Com esse processo, Motta alcança um alto grau de resolução, mesmo em grande escala. “Geralmente, posso fazer fotos com dois ou 3 metros de comprimento sem perda de resolução.”

Para o fotógrafo, o processo se conclui quando a imagem é emoldurada e vai para a parede. “Aí é que a onça vai beber água... é quando se chega ao produto final da fotografia”, diz Motta, acrescentando que tomou gosto pelo processo de construir as molduras “sem saber que iria desaguar nesta exposição”.

PégasusPégasus

A curadora explica que, “desde os primórdios da história da arte, foi a natureza que forneceu para os artistas os modelos, a noção de proporção, de luz e cor, além dos materiais, os pigmentos e os suportes”. Sabrina cita a mudança de paradigma promovida pelos pintores impressionistas, movimento contemporâneo aos primeiros momentos da prática da fotografia, que abandonaram os ateliês e partiram para o trabalho ao ar livre.

“A observação direta da natureza, aliada ao estudo das cores, aos avanços da óptica e ao surgimento da fotografia, deram a eles a possibilidade de perceber e representar as nuanças de cores que a incidência da iluminação natural – a luz e a também a sombra – provoca sobre a paisagem, objetos e pessoas.” Para ela, “as imagens de Juninho Motta expressam esse longevo diálogo da arte com a natureza”.

O artista deu a cada imagem o nome de mitos relacionados à natureza, evocando personagens míticos que vão da Grécia Antiga (“Dríada”, “Náiades”, “Ondinas”), passando por figuras do folclore brasileiro (“Curupira” e “Iara”), japonês (“Kodama”), até a mitologia celta (“Elfo”, “Duendes & Gnomos”, “Fadas”). Todos eles mitos relacionados à natureza e forças primordiais.

Motta justifica a referência dizendo que “é uma saudação ao lado místico da natureza” e diz que, embora não tenha religião, se considera espiritualista, “sempre ligado na força da natureza, na mística da terra, na nossa força interna, na intuição”. E conclui afirmando: “E com esta destruição toda no planeta, resolvi colocar meus heróis em cena...”

mãe Terra

Exposição de fotografias de Juninho Motta. Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21, Funcionários, BH). Entrada franca. Abertura: 21 de março, às 19 horas. Visitação: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h; sábado, das 8h às 12h.


Redação DomTotal

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