Cultura

25/03/2019 | domtotal.com

Jorge dos Anjos mostra retrospectiva de sua obra na Dom Helder/EMGE

Trabalhos do artista revelam a relação o diálogo da cultura africana com o concretismo brasileiro, criando pontes entre a ancestralidade e a arte contemporânea.

O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal.
O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal.
O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal.
O ouro-pretano Jorge dos Anjos cria obras de grande impacto visual e formal. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

Por Pablo Pires Fernandes
Repórter Dom Total

O artista mineiro Jorge dos Anjos mostra, a partir do dia 25 de março ao dia 12 de abril, exposição retrospectiva na Dom Helder/EMGE, como parte do encontro internacional da Unesco sobre a história da África. Com curadoria de Vanicléa Silva Santos, professora da UFMG, e cerca de 30 obras, a mostra reúne trabalhos de diferentes fases da trajetória do artista, da década de 1970 até produzidos este ano. “É uma oportunidade para mostrar um pouco de diferentes materiais e técnicas que eu venho experimentando ao longo do tempo”, comenta Jorge.

Leia também:

Inventor de uma poética própria, Jorge dos Anjos afirma que sua linguagem tem duas matrizes referenciais: a cultura africana e o concretismo. Seu trabalho, repleto de referências a sua condição de afro-descendente e à sua cidade natal, Ouro Preto, se expressa em múltiplos formatos – escultura, pintura, desenho, gravações de ferro em feltro ou papel e outros materiais.

Jorge afirma que a herança africana, um dos fundamentos de seus trabalhos, é ressignificado em uma dimensão formal, seja em peças tridimensionais ou em traços planos que exploram o contraste. “Busco sempre trazer essa herança para hoje, através da memória, da religiosidade, da observação”, diz.

Os signos geométricos constituem sua característica mais visível e reconhecida. As referências ao candomblé e à umbanda são notáveis nos símbolos dessa espécie de alfabeto visual, assim como na prática intensa do uso do ferro e do fogo, como Ogum, orixá que simboliza a metalurgia.

Natural de Ouro Preto, não ficou imune à influência do Barroco de Aleijadinho e Manoel da Costa Ataíde. A monumentalidade de algumas de suas obras – na exposição, várias esculturas são projetos para versões gigantescas para espaços públicos –, o uso do ferro e da pedra-sabão, tudo está ligado ao passado de Minas Gerais, quando milhares de escravos trabalhavam na extração do ouro. “A escultura barroca escultura fez uma pressão muito grande na minha história”, comenta.

Ainda jovem em Ouro Preto, estudou com o pintor Nello Nuno (1939-1975). “Eu estava procurando, procurando, procurando e, no começo dessa busca, ele dizia para eu sempre olhar para o meu lado, sempre olhar à minha volta, mas olhar à volta, para mim, é primeiro olhar para mim mesmo”, afirma. E completa dizendo que, depois dessa busca interior, começou a olhar o entorno – “onde eu vivo, onde nasci, onde cresci” – e seguir ampliando horizontes.

Outro professor decisivo em sua formação foi Amilcar de Castro (1920-2002), um mestre do neoconcretismo brasileiro. “Aprendi a pensar o espaço, a organizar o espaço a partir de uma estrutura de pensamento”, conta o artista. A reação entre forma, geometria e os signos de ancestralidade africana forjaram a arte de Jorge dos Anjos, uma representante do que o crítico mineiro Márcio Sampaio chamou de “construtivismo crioulo”.

As obras de Jorge dos Anjos expostas nessa retrospectiva revelam a essência desse artista consagrado em suas múltiplas possibilidades, mas necessariamente coerentes consigo mesmo, com sua herança, seu passado e seu desejo de busca de uma arte que estabelece um diálogo com o ancestral e o contemporâneo.

Serviço:

Mostra Artística

A África e suas Diásporas

Esculturas de Jorge dos Anjos

25/03 a 12/04/19

Aberta ao público:

De segunda a sexta-feira: das 8h às 22h

Aos sábados: das 8h às 12h30min

(Entrada gratuita)

Local: Hall da Dom Helder  – Escola de Direito

Rua Álvares Maciel, 628  – Bairro Santa Efigênia

Belo Horizonte  – MG

Tel. (31) 2125-8800


Redação Dom Total

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas