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14/04/2019 | domtotal.com

Satélites na verdadeira guerra das galáxias

Desde 2010, os chineses também demonstraram ser capazes de pilotar satélites para aproximá-los de um objetivo.

Um modelo do satélite da companhía franco-italiana Thales Alenia Space, apresentado no 35° Space Symposium.
Um modelo do satélite da companhía franco-italiana Thales Alenia Space, apresentado no 35° Space Symposium. (AFP)

A 36.000 km da Terra, em 20 de outubro de 2017, no silêncio do espaço, um satélite russo chamado Luch u Olymp-K se aproximou lentamente ao satélite militar franco-italiano Athena-Fidus, um "ato de espionagem" denunciado pela França um ano depois.

O que poucos sabem é que, dias antes, o mesmo satélite russo havia sido vigiado por um satélite militar americano GSSAP, situado a apenas 10 km de distância.

Desde 2010, os chineses também demonstraram ser capazes de pilotar satélites para aproximá-los de um objetivo.

Essas manobras discretas são a expressão mais concreta da militarização do espaço, segundo especialistas americanos consultados pela AFP.

Estados Unidos, Rússia e China têm a capacidade de destruir satélites inimigos com mísseis e, provavelmente, com colisões voluntárias.

Talvez estejam criando inclusive lasers para cegar ou danificar satélites. Mas jamais foi realizado um ataque deste tipo em seis décadas de história espacial. A verdadeira guerra das galáxias é cibernética.

"A ameaça imediata não é a de uma colisão", diz Brian Weeden, coautor de um informe da Secure World Foundation que descreve essas manobras suspeitas dos satélites. "O objetivo é a informação e a vigilância. Essas aproximações servem provavelmente para fotografar satélites com o objetivo de entender o que fazem ou identificar que tipo de sinais recebem".

Interferências

Basta observar o número de uniformes militares americanos e aliados esta semana no 35° Space Symposium, o grande encontro da indústria espacial em Colorado Springs, para perceber o interesse dos exércitos pelo espaço.

Quando Marty Whelan começou a trabalhar no setor militar espacial em 1984, "o mais difícil era pôr as coisas em órbita. Uma vez lá em cima, era bastante seguro", explica à AFP.

A guerra do Golfo em 1991 foi a primeira na qual os Estados Unidos utilizaram realmente as ferramentas espaciais, sobretudo o GPS, para a navegação e os bombardeios.

As primeiras debilidades apareceram na guerra do Iraque nos anos 2000. Os iranianos começaram a tentar interferir nos sinais de satélite americanos, segundo Whelan.

E nos últimos anos, a Rússia alterou várias vezes os sinais de GPS em volta do mar Báltico e em outros lugares, obrigando os americanos a buscarem sistemas para evitar essas interferências.

"Se fazemos explodir metal no espaço, ninguém vai morrer, nenhuma mãe perderá seu filho", diz Whelan, que passou 33 anos na Força Aérea e é o atual vice-presidente da The Aerospace Corporation, uma organização de pesquisa financiada pelo governo federal. "Mas se um filho ou uma filha não pode se comunicar no campo de batalha, então uma mãe pode perdê-los", explicou.

"O espaço é um elo essencial do combate na Terra", afirma o general aposentado. "Já não podemos fazer como antes, tudo deve mudar", aponta.

Vigiar os satélites

Todo o setor espacial, civil e militar começou a se adaptar para se proteger ante as interferências e os ciberataques.

"Nos faltaria clareza se nos convencêssemos de que em 2019 sabemos lutar contra todas as ameaças. Sempre há novas", diz Mark Knapp, da companhia norueguesa KSAT, que administra mais de 200 antenas de comunicação por satélite no mundo.

No âmbito militar, o Pentágono está se reorganizando para criar a força espacial desejada pelo presidente Donald Trump, uma iniciativa que o Congresso ainda deve aprovar.

Essa força se somará às outras armas dos EUA e contará com mais de 20.000 militares. A vigilância do espaço será uma de suas prioridades.

Fred Kennedy, o chefe da nova Agência de desenvolvimento espacial, apresentou na terça-feira, em Colorado Springs, seu projeto de constelação de centenas de pequenos satélites militares, construídos com a ajuda do setor privado, para monitorar em tempo real as dezenas de milhares de objetos que orbitam em volta da Terra.

O objetivo é vigiar tudo que se encontra entre nosso planeta e a Lua.


AFP

EMGE

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