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11/04/2019 | domtotal.com

Presidente do Sudão é destituído pelo Exército

Um conselho militar provisório de dois anos foi montado e a Constituição, de 2005, foi suspensa. Os militares também decretaram o cessar-fogo no país.

Omar al-Bashir governou o Sudão por três décadas e lutava há tempos contra rebeldes de minorias étnicas.
Omar al-Bashir governou o Sudão por três décadas e lutava há tempos contra rebeldes de minorias étnicas. (AFP)

Por Khalid Abdelaziz

Cartum - O presidente do Sudão, Omar al-Bashir, foi obrigado pelos militares a renunciar, nesta quinta-feira, após três décadas de poder autocrático, e medidas estão sendo providenciadas para formar um conselho de transição que administre o país. Fontes do governo e o ministro da Produção e dos Recursos Econômicos, Adel Mahjoub Hussein, disseram à TV al-Hadath, cuja sede fica em Dubai, que o governo de Bashir havia chegado ao fim e que consultas estavam sendo realizadas para a configuração de um conselho militar.

Fontes sudanesas disseram à Reuters que Bashir, de 75 anos, estava na residência presidencial sob "forte vigilância". Um dos filhos de Sadiq al-Mahdi, o líder do maior partido de oposição do país, o Umma, disse à TV al-Hadath que Bashir estava em prisão domiciliar juntamente a "um número de líderes do grupo terrorista Irmandade Muçulmana".

Alguns manifestantes, que se uniram contra Bashir desde 19 de dezembro, afirmaram temer que o atraso permita o exílio do ex-presidente. A televisão e a rádio estatais tocaram músicas patrióticas, um lembrete de como as tomadas militares de poder se desdobraram durante episódios anteriores de conflitos civis.

Tropas estavam presentes no Ministério da Defesa e nas principais vias e pontes da capital. Milhares de pessoas correram para protestar contra o governo do lado de fora do ministério, enquanto grandes multidões tomaram as ruas no centro de Cartum, dançando e gritando slogans anti-Bashir. Os manifestantes gritavam: "caiu, vencemos".

Os manifestantes pediram um governo civil e disseram que não aceitariam uma administração liderada por militares e figuras de segurança ou assessores de Bashir. Omar Saleh Sennar, membro sênior da Associação de Profissionais do Sudão, um dos principais grupos de protesto, afirmou que estava aguardando o pronunciamento do Exército e esperava negociar com os militares uma transferência de poder de Bashir. "Aceitaremos apenas um governo civil de transição", disse Sennar à Reuters.

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O ministro da Defesa, Awad Ibnouf, anunciou na televisão estatal o afastamento e prisão de Bashir. "Eu anuncio, como ministro da Defesa, a queda do regime e prendo seu chefe em um lugar seguro", disse.

Bashir, que governou com mão de ferro desde que assumiu o poder em um golpe apoiado pelos islamitas em 1989, foi expulso depois que a força militar não conseguiu encerrar quatro meses de protestos em todo o país pedindo sua saída.

"Nós o substituímos por um conselho militar provisório por dois anos e suspendemos a constituição de 2005 no Sudão", disse Ibnouf, lendo um comunicado. "Anunciamos um estado de emergência em todo o país por três meses e ordenamos o fechamento das fronteiras e do espaço aéreo do país até que um novo anúncio seja feito".

Ibnouf disse que o conselho militar também declarou um cessar-fogo nacional, que inclui as regiões devastadas pela guerra de Darfur, Nilo Azul e Kordofan do Sul, onde o governo de Bashir lutava há tempos contra rebeldes de minorias étnicas.


Reuters/AFP/Dom Total

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