Cultura

12/04/2019 | domtotal.com

Protesto artístico: chinês Ai Weiwei lembra estudantes desaparecidos em 2014 no México

Chinês representou os 43 estudantes através de retratos coloridos feitos com Legos, que acrescentam um toque pop à tragédia.

Ai Weiwei, cuja vida foi marcada pela censura, pela prisão e pelo exílio, considerou esses pais como as pessoas
Ai Weiwei, cuja vida foi marcada pela censura, pela prisão e pelo exílio, considerou esses pais como as pessoas "mais inocentes" que ele já conheceu. Foto (Reuters)
Artista chinês Ai Weiwei grava vídeo em 11 de abril de 2019
Artista chinês Ai Weiwei grava vídeo em 11 de abril de 2019 Foto (AFP)

Com um milhão de peças de Lego, o artista chinês Ai Weiwei desenhou os rostos de 43 estudantes mexicanos que desapareceram em 2014, em protesto pela falta de resultados nas investigações para encontrar seus paradeiros.

"Esqueça ser um artista, eu sou um ser humano, assim como você, e se você ouve alguém triste, você ouve que o filho do seu vizinho não voltou, e quatro anos se passaram e o governo não consegue chegar a uma conclusão, que tipo de governo é esse? Em que tipo de sociedade nós vivemos? ", disse o artista de 63 anos ao apresentar o trabalho para a imprensa nesta quinta-feira.

O trabalho, intitulado "Restabelecendo Memórias", exibido no Museu Universitário de Arte Contemporânea da Cidade do México, foi o resultado das conversas que teve com os pais dos jovens, que estudavam para ser professores de uma escola rural em Ayotzinapa, na região do estado de Guerrero.

Ai Weiwei, cuja vida foi marcada pela censura, pela prisão e pelo exílio, considerou esses pais como as pessoas "mais inocentes" que ele já conheceu.

Por baixo dos retratos coloridos feitos com Legos, que acrescentam um toque pop à tragédia, pode ser vista a cronologia do caso.

Essa linha do tempo destaca a noite de 26 de setembro de 2014, quando os jovens foram baleados e sequestrados por policiais corruptos e matadores de aluguel na cidade de Iguala; passa pelo dia em que o ex-procurador Jesús Murillo expôs o que chamou de "verdade histórica", que concluiu que os estudantes haviam sido mortos, queimados e seus restos jogados em um rio; e indica o momento em que especialistas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos questionaram esta teoria.

Ai Weiwei, um crítico aberto do governo comunista chinês, disse que a Lego, a empresa dinamarquesa que patenteou o famoso tijolo de plástico, se opôs a que seus brinquedos fossem usados para fins políticos ou de protesto. Mas o artista simplesmente ignorou e reconstruiu com cores brilhantes os rostos dos estudantes.

Questionado sobre a decisão de usar brinquedos para criticar esse crime hediondo, o artista disse que considera os Legos "democráticos".

"O Lego é um meio de comunicação muito democrático, todo mundo pode usá-lo, todo mundo o reconhece, e você pode reconstruí-lo, é uma maneira tão eficiente, e eu adoro o efeito de pixel", explicou.


AFP

EMGE

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