Religião

12/04/2019 | domtotal.com

Papa beija os pés de líderes do Sudão do Sul e pede preservação da paz

Em gesto inédito, no final de seu discurso de encerramento do retiro espiritual o papa Francisco inclinou-se para beijar os pés dos líderes do país reunidos para a iniciativa de paz.

Papa Francisco se ajoelha para beijar os pés do presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit (C), e do líder da oposição, Riek Machar.
Papa Francisco se ajoelha para beijar os pés do presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir Mayardit (C), e do líder da oposição, Riek Machar. (AFP)

O papa Francisco, em um gesto dramático que ocorre na esteira de um retiro inédito no Vaticano, se ajoelhou para beijar os pés dos antes antagônicos líderes do Sudão do Sul nesta quinta-feira e os exortou a não voltarem à guerra civil.

"Confirmo o meu desejo e a minha esperança de poder ir ao vosso amado país num futuro próximo, com a graça de Deus, junto com os meus queridos irmãos aqui presentes”: entre  eles, o arcebispo de Cantuária, Welby.

Ele apelou ao presidente Salva Kiir, ao seu ex-vice e depois líder rebelde Riek Machar e a outros três vice-presidentes para que respeitem o armistício que assinaram e se comprometam a formar um governo de união no mês que vem.

"A vocês três que assinaram o Acordo de Paz, peço-lhes, como irmão, que permaneçam na paz. Peco-lhes com o coração. Vamos seguir em frente. Haverá muitos problemas, mas não tenham medo, vão em frente, resolvam os problemas. Vocês iniciaram um processo: que termine bem. Haverá lutas entre vocês dois, sim. Que elas ocorram dentro do escritório; diante do povo, as mãos unidas. Assim, de simples cidadãos, vocês se tornarão Pais da Nação. Permitam-me pedir isso com o coração, com os meus sentimentos mais profundos", disse Francisco de improviso.

Os líderes pareceram surpresos quando o pontífice de 82 anos, que sofre de uma dor crônica na perna, foi auxiliado por assistentes ao se ajoelhar com dificuldade para beijar os sapatos dos dois principais líderes antagônicos e de várias outras pessoas no ambiente.

Seu apelo se mostrou ainda mais premente em vista do aumento da ansiedade no Sudão do Sul de que o golpe desta quinta-feira no Sudão possa colocar em risco o acordo de paz frágil que encerrou a guerra civil brutal de cinco anos no Sudão do Sul.

No final do encontro os participantes receberam uma Bíblia assinada por Francisco, pelo arcebispo de Cantuária e pelo reverendo John Chalmers da Igreja Presbiteriana da Escócia, com a mensagem "Buscai o que une, superai o que divide", e o Papa deu-lhes a sua bênção.

O Vaticano reuniu os líderes do Sudão do Sul para 24 horas de oração dentro da residência do papa na tentativa de curar as divisões profundas antes de o país se empenhar na criação de um governo de união nacional.

O Sudão do Sul, com uma população maioritariamente cristã, obteve a sua independência ao separar-se do Norte árabe e muçulmano em 2011, mas no final de 2013 mergulhou num conflito civil causado pela rivalidade entre o presidente, Salva Kiir, e o seu então vice-presidente, Riek Machar.


Reuters/ Vatican News

EMGE

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