Mundo

12/04/2019 | domtotal.com

Argentina recebe dos EUA 40 mil páginas de documentos sobre a ditadura

Informações desconhecidas sobre a ditadura argentina, que deixou 30 mil desaparecidos, devem ser reveladas.

Foto de arquivo mostra uma mãe da Praça de Maio que mostra as fotos de seus familiares desaparecidos durante a ditadura argentina
Foto de arquivo mostra uma mãe da Praça de Maio que mostra as fotos de seus familiares desaparecidos durante a ditadura argentina (AFP)

Os Estados Unidos entregaram nesta sexta-feira (11) às autoridades argentinas mais de 40 mil páginas de informação sobre a ditadura no país sul-americano, a maior abertura de arquivos feita a pedido de um governo estrangeiro na história do país.

Carlos Osorio, especialista da organização National Segurity Archives, a detalhar dezenas de casos e, segundo sua leitura preliminar, pode fornecer dados sobre o desaparecimento do argentino Héctor Hidalgo Solá e do chileno Jorge Isaac Fuentes Alarcón.

O chefe dos arquivos dos Estados Unidos, David S. Ferriero, entregou em Washington os documentos ao ministro da Justiça argentino, Germán Garavano.

"É um fato histórico, a informação vai permitir que os processos judiciais continuem avançando", disse Garavano muito animado.

Trump enviou uma carta a seu colega argentino, Mauricio Macri, para expressar sua esperança de que "o acesso a esses documentos dê ao povo da Argentina informações para ajudá-lo no processo de cura".

A ditadura argentina (1976-1983) deixou cerca de 30 mil desaparecidos entre outros crimes que incluíram eventos como roubo de bebês, tortura e perseguição política.

"Esta é uma boa notícia para o povo argentino, para que se aprenda com o passado e não se repita no futuro", disse Garavano.

Ferriero classificou este projeto como "sem paralelos".

"A taxa de desclassificação é de 97%, seguindo as instruções do presidente para publicar o máximo possível", explicou o chefe do arquivo nos EUA.

Essa desclassificação é o estágio final de uma iniciativa do governo dos Estados Unidos para publicar os arquivos relacionados às violações de direitos humanos ocorridas na Argentina entre 1975 e 1984.

O projeto de grande escala, que surgiu a pedido do governo argentino, envolve 15 agências de inteligência de defesa e polícia.

Para este projeto de desclassificação, 25 funcionários dedicaram mais de 1.300 horas para identificar e revisar arquivos que podem ser relevantes.

Em 2002, o governo dos EUA desclassificou mais de 4 mil telegramas e outros documentos mostrando que as autoridades americanas estimularam a repressão.

O presidente Barack Obama iniciou uma segunda operação de revelação de mais de mil páginas que foram publicadas em 2016.


AFP

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas