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16/04/2019 | domtotal.com

Punir sexo pago

Jovens trouxeram de volta à política a discussão sobre a prostituição, principalmente para os partidos cristãos da Holanda: o CDA e o ChristenUnie.

De qualquer forma, a petição com 40 mil assinaturas, entregue ao parlamento holandês, veio colocar o assunto de novo dentro da pauta política do dia.
De qualquer forma, a petição com 40 mil assinaturas, entregue ao parlamento holandês, veio colocar o assunto de novo dentro da pauta política do dia. (Exxpose)

Por Lev Chaim*

Se depender do movimento holandês de jovens cristãos, Exxpose, o sexo pago, na Holanda, deveria ser punido. Eles enviaram uma petição ao Parlamento do País com 40 mil assinaturas a favor dessa punição, tendo em mente o modelo sueco que já vigora naquele país da Escandinávia. Não sei se esses jovens vão conseguir o seu objetivo, mas uma coisa é certa: eles trouxeram de volta à política a discussão sobre a prostituição, principalmente para os partidos cristãos da Holanda: o CDA e o ChristenUnie.

No ano 2000, enquanto a Suécia escolhia punir a visita de clientes a prostitutas no país, a Holanda direcionou-se totalmente para o outro lado: legalizou os seus bordeis. Todos os dois tinham em mente a diminuição da violência contra as prostitutas, como também lutar contra o caráter de ‘trabalho escravo’ a que se submetem a maioria dessas moças que trabalham na indústria do sexo. Ou seja: tentar melhorar a situação pessoal dessas mulheres.

O tempo passou mas, na Holanda, não se tem a impressão de que a medida ajudou em alguma coisa essas mulheres que trabalham na indústria do sexo do país. O setor cresceu enormemente, especialmente devido à expansão do mesmo via internet, como também houve um aumento das atividades criminosas envolvidas na prostituição, e um grande aumento do tráfico de moças do leste europeu que entraram no país para participar da indústria do sexo.  

Em alto e bom som, o partido holandês ChristieUnie propagou que busca uma solução para o problema, na expectativa de causar menos vítimas. O líder desse partido, Gert-Jan Segers, disse que a Holanda apresenta números nada positivo a esse respeito, com mil vítimas por ano de moças que trabalham na indústria pornográfica e que são violentadas. Por isso mesmo é que ele pediu que o governo estude os dados a esse respeito na Suécia, para poder comparar os métodos adotados. A sua impressão é que o número de vítimas na Suécia é bem menor que o da Holanda.

A organização Proud, que defende os direitos da indústria pornográfica, por sua vez, criticou muito essa ideia de punir sexo pago na Holanda, alegando que essa atitude só causaria mais estragos e o aumento da criminalidade no setor.

De qualquer forma, a petição com 40 mil assinaturas, entregue ao parlamento holandês, veio colocar o assunto de novo dentro da pauta política do dia. Uma representante do partido holandês CDA denominou a prostituição de ‘a escravidão moderna’ dos tempos de hoje. Ela lembrou ainda da necessidade de se perguntar quantas mulheres fazem esse trabalho voluntariamente, e reafirmar a falência da política holandesa de legalização dos bordéis. Quem pensaria que um dia a Holanda, famosa por seu bairro da ‘Luz Vermelha’ em Amsterdã, com as prostitutas seminuas nas janelas, iria questionar severamente tudo isso?  Quem te viu e quem te vê, não é mesmo meus caros leitores?

Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras, para o Domtotal.

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