Boa Viagem

20/08/2012  |  domtotal.com

O Vietnã vitorioso que ressurgiu das cinzas

Destruído por décadas de guerras, o país se levantou, enriqueceu e hoje é uma disputada atração turística

  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
  • Vietnã, um país que venceu todas as guerras a que foi submetido (Arquivo)
Por Marco Lacerda*

O Vietnã se tornou internacionalmente conhecido por suas guerras em busca de independência e liberdade. Agora, 37 anos depois do fim dos conflitos, que duraram de 1955 a 1975, o país vem chamando a atenção do Ocidente pela maneira obstinada e bem-sucedida com que busca o crescimento econômico e a redução de suas mazelas sociais mais graves.

Com o espírito de luta que venceu os colonialistas franceses que queriam dominar a Indochina e logo depois os Estados, que atacaram o país sob o pretexto de conter a expansão do comunismo, o povo vietnamita está mobilizado com a mesma energia revolucionária, com o mesmo elã, com o mesmo patriotismo e com a mesma inspiração que tinha no passado, agora para a reconstrução econômica e social do país.

Para compreender o Vietnã é preciso levar em conta que ele passou, desde os anos 40 até a metade dos anos 70, por um processo tumultuado de conflitos e guerras. Teve sua libertação nacional, sua primeira revolução, em 1945, mas o novo poder revolucionário não conseguiu generalizar-se por todo o país porque os colonialistas franceses voltaram a ocupar o país. Somente em 1954 os vietnamitas conseguiram afastá-los, tendo à frente o líder Ho Chi Min, que era o presidente do Partido Comunista na época.

Mas o país ficou dividido em dois. O Vietnã do Norte, sob a hegemonia do PC e o Vietnã do Sul, sob o controle de um governo capitalista e títere, a serviço dos interesses do imperialismo. Nos anos 60 os americanos invadiram e a região viveu uma guerra sangrenta durante nove anos, que só terminou em 1975, culminando na reunificação do país sob a liderança do Partido Comunista.

Vitória e superação

O total de vítimas da Guerra do Vietnã (1964 a 1975) é impreciso, oscilando entre 1 milhão e meio a dois milhões de vietnamitas mortos, entre civis e militares, que de certa forma significavam a mesma coisa, pois o povo era quem compunha o exército da guerra. Parte considerável da população economicamente ativa do país morreu durante a guerra e essa situação fez com que o Vietnã estagnasse economicamente após o termino do longo conflito.

Quando os vietnamitas começaram a construir o socialismo no país unificado, primeiramente optaram pelo velho modelo soviético que, por não levar em conta as peculiaridades e as realidades nacionais, fracassou. O país então entrou numa crise econômica que agravou ainda mais sua situação social. Em 1987 o Vietnã enfrentava uma inflação de quase 700%, uma grande carência no abastecimento de mercadorias e artigos de primeira necessidade, como o arroz, eram importados. Relações só eram mantidas com países socialistas, daí o bloqueio dos países capitalistas, sob imposição dos EUA.

A situação só começou a mudar no final da década de 80 com a abertura do mercado interno. Os resultados vieram rapidamente. Em dois anos o país conseguiu reduzir pela metade a inflação e hoje ela é menor que 3% ao ano. O crescimento do PIB, que ficava em torno de 4% hoje é comemorado com mais de 7% ao ano. De importador de arroz o Vietnã passou a ser o segundo maior exportador do cereal e também é um grande concorrente do Brasil no mercado de exportação de café (em 2002 tomou da Colômbia o segundo lugar no ranking mundial ). A qualidade de vida também foi beneficiada com a nova política.

Avanços espetaculares

A condição de vida da população, incluindo as que vivem nas montanhas isoladas e remotas, melhorou consideravelmente. A porcentagem de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza, ou seja, com menos de U$ 1 por dia, caiu de 60% em 1990 para 15% em 2011. A quantidade de pessoas que passavam fome também caiu dramaticamente de 30% em 1990 para 15% nos últimos anos.

Para um país colonial e por muitos anos semi-feudal, que durante décadas se fechou política e economicamente e foi tratado como periférico na Ásia, os avanços são espetaculares. O Vietnã tem hoje relações diplomáticas com 170 países e relações comerciais e econômicas com 120 países, incluindo os Estados Unidos.

Com a abertura externa, o número de organizações não governamentais internacionais triplicou no país, o que as torna co-responsáveis pelo progresso social vivido nas últimas três décadas. Hoje mais de 500 ONG investem cerca de U$ 80 milhões por ano em mais de 16 mil projetos de desenvolvimento econômico, educação, saúde, prevenção à AIDS e proteção contra catástrofes naturais.

O sucesso da reforma agrária

A reforma agrária realizada, no final da década de 80, foi a principal razão da redução drástica da pobreza no país. Com uma população majoritariamenter rural (80%), a reforma era uma necessidade emergencial para o combate a fome. Igualmente importantes, os investimentos estrangeiros hoje chegam a US 2,5 bilhão por ano.

O sentimento de culpa mundial pelas guerras impostas a um país do tamanho do estado do Maranhão, somado à potencialidade de uma população jovem e ativa, tem atraído investimentos bilionários de diferentes partes do mundo. Segundo especialistas, o PIB per capita do país já é de US 700.

A educação e treinamento profissional no país ainda estão abaixo das necessidades. Um terço das crianças não terminam a 5ª série e as meninas representam 70% da evasão escolar, abandonando os estudos para ajudar a família em casa. Um terço das crianças padecem de desnutrição.

As desvantagens capitalistas

Quando se introduzem mecanismos de economia de mercado, obviamente surgem disparidades econômicas que resultam em problemas sociais capitalistas como prostituição, drogas, contrabando, HIV, êxodo urbano e desemprego, desafios que o país hoje precisa enfrentar.

Os casos de Aids no Vietnã explodiram rapidamente. Na última pesquisa realizada pelo governo, cerca de 55 mil pessoas estavam infectadas e 4 mil haviam morrido da doença. Os números mostraram também que metade dos infectados está na faixa de 20 a 29 anos de idade. Levando-se em conta que 70% da população tem menos de 30 anos, os números são preocupantes. A prostituição e o número de viciados em drogas injetáveis são os principais responsáveis pela transmissão do vírus

Os contrastes criados por um sistema político fechado e por uma economia aberta levantam questões sobre a sustentabilidade do modelo socialista de mercado. O controle que o governo vietnamita exerce sobre a população vai muito além da esfera política. Ele controla toda a produção jornalística e os servidores de acesso à Internet são obrigados a instalar filtros que proíbem o acesso a sites de políticas neoliberais, movimentos anti-socialistas e pornografia.

Por tradição, a população vietnamita é bastante politizada e socialmente organizada em entidades de massa, cuja união e determinação os fizeram vencer as muitas guerras enfrentadas. De uma integridade social invejável , o governo se beneficia dessa "harmonia" com a qual cria elos de interesses quando necessita. São organizações de jovens, mulheres, agricultores, veteranos e são poucos os vietnamitas que não são ativistas em algum desses grupos.

No que diz respeito à preservação do meio-ambiente, o Vietnã ainda tem muito a fazer. Metade de sua população não tem acesso a água potável e o reflorestamento é uma necessidade. Durante a Guerra do Vietnã parte considerável do país sofreu com o herbicida "agente laranja" lançado pelos EUA, que infertilizou parte de suas terras agrícolas. Mais de 700 espécies naturais correm o risco de extinção e diversas organizações internacionais estão intervindo no país para conter os desastres naturais. Por outro lado, o Vietnã abriga quatro grandes "Patrimônios Mundiais" reconhecidos pela Unesco, que recebem da entidade recursos para sua preservação. Os patrimônios são as cidades de Hue, Hoi An, a Baía de Ha Long e o santuário My Son.

Se mantiver o espetacular ritmo de crescimento sustentado que vem sustentando há décadas, o Vietnã logo terá rompido a barreira que tolhe o progresso dos países pobres e honrará com o mesmo espírito de vitória que o fez vencer as várias guerra de agressão a que foi submetido ao longo de sua história.

Um passeio pelo Vietnã. Veja o vídeo: 


*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do DomTotal


Comentários








Escreva o código informado para comentar ak27s
*Seu comentário irá aparecer mediante a resposta correta.


Evaldo D´Assumpção | 20/08/2012 16:36
Mais um país que, das cinzas em que se tornara pela agressividade gananciosa do capitalismo irracional, vai se recompondo e deixando lições de garra, coragem e amor à Pátria para tantos outros que, pela falta de autoestima, desperdiçam todo o potencial que lhes foi dado pelo Criador. Quando teremos governantes capazes de deixar de lado a ganância e a desonestidade, tornando-se genuinos artífices de um Brasil a altura do que pode e merece ser?
responder comentário Responder Evaldo D´Assumpção







Escreva o código informado para comentar bg61a
*Seu comentário irá aparecer mediante a resposta correta.




Últimas reportagens

+ Mais exclusivas
Super Dom
Fato em FocoEm Madrid, uma casa iluminada por cultura + Fatos em Foco
Arte e CulturaO disco solitário que Kurt Cobain não terminou + Mais matérias
Reino Escondido
Epic
Animação
104 min.


Pablo Villaça
Crítica de Cinema
Newsletter
Assine e fique por dentro das novidades

Newsletter
Assine e fique por dentro das novidades
Mídias Sociais