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11/06/2012 | domtotal.com

O ocaso do maior escritor do século 20


Demência senil impede Gabriel García Márquez de reconhecer familiares e amigos íntimos

García Márquez: demência impede o Nobel de Literatura de escrever
García Márquez: demência impede o Nobel de Literatura de escrever

Por Marco Lacerda*

O escritor Gabriel García Márquez perdeu definitivamente a memória. Pelo menos esta é a conclusão a que chegaram os meios de comunicação colombianos depois de uma entrevista do autor, terça-feira passada, ao jornalista Plinio Apuleyo, seu amigo íntimo. Depois de duas horas com Gabo, o jornalista revelou que a demência senil já não permite ao escritor escrever e sequer reconhecer familiares e amigos próximos.

“Nas últimas vezes que conversamos pessoalmente, na Cidade do México, ele repetiu várias vezes: ‘Como anda você? O que tem feito? Quando volta de Paris’? Muitos amigos comuns com quem falei sobre o assunto disseram que com eles aconteceu a mesma coisa. Gabo fez as mesmas perguntas. Existe a suspeita de ele tenha algumas fórmulas. Se não reconhece alguém, não pergunta ‘quem é você’?. Prefere fazer perguntas genéricas. Dói muito vê-lo assim. Gabo sempre foi um grande amigo”, disse Plinio Apuleyo.

Há pelo menos cinco anos a deterioração da saúde de García Márquez tornou-se pública. Os primeiros sinais foram dados quando ele renunciou a continuar escrevendo suas memórias (“Viver para contá-la”, primeiro volume de uma trilogia frustrada) e enfrentou a morte de um irmão. Pouco antes o escritor tinha sido vítima de um linfoma do qual saiu intacto.

Em 2007, quando o Congresso do Idioma celebrou em Cartagena de Índias, na Colômbia, os 40 anos da publicação de “Cem anos de solidão”, García Márquez, pai do cineasta Rodrigo García, se deixou ver sorridente e feliz, vestindo um terno de linho branco. Em nenhum momento, porém, falou em público nem concedeu entrevistas. Nesta época surgiram os primeiros rumores sobre os lapsos de memória do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

No mesmo ano, o escritor britânico Gerald Martin escreveu a biografia oficial de Gabo, “Uma vida”, na qual se pode ler, nas entrelinhas, a notícia velada da enfermidade do autor: “Ele era capaz de recordar a maioria das coisas do passado distante, embora tivesse dificuldade em recordar os títulos de seus livros. Mas mantivemos uma conversa normal, até divertida”, diz Martin.

Há um ano, alguns meios de comunicação chegaram a anunciar que Márquez estaria em vias de morrer em Paris. Sua mulher, Mercedes, e sua agente literária, Carmen Balcells, desmentiram a notícia. Gabo não estava em apuros nem estava em Paris. Permanecia em sua casa no México. Há poucos meses a família divulgou uma foto tirada na festa dos 85 anos do autor.

Nos tempos de sua pródiga produção literária Gabriel García Márquez brindou o mundo com uma coleção de obras primas, que o tornaram, na opinião de muitos o maior escritor do século 20. Entre elas se incluem “Ninguém escreve ao coronel”, “Crônica de uma morte anunciada”, “O outono do patriarca”, “O amor nos tempos do cólera”, “Cheiro de goiaba”, “O general em seu labirinto”, “Do amor e outros demônios”, além de uma vasta obra como jornalista e cronista.

Dez frases

“Um único minuto de reconciliação vale mais do que toda uma vida de amizade”.

“O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”.

“A sabedoria é algo que, quando nos bate à porta, já não serve para nada”.

“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança”.

“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”.

“Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo”.

“Te amo não por quem tu és, mas por quem sou quando estou contigo”.

“Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiver triste, porque nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso”.

“Dou valor as coisas, não por aquilo que valem, mas por aquilo que significam”.

“O problema do casamento é que se acaba todas as noites depois de se fazer o amor, e é preciso tornar a reconstruí-lo todas as manhãs, antes do café”.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Dom Total. Artigo escrito com base em informações do jornal espanhol El Mundo e de agências de notícias.

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