ESDHC

27/05/2014 | domtotal.com

Pesquisadora norte-americana ministra palestra sobre Holocausto


Atividade emocionou comunidade acadêmica da Escola Superior Dom Helder Câmara nesta segunda-feira (27).

Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()
Foto ()

Na semana em que se despede da exposição ‘Paz e Justiça’, a Escola Superior Dom Helder Câmara sediou mais um importante evento sobre a temática ‘Holocausto, genocídio e crimes contra a humanidade’. Trata-se de palestra ministrada nesta segunda-feira (27) pela pesquisadora Karel Reynolds, mestre em Estudos de Genocídios e Holocausto e diretora do Museu do Holocausto WFCS (Carolina do Norte, Estados Unidos). “É uma honra estar aqui. O Direito é uma das profissões mais importantes e respeitadas do planeta, pois nos afeta diretamente, como seres humanos. Por que a história do Holocausto é importante para vocês, que estão na faculdade em 2014?”, questionou Karel.

Segundo a pesquisadora, quando Adolf Hitler chegou ao poder na Alemanha Nazista, em 1933, abriu o capítulo mais negro da humanidade. “Agora sabemos do que seres humanos são capazes. Quem poderia pensar que uma pessoa projetaria uma câmara de gás? Quem poderia pensar que engenheiros inventariam um forno crematório para assassinato em massa? Vamos falar de 12 anos da história, não de 50 ou 100. O maior assassinato em massa da história mundial aconteceu no curto período de 12 anos”, afirmou Karel na abertura da palestra.

Para auxiliar o entendimento da plateia, ela foi acompanhada por Jônatas Oliveira, da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP, responsável pela tradução simultânea. Também participaram da mesa solene a professora Beatriz Costa, pró-reitora de pesquisa da Escola e mediadora dos debates; a aluna Dayane Reis, que viabilizou o evento; e o engenheiro Gilberto Cury, da OAB-SP.

Crimes

Quando cita o ‘maior assassinato em massa da história’, Karel refere-se ao extermínio de seis milhões de judeus durante o Holocausto, o que representava cerca de 60% da população judaica na Europa. O mais chocante, no entanto, “é que o poder judiciário e o sistema legal, assim como médicos, cientistas e engenheiros, foram cúmplices dos nazistas”, apontou.

Também surpreendente, de acordo com a pesquisadora, é o fato de a Alemanha ser um país avançado e sofisticado à época, onde as mulheres conquistaram direito ao voto antes dos Estados Unidos, por exemplo. “A Alemanha era uma democracia. E mesmo assim, se transformou em local de ‘ódio’ e crimes contra o ser humano”, afirmou.

Com uma fala enérgica, Karel falou em detalhes sobre algumas das violações cometidas pelos nazistas nos campos de concentração, como a retirada de ‘dentes de ouro’ de cadáveres [cenas muitas vezes presenciadas por crianças], e o corte de cabelos. “Utilizaram técnicas de negócios e criaram uma verdadeira indústria. O ouro rendia milhares em dinheiro, o cabelo retirado dos prisioneiros era vendido, até as cinzas humanas retiradas dos fornos eram usadas como fertilizantes”, relatou.

Século XXI

Com tamanhas violações vindas de um país ‘civilizado’, o que podemos esperar para o futuro? De acordo com a pesquisadora, os crimes agora podem ser ‘muito piores’, com o crescimento da tecnologia e da internet. “É possível aprender a montar uma bomba pesquisando pelo ‘Google’. A tecnologia lança uma nova luz na criminalidade no século XXI”, avaliou.

Século que já é marcado por crimes ‘bárbaros’, como o sequestro de 300 meninas na Nigéria pelo grupo terrorista Boko Haram. “O mundo ficou chocado quando descobriu. Que tipo de ser humano faria isso? Torar uma menina do seu lar e colocar vídeos na internet, falando a seus pais que provavelmente serão vendidas como escravas”, lamentou Karel.

A pesquisadora lembrou ainda o caso de Meriam, que foi condenada à morte no Sudão. Segundo a justiça do país, ela teria abandonado a religião muçulmana ao se casar com um cristão. Meriam está grávida de oito meses e aguarda a execução encarcerada com o filho de quase dois anos.

Acolhimento

Sobre a experiência na Dom Helder Câmara, Karel disse estar impressionada com a atmosfera e o profissionalismo dos funcionários, corpo docente e direção. “Fui muito bem acolhida, estou encantada. Destaco ainda o empenho e o alto nível de entendimento dos alunos, certamente é uma instituição acadêmica de destaque”, apontou.

Coral

Além de palestra com Karel Reynolds, o evento contou com emocionante apresentação de coral e exposição de protótipo da casa de Anne Frank.

Repercussão

Impactados e sensibilizados pelas palavras de Karel, alunos e professores deixaram o Espaço Dom Helder conscientes de que é preciso agir para impedir novos crimes contra os Direitos Humanos. “Estou sem palavras. É muito forte isso que aconteceu [na Alemanha] e a forma encontrada pela professora Karel, de nos contar com tanta energia, me deixou arrepiada. Às vezes preferimos pensar que isso não vai acontecer mais, mas só não vai acontecer se não deixarmos”, afirmou Beatriz Costa. A pró-reitora aproveitou a oportunidade para agradecer a presença de Karel e sua equipe, e também para convidá-los para uma nova visita à Dom Helder Câmara.

Para o professor Caio Lara, o Holocausto é um tema que está sempre ‘na ordem do dia’ e foi abordado de maneira brilhante pela pesquisadora. “Karel disse que é preciso vigiar para que o Holocausto não ocorra mais, é preciso que os brasileiros estejam atentos também. Em Barbacena, 60 mil internados em um manicômio judicial perderam a vida, a grande maioria por maus tratos. Então é uma realidade que não está tão longe como a gente imagina”, afirmou Caio.

A estudante Rayanne Vieira, do 1º período, também aprovou a fala de Karel. “Gostei muito da forma como ela falou, percebemos que ela fica realmente ‘inflamada’ com a situação, a tradução foi muito boa”, avaliou. Presente na abertura da exposição ‘Paz e Justiça’, Rayanne lembrou ainda o depoimento de Nanette Konig, sobrevivente do Holocausto, e parabenizou a Dom Helder Câmara pelas iniciativas.

A aluna Dayane Reis, por sua vez, agradeceu aos professores Franclim Brito, Anacélia Santos e Beatriz Costa, que abraçaram a ideia e fizeram ‘com que tudo fosse possível’. Idealizadora do evento, ela considera importante que os profissionais do Direito tenham consciência de sua responsabilidade individual na proteção e concretização de garantias tão importantes. “Essa palestra despertou meu interesse em estudar de forma mais aprofundada como se deu a derrubada da democracia alemã e do controle de constitucionalidade durante o governo de Hitler, o que o pretendo fazer em parte das férias”, contou.

Já o estudante Pedro Eduardo, do 4º período, lançou um questionamento: os Estados Unidos, de fato, abraçam a postura pregada por Karel? “O que eu vejo [por parte dos norte-americanos] não é evitar novos crimes, vejo um controle total sobre todas as esferas. Vejo-a falando sobre venda de bombas pela internet, gostaria de saber se isso legitima espionagem por parte dos Estados Unidos. Eles apoiaram a ditadura aqui, no Chile, e na Argentina; invadiram o Afeganistão e o Iraque, sem justificativa. Não consigo entender, não vejo lógica”, argumentou Pedro. Mesmo com os questionamentos, ele considerou o evento interessante, pois ‘é preciso olhar para o passado para evitar os possíveis crimes na nossa geração’.

Confira as fotos!


Redação Dom Total

Comentários

Mais Lidas
Instituições Conveniadas