Religião

01/01/2015 | domtotal.com

Francisco, um conselheiro admirável!

A humanidade é chamada a fazer uma grande e profunda experiência, a partir da grandeza do mistério da manjedoura.

Francisco se ajoelhou ao conduzir uma missa na Basílica de São Pedro.
Francisco se ajoelhou ao conduzir uma missa na Basílica de São Pedro.

Padre Geovane Saraiva*

A ação divina não dispensa a colaboração humana, no exemplo do Messias, anunciado por João Batista, como o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo, que estamos a experimentar neste Natal, presente maior e dom da esperança, compadecendo-se dos pequenos, empobrecidos e humilhados (cf. Is 49, 13). Consciente de que o Filho é o esplendor da glória do Pai e expressão de todo seu ser, ao sustentar o universo com a força de sua palavra, O Santo Padre, aos 18.12.2014 se dirigiu com enorme carinho às crianças da Ação Católica italiana, as quais o visitarem no Vaticano para desejar-lhe feliz Natal, com cinco conselhos de Pai, a saber:

1 – Não se rendam nunca, porque o que Jesus quer das crianças está para ser construído junto: com os pais, irmãos, amigos e companheiros de escola, de catecismo, de oratório e da Ação Católica.

2 – Interessem-se nas necessidades dos mais pobres, dos que mais sofrem e estão mais sozinhos, porque, quem gosta de Jesus, deve amar o próximo. Assim, tudo se torna amor.

3 – Amem a Igreja, amem os seus sacerdotes, coloquem-se a serviço da comunidade, porque a Igreja não é somente os sacerdotes, os bispos… mas é toda a comunidade, coloquem-se a serviço da comunidade. Doem tempo, energia, qualidade e capacidade pessoais para as suas paróquias dando assim testemunho da própria riqueza que é um dom de Deus para compartilhar. É importante! Aquele “tudo”: Tudo por descobrir, tudo para compartilhar, tudo para construir juntos, todo amor…

4 – Sejam apóstolos da paz e da serenidade, a partir das próprias famílias, recordem a seus pais, a seus irmãos e contemporâneos que é bonito amar-se e que as incompreensões podem ser superadas, porque estando unidos a Jesus tudo é possível. Isso é importante: Tudo é possível. Mas esta palavra não é uma invenção nova: Esta palavra foi dita por Jesus, quando descia do monte da Transfiguração. Para aquele pai que pediu a cura de seu filho, o que lhe disse Jesus? “Tudo é possível para aqueles que têm fé”. Com a fé em Jesus se pode tudo, tudo é possível.

5 – Falem com Jesus. A oração: Falem com Jesus, o maior amigo que nunca os abandona, confiem a Ele as suas alegrias e tristezas. Corram a Ele cada vez que errem e façam alguma coisa ruim, com a certeza de que Ele os perdoa. E falem com todos de Jesus, de seu amor, de sua misericórdia, de sua ternura, porque a amizade com Jesus, que deu a própria vida por nós, é um fato para contar a todos. Todos estes “tudo” são importantes.

A humanidade como um todo é chamada a fazer uma grande e profunda experiência, a partir da grandeza do mistério da manjedoura, numa fervorosa súplica, a qual o Sumo Pontífice quer que seja concreta dentro da sua própria casa, no Vaticano, quando corajosamente disse: É belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um “corpo” que procura ser sério e cotidianamente ser mais vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo. Em seu discurso anual de uma severidade sem precedentes, o Papa falou aos membros do governo da Igreja contra as rivalidades, as calúnias e as intrigas dentro da Cúria. Falou do "terrorismo do falatório", "esquizofrenia existencial", "exibicionismo mundano", "narcisismo falso" e "rivalidades pela glória" (22.12.2014), pedindo perdão pelas suas faltas e de seus colaboradores. Quando falou aos mesmos sobre quinze “enfermidades”, certamente quis dizer a mesma coisa que Jesus disse ao colégio dos apóstolos, assistido pela força inabalável do Espírito Santo de Deus: “Vós sabeis que os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deverá ser assim. Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo” (cf. Mt 20, 26-27).

No maravilhoso encontro da criatura com o Criador, no mistério do Natal, quando a natureza humana passa a participar da eternidade, ao receber uma inigualável dignidade; muitas pessoas esperam do Filho de Deus nascido em Belém uma salvação imediata e superficial, que sejam libertadas dos empecilhos temporais. Aprendamos da homilia do Santo Padre, na noite de Natal de 2014, ao deixar claro para o mundo o sentido da transcendência, afirmação de que mundo necessita de ternura, na contemplação do inefável milagre daquele menino-sol que, surgindo do alto, a iluminar o horizonte, nos seguintes pontos: na origem das trevas que envolvem o mundo perde-se na noite dos tempos. Pensemos no obscuro momento em que foi cometido o primeiro crime da humanidade, quando a mão de Caim, cego pela inveja, feriu de morte o irmão Abel (cf. Gn 4, 8).

Quão belas e edificantes as palavras do Romano Pontífice: A luz - ao longo do caminho da história, a luz que rasga a escuridão revela-nos que Deus é Pai e que a sua paciente fidelidade é mais forte do que as trevas e do que a corrupção. Nisto consiste o anúncio da noite de Natal. Deus não conhece a explosão de ira nem a impaciência; permanece lá, como o pai da parábola do filho pródigo, à espera de vislumbrar ao longe o regresso do filho perdido; a profecia de Isaías anuncia a aurora duma luz imensa que rasga a escuridão. Ela nasce em Belém e é acolhida pelas mãos amorosas de Maria, pelo afeto de José, pela maravilha dos pastores; A ternura - nesta noite santa, ao mesmo tempo em que contemplamos o Menino Jesus recém-nascido e reclinado numa manjedoura, somos convidados a refletir.

Como acolhemos a ternura de Deus? Presépio - Queridos irmãos e irmãs, nesta noite santa, contemplamos o presépio: nele, “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9, 1). Deus nos dê a graça para que estejamos sempre atentos aos ricos, preciosos e profundos ensinamentos e conselhos de Francisco e os acolhamos com alegria, a exemplo de Maria, no silencio do coração.

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, articulista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso.

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