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03/11/2014 | domtotal.com

O Impressionismo americano

Uma viagem em oitenta telas pelas origens de uma escola fundamental da pintura.

‘Três irmãs’ (1890), de Edmund C. Tarbel, uma das obras na exposição de Madrid.
‘Três irmãs’ (1890), de Edmund C. Tarbel, uma das obras na exposição de Madrid.

Por Marco Lacerda*

O museu Thyssen-Bornmisza apresenta a primeira exposição na Espanha do impressionismo norte-americano. Com curadoria de Katherine Bourguignon, responsável pela Terra Foundation for American Art Europe e especialista em arte francesa e americana do final do século 19 e começo do século 20, a mostra já foi apresentada no museu de impressionismos de Giverny e nas galerias nacionais da Escócia e de Edimburgo e revela, através de 80 pinturas, o modo como os artistas norte-americanos descobriram o impressionismo nas décadas 1880 e 1890. A mostra fica em cartaz até fevereiro.
 
Apesar de artistas como Mary Cassatt e John Singer Sargent terem vivido e exposto na França durante anos, onde mantiveram relações estreitas com Degas e Monet, foi necessário esperar até que se realizasse a exposição de impressionismo francês organizada pelo marchand Paul Durand-Ruel, em Nova York, para que os norte-americanos começassem a fazer uso daquela nova forma de usar os pincéis, as cores brilhantes e os temas modernos do movimento francês. Alguns se animaram inclusive a viajar a Paris para conhecer a nova onda na fonte.
 
As obras de Cassatt, Sargent e Whistler reunidas na exposição revelam o papel desses artistas no desenvolvimento do impressionismo na Europa, enquanto as de Theodore Robinson e Childe Hassan mostram uma assimilação mais gradual da nova técnica. Da mesma forma, outros pintores norte-americanos, sem jamais terem contato direto com os impressionistas, souberam adaptar suas ideias e forma de pintar aos temas nacionais e seduzir assim um novo público para as artes plásticas.
 
Todas as obras estão acompanhadas por telas de Monet, Manet, Degas e Morisot, que servem para contextualizar e estabelecer um interessante diálogo. Para os pintores norte-americanos que queriam participar da modernidade europeia era imprescindível passar uma temporada em Paris visitando o Louvre e o Salão Anual e fazendo algum curso nos numerosos estúdios e academias que surgiam. James McNeill Whistler foi um dos primeiros, seguido por Mary Cassat. Em 1874, quando Paris se levantava da guerra franco-prussiana, chegou uma segunda leva de pintores gringos como John Singer Sargen e Theodore Robinson.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Domtotal.

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