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08/05/2017 | domtotal.com

O renascimento da Mongólia

No lugar da região bucólica do passado surge um país em fervilhante revolução econômica

Por Marco Lacerda*

Depois de cortar laços com a União Soviética em 1990, uma revolução econômica vem gerando crescimento industrial que nada tem a ver com a Mongólia bucólica que muitos visitantes esperam encontrar. Na capital, Ulan Bator uma loja Versace reluz na mesma praça em que a estátua de Lênin reinou até outubro passado, quando foi retirada e leiloada.

Ulan Bator que é uma cidade no início de uma década de prosperidade: avenidas lotadas com mais carros do que podem comportar, gente correndo para o trabalho, restaurantes anunciando fast-food. Hambúrgueres e fritas? Nada disso. Cadeias como Khaan Buuz e Mongol Khuushur oferecem "buuz", bolinhos recheados de carne de carneiro no vapor, e "khuushuur", a versão frita. Bebe-se "suutei tsai" - chá com leite salgado de brilho gorduroso - e come-se com as mãos até os dedos ficarem encharcados de óleo. Esse parece ser o meio mais rápido de mergulhar na cultura local, pelo menos até poder ir para o interior.

A outra Ulan Bator é a cidade que se atravessada caminhando pelas estepes centrais, acampando em noites chuvosas e atravessar as montanhas que fazem fronteira com a Sibéria em um cavalo semi-selvagem. Na região são servidas refeições com carne de carneiro preparadas em fogões a lenha fumacentos dos "gers" dos pastores, além de incontáveis xícaras.

A Mongólia é chamada de “Terra do céu azul”, e de fato a cor chega a impressionar o visitante. Esse país asiático faz fronteira com a Rússia e a China. Na capital as influências ocidentais são claras, ao mesmo tempo em que existem sinais históricos da religiosidade do povo mongol. Ulan Bator é um lugar tranquilo sem preocupação com a violência turista, embora haja placas dizendo que não se deve sair depois da uma hora da manhã.

O motivo é bem outro: após esse horário toda a iluminação pública do local é desligada, deixando a cidade em escuridão absoluta. O povo mongol é bastante simpático e amável, você dificilmente terá algum tipo de problema com eles. Não deixe de visitar o templo Gandan Khiid, um fascinante espaço de fé. Além disso, passeando pela Mongólia você verá as casas móveis, que são chamadas de ger. Elas são feitas em lona e podem ser montadas e desmontadas a qualquer momento, e são também facilmente transportadas para outro local.

Em setembro, as colinas que cercam Ulan Bator ficam cobertas de flores. A seus pés, bairros inteiros de gers cercam a cidade. Essas estruturas circulares de lona com abrigam os nômades da Ásia Central desde os tempos anteriores a Genghis Khan, antes mesmo que o país existisse. Hoje, metade de sua população vive na capital ou perto dela. Para entender o porquê, basta olhar além das tendas, onde se elevam escritórios e condomínios. Os guindastes estão por toda a parte. O tráfego não para – uma cacofonia de Hummers, Lexuses, calhambeques reformados e ônibus lotados. É impossível ignorar as benesses econômicas que a mineração de cobre, ouro e carvão representa para a cidade há anos.

Séculos atrás, a Mongólia foi domínio de Genghis Khan, o estrategista brilhante que, com a ajuda de hábeis arqueiros montados à sua disposição, venceu a Grande Muralha e conquistou a China, estendendo seu império em todas as direções.

Todos os líderes mongóis posteriores associariam sua própria glória às conquistas de Gengis Khan, "um dos comandantes militares mais bem sucedidos da história da humanidade". Khan, cuja data de nascimento é desconhecida, morreu em 1227 e foi o imperador que mais territórios conquistou na história, dominando quase 20 milhões de km², mais do dobro do território brasileiro.

Vida nova para os nômades da Mongólia. Veja o vídeo:

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do Domtotal

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