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17/04/2017 | domtotal.com

Veneza, a única

São 117 ilhotas separadas por canais e ligadas por pontes, flutuando sobre os rios Po e Piave.

Por Marco Lacerda*

Alguém escreveu que Veneza é o lugar onde o homem brincou de ser Deus e se deu bem: construiu a mais bela cidade do mundo. Talvez por isso Friedrich Nietzsche tenha dito que sempre que tentava encontrar uma palavra que substituísse ‘música’, só pensava em Veneza.

Veneza é um lugar mágico onde viajantes vão buscar o que não encontram em lugar nenhum. Com 338 mil habitantes, é uma joia rara, uma das cidades mais turísticas do planeta. Veneza vive para o turismo.

Com 117 ilhotas separadas por canais e ligadas por pontes, a cidade está localizada na pantanosa Lagoa de Veneza, que se estende ao longo da costa entre as bocas dos rios Po e Piave. Esqueça as multidões e a eventual sujeira e deixe-se perder em ruelas, becos e canais que vão e vem sem critério. Difícil não parar numa das pequenas pontes-escadarias ou simplesmente ficar horas de bobeira na bela Piazza San Marco. Faça o seu tour antes que as águas o façam por você.

Caminhar sem rumo pelas ruas de Veneza é um luxo. Pule da cama antes das 9h, quando poucos turistas começaram suas longas caminhadas pelas ruazinhas da cidade. No adiantado da hora, famílias em férias, casais, mochileiros e grupos de excursão começam a se acotovelar nos locais mais movimentados, quase todos construídos no século 18, quando bem menos gente passava por ali. Lembre-se: a cada ano, 12 milhões de turistas visitam Veneza.

A fúria de Tintoretto

Não deixe de fazer um passeio de "traghetto" (uma espécie de gôndola coletiva) pelo Grande Canal, muito mais barato que o aluguel de uma gôndola, que pode chegar a US$ 80 por duas horas de viagem. Ao entardecer, o sol colore as fachadas dos palácios ao longo do canal e realça seus reflexos na água.

Uma das mais exóticas catedrais da Europa, a Basílica de San Marco exibe uma surpreendente coleção de mosaicos, como "A Chegada do Corpo de San Marco", na fachada. A visita é cansativa, pois é preciso seguir em fila por um trajeto definido durante todo o tempo. Procure chegar bem cedo, antes dos grupos de turistas que lotam a igreja a maior parte do dia.

A praça San Marco resume tudo o que você leu, viu e ouviu sobre Veneza antes de chegar lá. A imensa praça, sempre lotada de visitantes, artistas de rua e pombos, é um enorme pátio rodeado pela Basílica de San Marco, o Campanile, a Torre do Relógio, o Museu Correr, entre outras atrações. A vista do alto do Campanile é deslumbrante.

Escola Grande de San Rocco abriga a mais importante coleção da Europa sobre um único artista, Jacopo Robusti (1518-1594), mais conhecido por seu apelido, Tintoretto. Foi um dos pintores mais radicais do maneirismo. Por sua energia fenomenal em pintar, foi chamado Il Furioso, e sua dramática utilização da perspectiva e dos efeitos da luz fez dele um dos precursores do Barroco. Seu pai, Battista Comin, era tintore (tingia seda), daí o apelido do artista.

A Torre do Relógio, construída no final do século 15, exibe as fases da lua e os signos do zodíaco, representados em azul e dourado no grande relógio. Uma lenda conta que depois que os inventores do relógio terminaram a obra, tiveram seus olhos arrancados para que não pudessem repetir tal projeto.

Apesar de suas tragédias ancestrais, Veneza faz bem em qualquer época do ano. No inverno, a cidade é como um teatro vazio. A peça acabou, mas os ecos permanecem.

Um passeio em Veneza. Veja o vídeo:

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do DomTotal.

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