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13/03/2017 | domtotal.com

Um parque entre geleiras monumentais

Torres del Paine, no Chile, é o destino dos sonhos de qualquer ecoaventureiro.

Por Marco Lacerda*

É certo que todo turista que chega às terras patagônicas tem como principal objetivo desafiar os quase 3 mil metros das Torres del Paine. Seja em um passeio de van, em poucas horas de trilha ou durante um trekking de nove dias, a sensação de deslumbramento é a mesma. A cadeia de montanhas em forma de W surge entre as nuvens, no alto dos vales, ao fundo da paisagem dos lagos, como uma porção de terra onipresente.

De qualquer lugar do parque é possível fazer um belo retrato da imponente formação de granito. Aguarde a luz mais bonita ou ande até encontrar uma bela moldura de galhos para completar a foto. As Torres acompanharão você por onde quer que ande, mesmo que, às vezes, o mau tempo as esconda. Nesse caso, não há por que se preocupar, pois outras belezas compõem essa imensidão inexplorada.

Declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978, o Parque Nacional Torres del Paine, localizado a 150km de Puerto Natales, se mantém como uma das áreas mais bem protegidas do planeta. É o destino dos sonhos de qualquer ecoaventureiro que procura tudo em um mesmo lugar. A população escassa  - menos de 1 habitante por km²  - ajuda  a manter a aura de isolamento da região e leva o viajante a ter a sensação de ser o descobridor daquelas terras.

Em seu entorno encontram-se geleiras dramáticas, como a Grey, e lagos de degelo com águas em matizes de azul, verde e cinza. Seu aspecto leitoso vem da volumosa carga de minerais que vem sendo arrancada das encostas pelas gigantescas línguas de gelo a dezenas de milhares de anos. Lagos como Sarmiento, del Toro, Pehoé, Nordenskjod e Grey são frequentemente fustigados por violentas rajadas de vento, formando indescritíveis danças de spray d'água.

O barulho das cascatas, como o Salto Grande, formam uma combinação perfeita com o onipresente zumbido do ar. Entremeando essas formações também estão vales, pradarias de vegetação baixa, repleta de plantas como o valente ñire, e florestas andinas, por onde passeiam bandos de guanacos, pica-paus, raposas, ñandus - um tipo de ema, condores, veados e pumas, os mais difíceis de se avistar.

Para curtir o parque, opções não faltam. Aqueles que vêm de El Calafate ou têm poucas horas para curtir tudo devem focar em rápidas caminhadas até o pé das torres de granito (1h30 a 2h30, em média) ou embarcar numa excursão que passará por pontos como a fotogênica vista do maciço a partir do lago Pehoé e a geleira Grey (bela, mas não tão impressionante como sua irmã argentina Perito Moreno).

Aos mais aventureiros, porém, vale tentar o desafiante Circuito "W", que faz um caminho de quatro dias entre os vales das Torres, e o ainda mais longo "O", que dá a volta em torno da montanha e chega a cerca de 1350 metros de altitude, uma trilha que toma entre 7 e 10 dias para ser completada. Para evitar possíveis transtornos, esteja preparado para vários tipos de clima. O ideal é calçar boas botas de caminhada ou tênis amaciados e levar parkas corta-vento e a prova de chuva.

A região é dotada de ótimas pousadas, hotéis, acampamentos e restaurantes onde é servida a tradicionalmente deliciosa culinária chilena, sempre regada aos melhores vinhos do país. Uma curiosidade: apesar de sua majestade, Torres del Paine não está localizada em grande altitude, portanto as caminhadas demandam mais das pernas do que dos pulmões.

Torres del Paine, uma aventura inesquecível. Veja o vídeo.

*Marco Lacerda é jornalista, escritor e Editor Especial do DomTotal.

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