SuperDom Boa Viagem

02/10/2017 | domtotal.com

Aproveite, antes que vire moda

Terras antigas recheadas de história, ilhas sublimes e cidades em constante mutação.

Por Lonely Planet*

A Ásia costuma ser o primeiro destino para os grandes viajantes. É a Meca dos mochileiros em busca da grande viagem de iniciação, cenário perfeito – e barato – para perambular nos anos sabáticos e escapada exótica segura para todo mundo. O Lonely Planet acaba de publicar seu ranking anual Best in Asia 2017, com os dez novos destinos asiáticos que convém visitar antes de se tornarem moda. Paisagens quase surreais, como as de Gansu (China), países nos quais você provavelmente não havia pensado até agora, como o Cazaquistão, e bairros novos que os gourmets internacionais colocaram na moda, como o Keong Saik em Cingapura. Dez experiências incríveis para os meses restantes de 2017, que incluem antigos territórios recheados de história, ilhas sublimes e cidades que mudam vertiginosamente.

Gansu, um festival multicolor

Para os especialistas em Ásia do Lonely Planet, a província de Gansu é o grande destino asiático que vale a pena descobrir o quanto antes. Essa região chinesa de montanhas nevadas e paisagens cheias de contrastes, que se estende do centro ao norte do país, faz parte da Rota da Seda. Fotos alucinantes garantidas para nossa conta do Instagram em lugares como as montanhas de Xiahe e os coloridos contrafortes do geoparque de Danxia. Além disso, a região é famosa por sua gastronomia local: lá são feitos macarrões artesanais ao estilo Lanzhou, apreciados pelos bons gourmets.

Em Gansu encontraremos de tudo: tradições da mítica Rota da Seda, glaciares e penhascos para os mais aventureiros que até agora só eram frequentados pelos nômades tibetanos, e importantes enclaves budistas como o monastério Bingling, que mantém sua atmosfera mística vigiada pelo buda gigante, e as Mogan Grottes, o grande centro da arte budista que (por enquanto) não recebe muitas visitas. Em Gansu a diversidade étnica surpreende: muçulmanos em Linxia; tibetanos em Xiahe e Langmusi, e outros grupos minoritários como os bao’an e os dangxiang que completam o mosaico.

Templos, cerveja e surfe

Ao sul de Tóquio, visitada todos os anos por milhões de turistas, duas cidades aguardam ser descobertas pelo turista ocidental: Yokohama e Kamakura. A primeira delas, localizada em uma grande baía, é a segunda maior cidade do Japão, a somente 20 minutos de trem da capital japonesa. Yokohama merece uma visita por sua arquitetura peculiar, seus restaurantes e microcervejarias, os clubes de jazz e os novos projetos de arte contemporânea que se desenvolve na cidade. Como curiosidade, dois museus dessa cidade homenageiam o humilde noodle: o museu do Lámen, voltado exclusivamente a esses macarrões de origem chinesa que deixam os japoneses enlouquecidos, e o Cup Noodles Museum, dedicado aos macarrões instantâneos, invenção de um certo Momofuku Ando em 1958. Ao final de cada visita, cada um pode fazer seus próprios macarrões, criar o recipiente e levá-lo hermeticamente fechado para casa, prontos para comer.

Kamakura foi a primeira capital feudal do Japão. Está a uma hora de Tóquio e conserva uma alta concentração de templos e santuários imponentes, muitos dos quais oferecem sessões de meditação zen abertas aos não iniciados. Mas a cidade se tornou famosa, curiosamente, como destino surfista, que complementa com bons cafés e restaurantes ecológicos, assim como uma simbólica (e gigante) estátua de Buda. Suas praias, junto com a meditação ao amanhecer e as excursões pela montanha, são atualmente suas principais atrações.

Kerala: novas praias sem turistas

As praias do sul de Kerala são, há décadas, um dos grandes destinos turísticos na Ásia, mas o que ainda está por ser descoberta é a região norte do estado indiano, repleta de encantos rurais. Além de seus maravilhosos e pouco explorados areais, as danças e rituais theyyam surpreendem, considerados anteriores ao hinduísmo e originados a partir de bailes folclóricos realizados durante as festas da colheita. Os turistas são bem-vindos, mas não se trata de um espetáculo artístico e sim de um ritual religioso.

No mesmo ano do 70° aniversário da Independência da Índia, a inauguração de um novo aeroporto internacional em Kannur – o maior de Kerala – dará acesso a novas praias quase virgens para o turismo ocidental, como as que estão ao redor de Kannur, Thottada e Bekal. Nelas o alojamento continua sendo local, com hoteizinhos caseiros muito mais baratos do que no sul de Kerala.

Também é preciso descobrir a reserva de fauna de Wayanad, um verdadeiro paraíso para os elefantes selvagens, assim como Valiyaparamba, ponto de confluência de cinco rios cujas margens transbordam de palmeiras de verde intenso.

Cingapura redescoberta       

As cidades que todos os turistas visitam, como Cingapura, também podem se transformar em um destino completamente diferente. Essa cidade, quase futurista, redescobre novos ângulos como o Keong Saik, antigo bairro de prostituição, ao oeste de Chinatown. Um local até mesmo perigoso em outros tempos – com altos índices de crimes – que se transformou no bairro da moda, o paradigma da “Nova Cingapura”. Seus edifícios coloniais de estilo art-déco abrigam agora restaurantes de cozinha fusion criativa, uma pequena Meca para o turismo gastronômico. É preciso passear por ruas como a Neil Road e a Tek Lim Road para comprovar o novo estilo e espírito do bairro (e da cidade), com locais de excelente cardápio como o Meta; terraços com vistas fantásticas da cidade e bares tão elegantes como o Potato Head Singapore. Iremos até mesmo encontrar surpresas como o Burnt Ends, a proposta de um chef australiano, famoso por seus fornos à lena e seus churrascos, que podem nos parecer familiares: Dave Pynt aprendeu com o mestre Víctor Arguinzonitz, chef do Asador Etxebarri, o que fica nítido em sua costelinha de porco, a geleia de vitela e os curtidos sobre pão de massa lêveda assado. Também existem novas propostas de alojamento: frente aos grandes estabelecimentos de redes internacionais, em Keong Saik encontraremos novos hotéis boutique muito chiques, como o Naumi Liora.

O grande ano de Astana

Mesmo os grandes viajantes, aqueles que percorreram o mundo, ainda têm países por visitar. É muito provável que o Cazaquistão seja um deles. Agora sua capital se destaca mais do que nunca, disposta a se tornar uma nova opção de viagem para se conhecer algo diferente.

Astana está no meio de uma vasta e vazia estepe e ascende, de repente, como uma cidade supermoderna de vidro e aço e arranha-céus dourados. Gaba-se, por exemplo, de ter a maior marquise do mundo e outros recordes bizarros que foram conquistados graças ao petróleo e à visão futurista de seu particular presidente Nursultan Nazarbayev, empenhado em transformar esta cidade anódina em um lugar atraente. Um dos edifícios mais simbólicos é o Palácio da Paz e da Reconciliação, uma pirâmide de vidro projetada por Norman Foster, que abriga um teatro de ópera com 1.500 lugares, institutos de educação e um centro nacional para os vários grupos geográficos e étnicos do Cazaquistão.

Astana hospeda este ano, de junho a meados de setembro, a World Expo de energias sustentáveis. Além disso, desde janeiro cidadãos de 45 países (incluindo Estados Unidos, Canadá, Austrália e membros da União Europeia) podem ter vistos para estadias superiores a 30 dias. Ao mesmo tempo, o país continua se modernizando e sua capital contará em breve com um serviço de trem de alta velocidade e novas linhas de ônibus.

Nostalgia nipônica

Para esta cidade tradicional, que pouco mudou em três séculos, é preciso viajar o quanto antes. Começam a chegar os primeiros ventos de mudança: uma nova construção de cimento cinzento acaba de substituir sua antiga e encantadora estação de trem, e já há turistas que vagueiam pelas ruas onde, até recentemente, só se ouvia falar japonês. Mas Takayama ainda representa o velho Japão e seu modo de vida: os discípulos do templo (deshi) varrendo, retirando o cascalho e abrindo as portas para deixar entrar o sol; lojistas e artesãos esperando, pacientemente, o comprador em seus postos do mercado; antigas pontes que cruzam sereno rio que atravessa a cidade e o colorido Takayama Matsuri — um dos grandes festivais de primavera no Japão —, que mantém sua atmosfera tradicional: lanternas e balões de papel vermelho e dourado sobre a água, todos decorados com bonecas mecânicas (karakuri mingyo).

Escondida na região montanhosa de Hida, no centro do país, Takayama convida a uma viagem ao Japão do século XVII, à cozinha mais enraizada ou a casas históricas (que podem ser visitadas) em Hida-no-Sato, uma vila tradicional do período Edo.

O início da Rota da Seda

De todos os destinos incluídos neste ranking asiático, Xi'an é, provavelmente, o mais turístico. Quase todos os circuitos pela China incluem a visita aos seus famosos guerreiros de terracota, e até mesmo muitas viagens ao longo da antiga Rota da Seda começam em Xi'an, seu ponto mais oriental.

Esta cidade de cerca de 3.000 anos, que conserva toda sua vitalidade comercial de outrora — as vielas do labiríntico bairro muçulmano ainda estão cheias de vendedores ambulantes de todos os tipos —, ao longo dos últimos anos fez com que a Rota da Seda fosse declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Sob o risco de que se torne uma Disneylândia, convém antecipar uma visita (os famosos guerreiros completam 30 anos como Patrimônio Mundial em 2017), percorrer de bicicleta as muralhas da cidade, ir ao túmulo do imperador Jingdi, contemplar ao longe os míticos picos de Hua Shany, explorar os arredores. Estamos na província de Shanxi, a fonte de toda a China, capital da dinastia Quin, uma região repleta de tesouros arqueológicos e relíquias do passado.

Refrescantes ares coloniais em Kandy

A imagem mais conhecida do antigo Ceilão são suas praias de areia dourada, mas o Sri Lanka tem outra face: a das montanhas e neblina se dissolvendo pouco a pouco para revelar plantações de chá cor de esmeralda, florestas e montanhas isoladas. São as terras altas da ilha, uma fuga refrescante que pede uma jaqueta de lã durante o dia e encolher-se junto ao fogo durante a noite. Basta pegar um trem em direção a Kandy, uma introdução perfeita à idílica região de Hill Contry.

No centro da cidade, de casas e hotéis coloniais, os tuk-tuks derrapam ao virar as esquinas, esquivando-se das mulheres enroladas em saris de seda coloridos. Kandy foi a capital do último reino cingalês, que sucumbiu aos britânicos em 1815 depois de resistir por três séculos a portugueses e holandeses. Atualmente preserva concorridos mercados rua e restaurantes que servem pratos autênticos. O tempo passa rapidamente entre seu lago, que preside a cidade, seus museus e jardins botânicos, embora o templo do Dente de Buda seja o local mais visitado.

Nos arredores se destacam verdes colinas atapetadas de plantações de chá e vistas espetaculares, como o surpreendentemente alto Fim do Mundo ou o cume sagrado do Pico de Adão. Outras atrações incluem a cidade montanhosa de Nuwara Eliya, principal enclave colonial britânico com bons hotéis e salões de chá nostálgicos daquela época, assim como a pequena cidade de Ella, ponto de partida para muitas excursões pela região que culminam nos atraentes cafés de excelente comida caseira em sua rua principal.

O sabor da antiga Malásia

Quando Kuala Lumpur era um pântano e Penang ainda não havia se tornado a Pérola do Oriente, Malaca já era um dos mais importantes portos do Sudeste Asiático. Depois perdeu seu status para Cingapura, mas, graças a isso, sua arquitetura antiga foi poupada e declarada Patrimônio da Humanidade em 2008. Transformada novamente em uma das principais atrações turísticas da Malásia, nela floresceram hotéis-boutique e restaurantes. Agora o foco está no rio Melaca, com sua passeios de barco e táxis aquáticos futuros que ligarão a estação de ônibus ao centro. Novas galerias de arte também surgem junto ao rio, como a Zheng He Duo Yun Zuan, dividida entre dois armazéns renovados, ou o Trash & Treasure, um mercado de pulgas que abre todos fins de semana à beira do rio.

O imprescindível em Malaca é saborear a mistura das cozinhas malaia, portuguesa e indiana em um algum de seus excepcionais restaurantes; visitar as oficinas de artesanato com seus artesãos em ação em Chinatown; desfrutar do burburinho e da comida de rua do mercado noturno de Jonker ou passear pelo centro histórico nos chamativos trishaw. Depois, dar um passeio por Kampung Chitty para desfrutar de seus templos e assistir ao pôr do sol sobre o Masjid Selat Melaka, a imponente mesquita flutuante da cidade.

O último paraíso para mergulhar entre corais 

Mesmo um país tão aventureiro como a Indonésia tem uma última fronteira: Papua, a metade da segunda maior ilha do mundo, Nova Guiné. Lá, ao largo da costa de Sorong, encontraremos esse lugar remoto, o arquipélago de Raja Ampat, ao qual chegam cada vez mais viajantes ocidentais. São cerca de 1.000 ilhas, quase desabitadas, mas com um cenário de selva impressionante, praias de areia branca, lagoas escondidas, grutas e, acima de tudo, maravilhosas águas azul-turquesa.

Os que visitaram este lugar dizem que é um dos arquipélagos mais belos do Sudeste Asiático também debaixo d'água. São principalmente mergulhadores que proclamam, unânimes, que uma imersão nestas águas é como um sonho que se torna realidade, como nadar em um aquário tropical. Existem mais de 200 pontos de mergulho quase intactos e alguns dos recifes com os corais mais ricos e diversificados do planeta.

Não é fácil chegar a Raja Ampat, e é preciso pagar uma taxa para chegar às ilhas, mas estas começam a se preparar melhor para receber os visitantes graças ao impressionante aeroporto de Wasai, resorts de mergulhadores, propostas de ecoturismo e pensões rurais . As quatro maiores ilhas são Salawati, Misool, Waigeo e Batanta, sendo que o Estreito de Dampier oferece os melhores lugares para mergulhadores. Recentemente, um barco encalhou na região, danificando uma parte do recife e causando indignação; mas o dano foi muito localizado e a região continua acolhendo alguns dos recifes mais ricos do mundo (mais de 200 pontos de mergulho intocados).

*Lonely Planet é uma publicação de viagem e turismo com sede nos EUA

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