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04/12/2017 | domtotal.com

O mar das sete cores

San Andrés, no Caribe colombiano, seduz viajantes do mundo inteiro.

Por Antônio Maria*

Um dos maiores países da América Latina, em tamanho e em população, e um dos de maior diversidade biológica terrestre e marinha do planeta, a multicolorida Colômbia, dos incontidos e, muitas vezes, merecidos exageros — onde qualquer coisa, por mais barata que seja, custa milhares de pesos —, preserva verdadeiros tesouros, além de sua música popular em ascensão no mundo inteiro. Eles podem ser garimpados aos poucos, e divididos em doses homeopáticas com os visitantes que resolverem se aventurar pelas diferentes regiões de suas terras (e águas).

As mais populares atrações turísticas do país incluem o distrito histórico de La Candelaria, no centro da capital, Bogotá; as cidades coloniais de Santa Fe de Antioquia, Popayán e Villa de Leyva; e a Catedral de Sal de Zipaquirá. Sem esquecer festas como o Festival de Flores de Medellín, no início de agosto; o de Negros e Brancos, em janeiro, em Pasto; e o carnaval de Barranquilla. Além disso, a variedade de geografia, flora e fauna resultou no desenvolvimento de uma indústria de ecoturismo que se concentra em muitos parques nacionais.

Recém-saída de uma guerra contra o tráfico de drogas e contra grupos paramilitares, a Colômbia é endereço de oito sítios considerados Patrimônios da Humanidade, título concedido pela Unesco: o Parque Nacional de Los Katios, o Centro Histórico de Santa Cruz de Mompox, o Parque Arqueológico de San Agustín, o Parque Arqueológico Nacional de Tierradentro, o Santuário de Fauna e Flora de Malpelo, a Paisagem Cultural do Café de Colômbia, o Qhapac Ñan (o sistema viário andino pré-hispânico), além, é claro, da “capital das esmeraldas”, Cartagena das Índias, e seu conjunto de fortificações — o mais completo da América do Sul.

Se as esmeraldas deslumbram os turistas nas muitas joalherias de Cartagena, as verdadeiras joias da terra do realismo mágico, imortalizado pelo Prêmio Nobel Gabriel García Márquez, estão expostas numa pequena vitrine no meio do Mar do Caribe: o arquipélago de San Andrés, Providencia e Santa Catalina. Localizadas a 1.300 quilômetros da capital, e a 775 quilômetros do continente colombiano, essas pequenas ilhas ainda fora do mainstream turístico caribenho têm muito a oferecer. Com mar de águas cristalinas, o arquipélago é cercado pela Reserva da Biosfera Seaflower — uma das maiores barreiras de corais das Américas.

De origem vulcânica, San Andrés, a ilha-sede do arquipélago e a maior em extensão (com 26 km²), é porta de entrada deste paraíso, conhecido pelas praias de areia branca e pelas águas calmas e mornas de seu mar de sete cores — resultantes das variações do verde e do azul —, cuja temperatura oscila entre os 26°C e 29°C durante o ano todo.

Ideal para passeios à beira-mar, mergulhos submarinos e todo tipo de esporte aquático, assim como para aproveitar sua culinária rica em peixes e frutos do mar, San Andrés também é perfeita para aqueles que não resistem às compras. Como porto livre de impostos que é, artigos importados, como perfumes, bebidas, chocolates e eletrônicos, têm, muitas vezes, preços menores do que os praticados pelas lojas duty free dos aeroportos. Mas atenção: San Andrés mantém a tradição espanhola da siesta. O comércio fecha das 12h30m às 15h. Na ilha,

de cerca de 75 mil habitantes, a comunicação é muito fácil: além da simpatia do povo, falam-se o inglês, o espanhol e o crioulo sanandresano — kríol ou creole english —, dialeto que mistura as duas línguas e outras de raízes africanas.

Atualmente, o que foi solução para dinamizar a economia, com o estabelecimento como porto livre em 1953, transformou-se numa das questões que mais afligem San Andrés: a superpopulação e o impacto ambiental que gera. A ilha sofre com problemas de coleta de lixo e racionamento de água potável (que dificilmente afeta hotéis e estabelecimentos turísticos).

As melhores épocas para uma viagem sem sustos ou maiores atropelos são de junho a agosto e nos meses de dezembro e janeiro, apesar de a temperatura variar pouco no resto do ano. Faz calor o tempo todo.

A ilha de San Andrés pode ser percorrida em poucos dias. Mas sua descoberta por inteiro requer alguns cuidados. O visitante não deve esquecer de levar o atestado de vacina contra a febre amarela, e de pagar e manter consigo a taxa de turismo, exigida à entrada e à saída das ilhas. Feito isso, é só aproveitar o balneário, a verdadeira cultura das tradições vivas e a hospitalidade local.

San Andrés, o mar mais bonito do mundo. Veja o vídeo.

*Antônio Maria é jornalista.

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