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05/03/2018 | domtotal.com

Próxima parada: Teerã

Até bem pouco ignorada, a capital do Irã tornou-se objeto de desejo dos turistas.

Por Marco Lacerda*

Assim que o avião entra no espaço aéreo iraniano, a comissária dá o primeiro aviso às turistas: a partir daquele momento – até a saída do país – é obrigatório o uso do hijab, véu típico de mulheres muçulmanas que cobre os cabelos e orelhas. Além dele, toda e qualquer nudez será castigada: braços, pernas e quadris femininos não poderiam ser expostos em público; homens, mais privilegiados, só não podem usar bermuda ou tirar a camisa. Tudo é observado pela chamada “polícia do bom costume”, presente nas ruas das cidades.

À primeira vista, Teerã não parece ser uma cidade muito agradável. Uma névoa róseo-acinzentada cobre a cidade, contendo todo tipo de poluição aérea imaginável. Muitos dos edifícios também não agradam os olhos, tal como o trânsito pesado e incessante. Mas toda pessoa que visita o Irã quase que obrigatoriamente tem que passar por esta metrópole de quase 8 milhões de habitantes. O principal aeroporto do país está aqui e é através dele que você chegará a outros destinos, como Isfahan, Persépolis e Pasárgada.

O Palácio Golestan é um amplo complexo de edifícios e jardins, um verdadeiro oásis no coração de Teerã. Construído como palácio da dinastia Qajar, é um local bem agradável para conhecer. Próximo a ele, o Grande Bazar é literalmente um labirinto de lojas e cafés, com centenas de pequenos e apertados nichos que vendem de tudo. Pratarias, condimentos, quinquilharias e preciosos tapetes persas — alguns bem vagabundos, outros da melhor qualidade — fazem a festa dos consumistas. Só não esqueça de trazer dinheiro, pois aqui ninguém aceita cartão de crédito. Mais ao norte, a vila real de Saadabad, ocupada tanto pelos Qajars como pelo xá Reza Pahlevi — deposto pela Revolução Islâmica de 1979 — é outro agradável passeio, com seus aposentos suntuosos e agradáveis jardins.

Fora da cidade, além do monte Damavand, a área conhecida como Dizin possui uma boa estrutura para esquiar. Localizada a duas horas e meia da capital, o moderno centro é muito frequentando pela elite de Teerã e possui um ar mais livre que no resto do país. Equipamentos para aluguel e instrutores estão disponíveis, assim como algumas lanchonetes e restaurantes. A melhor forma de chegar em Dizin é através de uma excursão organizada.

Uma ode ao império persa

O principal aeroporto da cidade é o Imam Khomeini, possui voos para a Europa e Golfo Pérsico com companhias como KLM, Lufthansa, Turkish, Qatar e Emirates. De seus terminais até o Centro de Teerã a forma mais prática de traslado é através de táxis, uma viagem que pode levar mais de uma hora, dependendo do trânsito.

No Centro você não precisará de transporte público. O barato aqui é se perder entre o Grande Bazar e o Palácio Golestan, explorando ruelas e vielas da cidade. É aqui que você entrará em contato com o povo e sentirá parte do Irã que nem todas as excursões consegue oferecer. Para trajetos mais longos, utilize táxis (caros e dependentes do estado do trânsito, mas muito convenientes) e o novo sistema de metrô, composto de quatro linhas. A linha amarela te leva até o antigo aeroporto Mehrabad, ainda utilizado para rotas domésticas. Já as linhas azul e vermelha são muito convenientes para se movimentar pelas pontas da cidade. Os bilhetes magnéticos brancos servem para uma viagem simples (3000 rials), enquanto o laranja serve para viagens de ida e volta (4500 rials).

A Pérsia é reverenciada no monumento Azadi, construído em 1971, em comemoração dos 2.500 anos do império. O interior da enorme construção em forma de "y" invertido abriga um pequeno museu e, ocasionalmente, um ou outro concerto. O maior desafio é chegar até lá, já que não há faixas para pedestres ou semáforos que permitam acessar a ilha rodeada de carros por todos os lados. Trata-se de uma experiência memorável.

Modernos e intelectuais reúnem-se no café Naderi, famoso ponto de encontro dos reverenciados cineastas iranianos, localizado no centro da cidade.

Quem quer fugir do cenário urbano enfrenta mais um congestionamento para chegar aos parques próximos às montanhas Alborz, que emolduram o norte da cidade com suas franjas. Após uma caminhada leve, já se tem visão privilegiada da cidade e um pouco de tranquilidade, longe do barulho e da vigilância da polícia de costumes. Nos fins de semana, os parques recebem as improváveis alpinistas dispostas a vencer paredes de pedra portando mantos e véus pelo menos até onde os olhos da polícia alcançam.

Teerã, a capital do poder muçulmano. Veja o vídeo.

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