14 Jun 2022 | domtotal.com

É crise sobre crise, a vida tem deteriorado

A cada dia que passa aumenta o desmatamento, a poluição dos rios e a destruição da natureza

Número de pessoas em situação de rua cresce no Brasil
Número de pessoas em situação de rua cresce no Brasil (Pixabay)

Marcel Farah

Marcel Farah*

Os moradores de rua tem aumentado nas cidades, a falta de alimento na mesa é uma realidade que voltou às residências brasileiras, por outro lado faltam empregos, recursos para a saúde e para a educação. Além disso, a cada dia que passa aumenta o desmatamento, a poluição dos rios e a destruição da natureza.

Esses são os elementos pelos quais podemos dizer que passamos por diversas crises conjugadas no Brasil. Crise econômica, social, sanitária, educacional e ambiental.

A renda das pessoas que vivem do trabalho sofreu um grande baque durante a pandemia. Contudo, antes e depois da pandemia a tendência já era e continua sendo de queda do valor dos salários.

Ao mesmo tempo em que a inflação dispara, a massa de salários mensal cai - R$ 18 bilhões nesses dois anos -, de R$ 250,5 bilhões em fevereiro de 2020 para R$ 232,6 bilhões em janeiro deste ano, derrubando ainda mais o poder de compra de trabalhadores e trabalhadoras.

Apesar do desemprego em redução, quem encontra emprego, tem salários baixíssimos e ainda tem que lidar com a alta da inflação que reduz mais o poder de compra.

Vivemos um boom da população de rua, que muda de perfil, pois aumentou o número de crianças e mulheres nas ruas. Afinal famílias inteiras ao perder a âncora de renda não têm como pagar aluguel. Sem uma rede de apoio a única saída é a rua.

Este desastre social é tão complicado que o Estado nem mesmo tem dados para quantificar quantas pessoas estão em situação de rua e em quanto isso aumentou. Segundo o Movimento Nacional de Pessoas em Situação de Rua, o número hoje está em meio milhão de pessoas.

Voltamos à fila do osso e ao mapa da fome. Segundo a rede de pesquisa sobre insegurança alimentar, em 2022 são 33 milhões de brasileiros com fome, sendo que 60% das famílias sofrem algum tipo de insegurança alimentar, ou seja, não conseguem garantir alguma das três refeições diárias aos seus membros.

Ainda, o desmatamento na Amazônia, em 2021, foi o pior nos últimos 15 anos. A liberação de agrotóxicos proibidos em outro país é uma das marcas do atual governo federal. O descaso com a causa indígena, os maiores preservadores de florestas deste país, é a outra grande marca do governo Bolsonaro.

Esta conjugação de crises, é claro, tem como uma das causas a pandemia. Contudo, por estarmos em situação pior que outros países nestes quesitos econômicos, sociais, de dignidade humana e ambientais, é inevitável concluir que grande culpa cabe ao governo.

Afinal de contas, este foi o governo que abandonou políticas de emprego e renda bem sucedidas em governos anteriores, como a política de valorização do salário mínimo, e o incentivo aos empregos formais, com carteira assinada. Esse governo desmantelou os conselhos de políticas sociais, inclusive o CONSEA, que tratava das políticas de segurança alimentar e nutricional. Esse governo destruiu a Política Nacional para a População em Situação de Rua e o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento (Ciamp-Rua). Esse governo sucateou a Funai e abandonou políticas de preservação da natureza.

Por tudo isso, não temos escolha em outubro, temos que votar contra esse governo.

Marcel Farah
Advogado e educador Popular

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.

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