23 Mai 2019 | domtotal.com

Em defesa da educação

O que deveria ser enfatizado é que, sem a reforma da Previdência, não haverá recursos suficientes para nenhum setor.

Há que se considerar o direito dos manifestantes e levar em conta que a educação não pode ser sacrificada.
Há que se considerar o direito dos manifestantes e levar em conta que a educação não pode ser sacrificada. (Amanda Perobelli/Reuters)

Por Jorge Fernando dos Santos

Dizer que as manifestações em favor das universidades federais foi coisa de “idiotas úteis” é passar recibo de idiotice. Realmente eles existem, mas não se pode generalizar. O que deveria ser enfatizado é que, sem a reforma da Previdência, não haverá recursos suficientes para nenhum setor.

Convém lembrar que os protestos em favor do transporte gratuito para estudantes, que sacudiram o país em 2013, marcaram o início da derrocada de Dilma Rousseff. Estudantes têm uma força contagiante e não podem ser subestimados.

Ao que tudo indica, o presidente eleito por quase 58 milhões de brasileiros ignora fatos históricos e a importância do diálogo para o bem do país e da democracia. Bravatear e xingar adversários não resolve os problemas nacionais. Mais do que nunca, Bolsonaro precisa fazer política.

Redução de gastos

A bem da verdade, não se pode negar que as universidades federais precisam de um pente fino. Existem denúncias e investigações de corrupção em várias reitorias pelo país afora. Também deve-se avaliar o desempenho acadêmico, rever e atualizar currículos para melhorar o nível do ensino.

De fato, o anúncio do corte no orçamento foi manipulado pela esquerda e pela mídia. Alardearam que seria de 30% do total de recursos, mas o percentual se referia ao contingenciamento. Ou seja, 3,5% do total das verbas até setembro. Governos anteriores fizeram o mesmo sem causar reações.

Contribuiu para a celeuma as dificuldades de comunicação do governo. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, não sabe dialogar com o meio acadêmico. Sua postura é arrogante e macarthista, servindo apenas para atiçar a esquerda ressentida – que é, sim, majoritária nas universidades. 

Mudança de tática

Apesar de tudo, há que se considerar o direito dos manifestantes e levar em conta que a educação não pode ser sacrificada. Isso não significa ignorar o fato de que a escassez de recursos decorre da crise econômica deixada pelo PT, que saqueou o país e culpa o novo governo por todos os males.

A esquerda aposta no “quanto pior melhor”, visando trazer Lula de volta como o salvador da pátria. A militância chama a isso de “resistência ao golpe” e usa qualquer motivo como pretexto. Enquanto isso, o Centrão pressiona o presidente e Rodrigo Maia rompe com o líder do governo na Câmara.

Quanto àqueles que pensam dar o troco no próximo domingo (26/5), vale dizer que, se manifestação segurasse presidente, João Goulart não teria caído logo após o comício da Central do Brasil, em 1964. Bolsonaro e bolsonaristas precisam aprender com a História. A hora é de falar menos e mudar de tática para salvar o país.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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