26 Mai 2019 | domtotal.com

Ganhar perdendo

Quem tem tocado as reformas para a frente é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um primeiro-ministro informal.

Claro que, no meio da confusão do governo e de sua difícil relação com o Congresso, de repente tudo pode desandar.
Claro que, no meio da confusão do governo e de sua difícil relação com o Congresso, de repente tudo pode desandar. (Marcos Corrêa/PR)

Por Carlos Brickmann

Digam o que disserem os teóricos, o fato é que a anarquia funciona. Jair Bolsonaro tem seus líderes no Congresso, mas cada um diz uma coisa, faz outra e, no caminho, descumpre os acordos que acertou. O próprio Bolsonaro pede uma coisa e luta por outra. O fato é que funcionou: a reorganização do Ministério foi aprovada (só que o Coaf ficou na Economia, em vez de ir para a Justiça, e a Funai ficou com a Justiça, saindo dos Direitos Humanos – e Bolsonaro, que propôs as mudanças, agora quer que tudo fique como está). O ministro Moro ficou chateado ao perder o Coaf, mas parece já acostumado a apanhar. Há uma reforma tributária pronta para ser votada. Não é a de Paulo Guedes, mas foi redigida por um economista de porte, Bernard Appy; Paulo Guedes pode usá-la. Há uma reforma da Previdência (dos tempos de Temer) já em estágio avançado. É acoplar esta à de Guedes, fazer um substitutivo e pronto. Guedes disse que, se a reforma for daquelas meia-boca, pede para sair. Mas é provável que se entenda bem com Appy e equipe, e se acertem.

Claro que, no meio da confusão do governo e de sua difícil relação com o Congresso, de repente tudo pode desandar. Quem tem tocado as reformas para a frente é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, um primeiro-ministro informal. O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo, brigou com ele. Mas os líderes do governo estão brigados entre si (e às vezes agem contra o governo de que são líderes). O governo perde todas, mas é assim que ganha.

Perder perdendo

Na manifestação deste domingo, pode ocorrer tudo – inclusive nada. Mas é bom que Bolsonaro tome providências para aumentar sua popularidade: a última pesquisa XP (uma empresa de investimentos cujas pesquisas servem para orientar os investidores) aponta, pela primeira vez, que a avaliação “ruim ou péssimo”, 36%, supera a “ótimo ou bom”. 34%. Houve pequena queda da avaliação positiva, enquanto a negativa subia cinco pontos, embora a diferença esteja dentro da margem de erro (3,2 pontos percentuais).

Maus indícios

Outros indicadores, porém, mostram queda na popularidade do governo.  O grupo que espera que daqui em diante o governo seja ótimo ou bom caiu de 51% para 47%. Só 4% consideram satisfatório o andamento da agenda de Bolsonaro no Congresso. As opiniões se dividem quanto à responsabilidade da lentidão: para 35%, a culpa é conjunta, do governo e do Congresso. Para 30%, a culpa é do Congresso. E só 20% põem a culpa apenas em Bolsonaro.

Parlamentarismo, não

O presidencialismo é de longe a forma de governo preferida: 70% dos entrevistados. E 18% acham que seria melhor adotar o parlamentarismo.

Os dias seguintes

No Congresso, já houve até reuniões de parlamentares importantes sobre “o que fazer com Bolsonaro”. No momento, nada: nem petistas nem olavetes querem tirá-lo, já que não toleram o vice Mourão. Não há clima para golpe, nem quem tenha força para desfechá-lo. E, bem ou mal, com anarquia e tudo, as reformas vão andando – lentamente, com modificações, mas vão andando. Se passa uma boa reforma da Previdência (dessas que permitam ao país fazer economia de uns R$ 100 bilhões por ano), haverá melhora geral no ambiente econômico, com o provável aumento dos investimentos externos. Tradução: mais empregos e aceleração do ritmo da economia. Isso eleva a popularidade de qualquer presidente. Se a economia anda, o governo é bom. Ponto final.

Boa notícia

Anote na sua agenda: 30 de maio, quinta-feira que vem, é o Dia Livre de Impostos. Não que o governo deixe de morder o bolso dos cidadãos: mas um grupo de empresários, espalhado pelo país, vai vender seus produtos sem impostos – eles arcarão com os tributos. O objetivo é mostrar como os impostos pesados afetam a vida dos cidadãos. Num ranking de 30 países, o Brasil é o 14º em arrecadação de impostos, e o último em retorno dos gastos para a população. Até o momento, 821 lojas, dos mais variados setores, estão dispostas a vender parte de seus produtos sem os impostos. Os preços caem muito: o brasileiro trabalha 153 dias por ano, cinco meses, só para pagar impostos. Neste Dia sem Impostos, os descontos variam entre 10% e 70%. Há variação de preços conforme o estado, já que os impostos variam. A lista dos participantes está em www.dialivredeimpostos.com.br

Esfriando os ânimos

O maior congresso latino-americano de sorvetes (Clash) se realiza em São Paulo, nos dias 12 e 13 de junho, no Centro de Convenções do Expo-Center Norte. A área, cerca de oito mil empresas, com 75 mil empregados, movimenta algo como R$ 13 bilhões de reais por ano, no Brasil. O Clash pretende fazer uma ampla radiografia do setor, sob o tema “Sorvete, novos tempos: Tendências, conquistas e transformações”. O Clash funcionará das 9h às 17h30. Inscrições no site www.clash.net.br

Carlos Brickmann
é jornalista e diretor do escritório Brickmann&Associados Comunicação, especializado em gerenciamento de crises. Desde 1963, quando se iniciou na profissão, passou por todos os grandes veículos de comunicação do país. Participou das reportagens que deram quatro Prêmios Esso de Equipe ao Jornal da Tarde, de São Paulo. Tem reportagens assinadas nas edições especiais de primeiras páginas da Folha de S.Paulo e do Jornal da Tarde.
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