06 Jun 2019 | domtotal.com

Homenagem ao bruxo


R10 foi o melhor jogador da história que vi atuar com a camisa do Atlético
R10 foi o melhor jogador da história que vi atuar com a camisa do Atlético (Bruno Cantini)

Por Rômulo Ávila

Na semana em que a chegada de Ronaldinho Gaúcho ao Atlético completou sete anos, a saudade dos amantes do futebol de ver o talento dele em campo aflorou. Especialmente no caso do atleticano, lembrar da passagem de R10 pelo clube serve também como choque de realidade, especialmente pela raiva que Cazares, atual camisa 10, faz nos atleticanos. Em homenagem ao bruxo, vou republicar um artigo de 2013 sobre o craque. 

O único craque que vi jogar em Minas

Não vi Tostão, nem Reinaldo jogar e nem outros craques do passado que, em conversas com os mais experientes, sempre são citados: Dirceu Lopes, Piazza e por aí vai. Talvez por isso minha concepção para a palavra “craque” fosse tão, digamos, pouca exigente.  Éder Aleixo e Alex Talento são exemplos de jogadores acima da média que denominei, erradamente, como craques. Meu nível de exigência mudou desde que Ronaldinho Gaúcho chegou ao futebol mineiro, para defender o Atlético. Até assisti a algumas apresentações de outro Ronaldo, o fenômeno, pelo Cruzeiro. Mas, apesar de nascido craque, ele ainda não tinha estourado. 

Nem mesmo se baixasse em mim o espírito do saudoso Armando Nogueira, teria condições de descrever aqui o que Ronaldinho Gaúcho faz com a bola nos pés. O trato fino e as jogadas inesperadas justificam os dois prêmios de melhor jogador do mundo. Ele está entre os poucos que têm a capacidade para fazer o impossível ser tornar provável.  Como dizem no mundo do futebol, o difícil é jogar fácil. E é isso que R10, aniversariante do dia, faz. 

A lei da gravidade parece não existir quando a redonda é, carinhosamente, dominada por ele. Essa virtude é, aliás, a que mais impressiona. De onde vem a capacidade de transformar um tiro-de-meta em um passe, ou num domínio suave? Por alguns segundos, ele e a sua amiga inseparável parecem se transportar para a Lua, onde os corpos flutuam em câmera lenta. É essa a sensação que tenho ao ver Ronaldinho Gaúcho dominar a pelota. Com certeza, Albert Einstein ficaria de cabelo ainda mais em pé.

Os passes de costas, as bolas enfiadas milimetricamente para os companheiros sem ao menos olhar para o destino, o toque de canela, as canetas, as ‘matadas’ de bola no peito e o festival de chapéus mostram a relação paternal que ele tem com a redonda... Presentes para quem realmente gosta de futebol, como eu.  Por isso, é reverenciado por torcedores de todo o mundo e até pelos adversários.

Se hoje, com exatos 33 anos, ele faz o que faz, imagino o que esse legítimo craque brasileiro aprontava nos tempos mágicos de Barcelona. Pela TV, por mais que os recursos tecnológicos deem a sensação de realidade, não temos a mesma percepção de quando estamos no estádio. É diferente, mais impactante.

E pensar que fui contra a contratação do jogador. Deve ser pelo fato de nunca ter visto, de perto, um craque de verdade dar espetáculo. E é justamente isso que Ronaldinho está fazendo com a camisa do Atlético. 

Só um craque é capaz de fazer torcedores rivais terem a mesma opinião. Vários amigos, torcedores fervorosos do Cruzeiro, já fizeram reverência ao futebol apresentado por Ronaldinho, deixando a paixão clubista de lado.

Lembro que, em 1999, Ronaldinho Gaúcho já começava a tornar o impossível factível. O gol contra a Venezuela, pela Copa América daquele ano, foi uma das pinturas do jogador. Eu, com apenas 21 anos, acompanhei o feito pela TV do aeroporto de Teresina, no Piauí. Estava aguardando o voo para Belo Horizonte, depois de passar quatro meses disputando o Campeonato piauiense pelo Oieiras Atlético Clube. 

Como diz a letra da música da banda Skank, quem não sonhou em ser um jogador de futebol? Hoje, 14 anos depois, Ronaldinho continua dando show e sendo referência de craque para várias crianças e jovens, que sonham em um dia se tornar um craque como ele. 

Rômulo Ávila
É jornalista formado pela Newton Paiva. Foi repórter esportivo durante dois anos do extinto Diário da Tarde (tradicional periódico de BH fechado pelos Associados Minas em julho de 2007). Atualmente é repórter do Portal DomTotal. Antes de cursar comunicação, foi jogador de futebol profissional. Começou no Villa Nova-MG e passou pelo futebol paulista e nordestino.
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