14 Jun 2019 | domtotal.com

Há mais coelhos na cartola do golpe!

Considerando tudo isso, não há porque confiar nas instituições por dentro das quais se desenrola este novelo de farsas.

Alguma coisa dizia que Moro tendia a condenar Lula antes mesmo do processo começar.
Alguma coisa dizia que Moro tendia a condenar Lula antes mesmo do processo começar. (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Marcel Farah

Recuperando parte do histórico de acontecimentos recentes.

Dilma está sob forte pressão do Congresso e de Eduardo Cunha com pedidos de impeachment protocolados contra ela em 2016.
Lula está sob ameaça de ser processado e condenado por Sérgio Moro, mesmo havendo dúvidas se este seria o juiz competente para julgá-lo, já que pouco tem o caso do triplex (que nunca foi propriedade do ex-presidente) a ver com a Petrobras, matéria da Operação Lava Jato.

Dilma, por dois motivos, nomeia Lula seu ministro em 16 de março de 2016. Primeiro, ele abriria um novo período no governo que, alterando seu modus operandi e algumas opções políticas, principalmente na área econômica, superaria a baixa popularidade alcançada pela presidenta logo no início do seu mandato. Por outro lado, a nomeação tornaria o STF competente para julgar o ex-presidente, livrando-o de Moro.

Alguma coisa dizia que Moro tendia a condenar Lula antes mesmo do processo começar. Teria sido por conta das notícias de que delações não passavam pelo MP sem citar o nome de Lula, as relações do juiz com o PSDB, ou a atuação deste no caso do Banestado, ou a condução coercitiva, sem justificativa jurídica e amparo legal, perpetrada contra o ex-presidente pelo juiz em 4 de março daquele ano? Não só….

Por outro lado, tal atitude da então presidenta abriu possibilidades de questionamentos sobre a finalidade real de se nomear o ex-presidente como ministro. Esta narrativa prevaleceu e a Justiça impediu Lula de assumir, outro malabarismo judicial, para não dizer constitucional. Porém, não sem que antes, áudios, ilegalmente gravados, de conversas da presidenta da República com o ex-presidente fossem divulgados pelo mesmo juiz.

Hoje, três anos depois, com Dilma impedida, Lula preso, candidatura de Lula impedida, Lula censurado na prisão, Bolsonaro eleito com ajuda de suposta facada, fake news e caixa dois, vazam mensagens trocadas entre o promotor chefe da lava jato e o Moro, não mais juiz, mas ministro de Bolsonaro. Nas mensagens, combinações meticulosas sobre os impactos da ações do MP e do Judiciário sobre o cenário político, orientações sobre a forma como deveria atuar o MP, sugestão de ações ao MP, indicação de textos para possíveis denúncias etc.

Mesmo assim, há quem (institucionalmente?) se manifeste em defesa da lisura da Lava Jato, como o fez o general Villas Bôas do Exército brasileiro. E há quem sugere que a reforma da Previdência seja alvo das denúncias contra Moro, como o fez o ministro da Economia.

Ou seja, desmascarar a farsa não será suficiente para que a “missão” seja abandonada. Missão? Seria a de retomar políticas neoliberais a pleno vapor no Brasil? Para enquadrar melhor o país sob o domínio estadunidense na geopolítica internacional?

Há muito o que se revelar sobre os acontecimentos políticos brasileiros desde a descoberta do pré-sal, coincidência ou não. Há indícios de cooperação internacional em vários dos episódios recentes em que vivemos. Há indícios de pressão dos militares por motivos não explícitos.

Considerando tudo isso, não há porque confiar nas instituições por dentro das quais se desenrola este novelo de farsas, só a pressão popular poderá alterar o rumo das coisas e retomar as rédeas do país para seu povo. Portanto, a única forma de desarticular o golpe, o governo fascista, os retrocessos econômicos e a destruição de direitos, é dando total apoio às ruas. Nesta semana, total apoio à greve geral de 14 de junho, nas outras, total apoio às movimentações populares, contra a reforma da Previdência e por #LulaLivre.

Marcel Farah
Educador Popular
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