17 Jun 2019 | domtotal.com

O vergonhoso preço dos ingressos na Copa América para os ricos 

O preço médio do tíquete no Morumbi na estreia do Brasil foi de R$ 485,00, simplesmente 48,59% do valor do salário mínimo. 

A seleção do Uruguai num Mineirão vazio e frio em reposta ao caríssimos ingressos da Copa América.
A seleção do Uruguai num Mineirão vazio e frio em reposta ao caríssimos ingressos da Copa América. (FÁBIO BARROS / Agência F8/Gazeta Press)

Por Juliano Paiva

Os estádios vazios na Copa América são uma vergonha para a organização, em especial a Conmebol, e o Brasil, país sede do torneio. No Mineirão, por exemplo, apenas 13.611 torcedores presenciaram a goleada do Uruguai sobre o Equador para uma renda de R$ 1.534,535. 

A ocupação de apenas 21% escancara o erro na precificação dos ingressos. O mais barato no Gigante da Pampulha custou R$ 120,00, sendo R$ 60,00 para quem tem direito a meia entrada. Num país com mais de 13 milhões de desempregados, se fosse cobrado a metade desses valores já seria um absurdo. 

Vergonha maior vai para o jogo de abertura do torneio continental. A renda de R$ 22.476.630,00 é a maior na história do futebol brasileiro, mas o público foi de apenas 46.342 na vitória do Brasil sobre a Bolívia no Morumbi. Taxa de ocupação de 69%. O tíquete médio foi de R$ 485,00 no estádio do São Paulo, simplesmente 48,59% do valor do salário mínimo. 

O resultado dessa combinação todos viram. Estádios frios, sem clima de jogo. Mesmo no Morumbi que recebeu melhor público até aqui, a torcida simplesmente não participava da partida, provavelmente por se tratar de pessoas não acostumadas a ir aos estádios. Elas só o fizeram para vaiar ao fim do primeiro tempo e para gritar “olé” com a vitória garantida. 

O preço de comida e bebida também não ajuda. No Mineirão, o tropeiro famoso em todo o pais custa a bagatela de R$ 20,00. E o pãozinho de queijo mineiro? R$6,00!! Acredite, é a especiaria mais em conta. Pão com pernil ou linguiça, gostosuras campeãs de público, custam R$ 15,00. 

Quem quiser beber também paga caro: R$ 8,00 a lata de refrigerante e R$ 10,00 a R$ 14,00, a cerveja. No caso da cerveja, a organização diz que o comprador ganha um copo colecionável. Parece piada, mas não é. É muito sem graça por sinal um torneio tão tradicional como a Copa América sem torcedores nas arquibancadas. 

A Conmebol levou ao extremo a gourmetização e elitização do futebol e organizou um torneio para os ricos no Brasil. 

Um fiasco! O vexame do ano no futebol sul-americano. 

Juliano Paiva
é jornalista formado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente editor do Dom Total, Paiva trabalhou nos jornais O Tempo, Hoje em Dia e no extinto Diário da Tarde, tradicional periódico de Belo horizonte fechado pelos Associados Minas em julho de 2007. No DT, começou como repórter da editoria Cidades, mas, na época do fechamento do jornal, fazia cobertura esportiva. Também foi responsável pela cobertura de jogos do Campeonato Brasileiro para a Folha de São Paulo no segundo semestre de 2007.
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