20 Jun 2019 | domtotal.com

Bolsonaro retoma as rédeas

Alguns acreditaram que o mercado reagiria negativamente, o que felizmente não ocorreu.

Espera-se que o novo presidente do BNDES, economista Gustavo Montesano, faça o que Levy não fez.
Espera-se que o novo presidente do BNDES, economista Gustavo Montesano, faça o que Levy não fez. (Divulgação/Ministério da Economia)

Por Jorge Fernando dos Santos

Com a exoneração do general Santos Cruz da Secretaria de Governo e a demissão do economista Joaquim Levy da presidência do BNDES, pode-se dizer que o presidente Jair Bolsonaro retomou as rédeas do seu governo.

O desgaste de Santos Cruz começou com a polêmica envolvendo o “guru da Virgínia”, Olavo de Carvalho, e os filhos do presidente. O motivo da discórdia teria sido uma declaração do general à rádio Jovem Pan, na qual sugeriu o controle das mídias sociais para evitar discórdias.

A imprensa noticiou que setores militares teriam reagido à demissão do general, que é merecidamente admirado na caserna. Contudo, Bolsonaro disse publicamente que também o admira e, habilmente, escolheu para substituí-lo Luiz Eduardo Ramos, que também é general da reserva.

Já a saída de Joaquim Levy do BNDES demorou a acontecer. Mesmo tendo um currículo admirável, ele nem deveria ter sido nomeado para o cargo. Quem o escolheu foi o ministro da Economia, Paulo Guedes. Bolsonaro deu-lhe um voto de confiança em respeito ao homem-chave do governo.

O que mais surpreendeu na saída de Levy foi a reação de alguns setores políticos. Na verdade, foi o economista quem se demitiu depois de desentendimentos com o presidente. A ordem explícita era abrir a caixa-preta do BNDES, coisa que ele protelou enquanto pôde.

Já vai tarde

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considerou uma “covardia” a demissão do amigo. O economista Maílson da Nóbrega e o jornal britânico The Financial Times também criticaram a saída de Levy. Alguns acreditam que o mercado reagiria negativamente, o que felizmente não ocorreu.

Engenheiro naval e doutor em Economia, Joaquim Levy foi secretário da Fazenda do governo corrupto de Sérgio Cabral, que levou o Rio de Janeiro à bancarrota. Ex-diretor do Bradesco e ex-ministro da Fazenda do governo Dilma, é estranho que ele não soubesse dos empréstimos secretos do BNDES a ditaduras como as de Cuba, Angola e Venezuela.

Bolsonaro foi eleito por quase 58 milhões de brasileiros e um dos seus compromissos de campanha era justamente passar um pente-fino no BNDES. Afinal, foi com recursos da entidade que os irmãos Castro construíram em Cuba o Porto de Mariel, da mesma forma que os irmãos Joesley e Wesley Batista enriqueceram ilicitamente.

Ao que tudo indica, o banco foi o principal financiador do projeto bolivariano de poder. Não bastasse isso, os países devedores não estão pagando a dívida, o que implica em prejuízos ao povo brasileiro. Espera-se que o novo presidente do BNDES, economista Gustavo Montesano, faça o que Levy não fez.  

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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