27 Jun 2019 | domtotal.com

Tiro pela culatra

A polêmica provocada pelo site 'The Intercept' e alardeada pela mídia nacional não passou de um estratagema malsucedido.

Tudo leva a crer que, ao publicar o suposto conteúdo das ligações telefônicas hackeadas, Glenn Edward Greenwald pretendia confundir a opinião pública e reforçar a argumentação em favor de Lula.
Tudo leva a crer que, ao publicar o suposto conteúdo das ligações telefônicas hackeadas, Glenn Edward Greenwald pretendia confundir a opinião pública e reforçar a argumentação em favor de Lula. (EVARISTO SA / AFP)

Por Jorge Fernando dos Santos

A decisão da segunda turma do STF em manter preso o ex-presidente Lula transformou em tiro pela culatra o vazamento de conversas entre o juiz Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol, divulgado pelo site The Intercept.

Tudo leva a crer que, ao publicar o suposto conteúdo das ligações telefônicas hackeadas, o ativista americano Glenn Edward Greenwald, dono do site, pretendia confundir a opinião pública e reforçar a argumentação em favor de Lula.
 
Numa entrevista realizada na sede da Política Federal, em Curitiba, o ex-presidente sugeriu a ele que fizesse uma investigação jornalística, visando incriminar Moro e Dallagnol. Glenn respondeu que já estava cuidando do assunto. Além disso, há outros fatores que devem ser observados:

Primeiro – Glenn é casado com David Michael Miranda, deputado federal do PSOL que substituiu Jean Willys quando este renunciou ao cargo dizendo-se ameaçado, não se sabe por quem.

Segundo – O ativista é ligado ao analista Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e da NSA que vazou programas do sistema de vigilância global dos EUA e depois se exilou em Moscou.

Terceiro – Coincidentemente ou não, o Telegram (mecanismo pelo qual Moro e Dallagnol conversaram) foi criado pelos irmãos Nikolai e Pavel Durov, fundadores do VK, que é a maior rede social da Rússia de Putin (aliado de Maduro na Venezuela).

Quarto – É no mínimo suspeito que o vazamento das conversas tenha ocorrido justamente às vésperas do julgamento de mais dois pedidos de habeas corpus de Lula no STF.

Quinto – Segundo o jornalista Caio Blinder, no programa Manhattan Connection de 16/6, Glenn é odiado pela esquerda americana por ter criticado Obama e elogiado Trump, comparando-o a Lula por serem ambos “inimigos das elites”. (Bom lembrar que Trump teria sido eleito com ajuda de Putin).

Sexto – A mudança de Glenn para o Brasil seria uma estratégia de sobrevivência. Ainda segundo Blinder, ele foi demitido da NSNMC e hoje participa do programa do supremacista branco Tucker Carlson, na Fox News (o que não pega bem para um militante de esquerda nos EUA).

Sétimo – Mesmo que as conversas entre Moro e Dallagnol ferissem a ética jurídica, o fato é que elas não contêm nada de ilegal. Até porque, juízes conversam com advogados e promotores. Por outro lado, as gravações foram obtidas de maneira ilícita e não podem ser validadas pela Justiça.

Oitavo – Há boatos de que também teriam sido hackeadas ligações de outros juízes, promotores, desembargadores e até do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Quem garante que ministros do STF não estejam na lista?

Portanto, pelo que se sabe até agora, não há mais o que discutir sobre o assunto. A polêmica provocada pelo site The Intercept e alardeada pela mídia nacional não passou de um estratagema malsucedido, que visava soltar Lula e enterrar a Lava Jato.

Jorge Fernando dos Santos
Jornalista, escritor, compositor, tem 44 livros publicados. Entre eles Palmeira Seca (Atual), Prêmio Guimarães Rosa 1989; ABC da MPB (Paulus), selo altamente recomendável da FNLIJ 2003; Alguém tem que ficar no gol (SM), finalista do Prêmio Jabuti 2014; Vandré - o homem que disse não (Geração), finalista do Prêmio APCA 2015; e A Turma da Savassi (Miguilim).
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